
“Não é um projeto pequeno. É projeto para bilhão, mas não temos uma ideia definida. Até porque, há um sigilo muito grande dos consórcios por temer que as informações passem para os concorrentes.”
Secretário estadual do Planejamento, Antonio Alberto Valença, sobre o valor da construção do Sistema Viário Oeste, cujo projeto inclui a Ponte Salvador-Itaparica.
Caro Celestino: Somente agora, lendo o BN, é que tomei conhecimento do sofrimento do deputado Heraldo Rocha. Não sei como uma notícia tão importante como essa passou despercebida pela mídia nacional e internacional.
Jorge Roque - Salvador (BA)
LINKS DO PODER
O sistema orçamentário moderno evolui paralelamente ao crescimento da importância dos governos na atividade econômica. As informações sobre origem do orçamento se reportam ao século XVII, na Grã-Bretanha, onde o Parlamento exercia o controle sobre a Coroa. A intromissão do rei nas relações com o Estado era comum no passado, bem como a falta de preocupação com as despesas.
A questão orçamentária ocupa lugar de destaque nas discussões de política econômica contemporânea. Entretanto, quase todos os aspectos das práticas orçamentários modernos têm origem nos tempos antigos. Nos Estados Unidos, o modelo adotado tem autonomia municipal traço marcante do seu federalismo. No Brasil, a história do orçamento remonta à Constituição Imperial de 1824, havendo todas as Constituições posteriores tentativas de moralização no campo das finanças públicas, visando o controle das contas governamentais. Ressalta-se a importância da Lei 4.320, de 17/03/64, que estatuiu normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.
Destaca-se, também, o Decreto-Lei nº 200, de 24/02/67, que modificou a forma de atuação da Administração Pública, estabelecendo normas sobre o sistema de planejamento, orçamento e controle e tratou da responsabilidade dos prefeitos e vereadores.
A Constituição de 1988, no seu artigo 165, significou um avanço importante, na medida em que descentralizou, dando poder aos municípios e, portanto, fortalecendo-os, quando institui três instrumentos essenciais ao planejamento da administração pública, integrando os processos de planejamento e orçamento. Falar de orçamento, especialmente o de Salvador, é necessário alguns comentários críticos acerca do processo de concepção da Peça Orçamentária Municipal. É perceptível que a mudança de orientação política da gestão do prefeito João Henrique, implicou redução dos mecanismos democráticos de participação popular, ressaltando o total abandono da experiência de Orçamento Participativo, iniciada no seu primeiro mandato e que não foi consolidada. No primeiro ano do segundo mandato a elaboração da Lei Orçamentária Anual 405/2009, se deu entre a equipe técnica da Prefeitura e não houve nenhum gesto no sentido de ampliar as contribuições e a ausculta a população de Salvador por parte do governo recém reeleito.
No dia 30 de setembro, o Executivo enviou a esta Casa Legislativa, o Projeto de Lei com o exercício contábil de 2010. De imediato, as discrepâncias entre as prioridades do projeto e as necessidades da população de Salvador ficaram nítidas. Após um ano de desastres após as chuvas, o orçamento da Secretaria Municipal de Transportes e Infraestrutura (Setin) – gigantesco para os padrões de Salvador – não dirige parte substancial para as obras de prevenção às enchentes, encostas que atingiram os bairros populares. Mesmo com o crescimento do assassinato de gays e travestis na cidade, a Secretaria de Serviços Públicos e Prevenção à Violência (Sesp) não destina recursos para o combate à homofobia e à transfobia. E a pasta da Reparação (Semur) receberá apenas 0,06% da receita da cidade para ações não-estruturais.
Em uma cidade negra marcada por uma profunda desigualdade racial e de gênero, o poder público deve promover a igualdade através de políticas focalizadas, priorizadas em todas as secretarias. A proposta orçamentária da prefeitura faz a opção inversa e exime-se da responsabilidade de superar o ciclo da discriminação e seus efeitos. O orçamento minúsculo da Semur destina-se, além da manutenção da secretaria, às atividades de projeção da prefeitura em cima das datas importantes para o povo negro ou da cultura negra. Quando somamos esses dados às constantes desapropriações ilegais e a perseguição aos terreiros de candomblé, delineia-se uma política de resistência à democratização da cidade.
No caso da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), é ainda pior: não há um item do orçamento destinado a políticas a essa exclusão população, e como não há política sem dinheiro, isso implica em completa exclusão. Não há verbas para o Centro de Referência da comunidade LGBT, nem para a inclusão da agressão a LGBT no Observatório da Discriminação Racial e da Violência contra Mulher no Carnaval. Fica mais absurdo quando lembramos que o Governo Federal acaba de criar uma coordenação para gerir as políticas para LGBT e o Governo estadual deve oficializar em breve uma comissão com o movimento social para construir o Plano Bahia Sem Homofobia. A terceira maior capital do país, mais uma vez, está ficando para trás, pela terceira vez em nono lugar, no ranking de avaliação de prefeitos, com nota 4,9 e o governo reprovado por 35% dos entrevistados soteropolitanos.
Marta Rodrigues - Vereadora e Líder do PT na Câmara
MARTA RODRIGUES
A Prefeitura informou que o metrô subirá aos trilhos. E agora?
A HIENA RACISTA DO CONGRESSO NACIONAL
