Quinta, 07 de Dezembro de 2017 - 00:01

Perfil: Conheça Luiz Fernando Costa Filho, o sócio oculto de Geddel Vieira Lima

por Bruno Luiz

Perfil: Conheça Luiz Fernando Costa Filho, o sócio oculto de Geddel Vieira Lima
Empresário trouxe ligação de Geddel com negócios imobiliários | Foto: Divulgação

Conhecido como uma pessoa discreta, Luiz Fernando Costa Filho teve que se acostumar com os holofotes ao ser empurrado para o centro de mais um escândalo envolvendo o ex-ministro, atualmente preso, Geddel Vieira Lima (PMDB). Dono da empreiteira Cosbat Empreendimentos Imobiliários, Costa Filho saiu dos cadernos imobiliários para as páginas policiais ao revelar, em depoimento à Polícia Federal (PF), que era uma espécie de sócio oculto do peemedebista em negócios apontados pelas investigações como escusos. De acordo com o relato do empresário à corporação, o dono do bunker de R$ 51 milhões tem participação societária em, pelo menos, seis empreendimentos imobiliários de luxo em Salvador construídos pela Cosbat. Ele ainda contou ter embolsado, entre 2011 e 2016, R$ 11,5 milhões pagos por Geddel e o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB), irmão do ex-ministro, por causa da sociedade deles nos negócios. Antes parceiro, o empresário conseguiu com seu depoimento trazer uma informação que pode complicar ainda mais a vida dos irmãos. Segundo ele, os valores pagos eram retirados na casa de Marluce Vieira Lima, matriarca da família que gerou os dois políticos. Com personalidade marcada pelo resguardo, Costa Filho conseguiu blindar a vida pessoal de uma forma que é até difícil de encontrar registros sobre sua vida pessoal. No entanto, as polêmicas envolvendo a Cosbat parecem falar muito pelo empresário. A empreiteira surgiu em 1996 e cresceu no ramo de empreendimentos imobiliários de alto luxo. Um deles, o La Vue, se tornou epicentro de outro escândalo com Geddel, quando o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, acusou o peemedebista de pressioná-lo a liberar as obras do edifício, que haviam sido embargadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além desse, emblemático, vários dos negócios imobiliários que fizeram o empresário crescer no ramo também estiveram envoltos em questões judiciais envolvendo o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a liberação de alvarás considerados suspeitos. Um deles foi o Terrazzo Rio Vermelho, localizado na rua Barro Vermelho, na Praia de Buracão, no Rio Vermelho, em Salvador. Em 2007, um juiz federal chegou a deferir uma liminar embargando as obras do imóvel (relembre). Moradores acusaram a empresa de avançar sobre a praia com o imóvel. Entretanto, o impedimento foi derrubado posteriormente e, atualmente, a construção consta, no site da empreiteira, como uma das concluídas. Também em 2007, outro negócio polêmico. Na época vereador, Paulo Câmara (PSDB) entrou com uma representação no MP-BA para evitar que uma Área de Preservação Permanente (APP), localizada ao lado e aos fundos do Instituto de Reabilitação da Bahia (IBR), não fosse devastada para dar lugar a um empreendimento da Cosbat. A construtora também foi sócia da OAS em outro empreendimento recheado de controvérsias, o Residencial Costa España, na Avenida Oceânica, bairro de Ondina, em Salvador. Um processo chegou a ser aberto para avaliar se a construtora adulterou o tamanho da fachada ao entregar o projeto para poder construir três andares a mais do que o permitido. O empreendimento foi citado por Geddel em uma conversa com o dono da OAS, Leo Pinheiro, interceptada pelos investigadores da Lava-Jato. No diálogo, ele diz que Luiz chegou a conversar com o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), para liberar a construção. Além de um empresário de sucesso, o dono da empreiteira também é conhecido por suas boas relações no meio político. A licença para o Terrazzo e para o edifício alvo de representação de Paulo Câmara, foi obtida ainda durante a gestão do ex-prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB). De acordo com informações apuradas pelo Bahia Notícias, Luiz tinha boa relação com Kátia Carmelo, ex-chefe da então Superintendência de Controle e Ordenamento do Solo da capital baiana. A pasta era responsável por emitir licenças para construções na cidade. Carmelo chegou à secretaria por indicação do PMDB, partido de Geddel. 

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