Com Samuel Celestino

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Curtas do Poder

Curtas do poder

Não é por nada, mas até hoje não me recuperei do susto que levei quando soube, na última sexta-feira, lá em Mar Grande, desse balaio de gato que fizeram na chapa do Soberano. Soube que Geddel indicou Joaci de pirraça, pois o sujeito não tem voto. Independentemente da motivação, só imagino o velho ACM se remexendo todo no caixão. Se estivesse vivo o senador daria um ataque, até porque a chapa de Wagner é mais fiel aos princípios carlistas do que a de Neto. Como ACM, o avô, não está mais entre nós, vai aí um conselho de camarada para o soberano: evite centro espírita, terreiro de candomblé ou coisa que o valha. É capaz de o velho baixar e o resultado é imprevisível. Confira mais notícias dos bastidores da política nas Curtas do Poder!

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Com a candidatura anunciada oficialmente quatro meses após a divulgação do nome petista para a concorrência à sucessão ao governo do Estado, o escolhido da “união das oposições”, o ex-governador Paulo Souto (DEM), considera “legítimas” as aspirações do ex-prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB), e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) a encabeçar a chapa majoritária e acredita que o gestor de Salvador, ACM Neto (DEM), foi “um grande árbitro” na condução do processo de escolha. “Dificilmente se poderia desejar algo mais forte, mais robusto para disputar uma eleição: uma chapa que está reunindo os três maiores partidos da oposição”, defendeu, em entrevista ao Bahia Notícias. Souto nega haver um acordo tácito para que, caso seja eleito, não dispute a reeleição a fim de que Neto seja lançado ao cargo em 2018, embora admita a possibilidade de abrir caminho para o correligionário, a depender da avaliação futura do governo democrata.

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Quinta, 23 de Agosto de 2012 - 00:00

São Gonçalo dos Campos: Com farta documentação, empresário acusa prefeito de desvio de verba pública e lavagem de dinheiro

por Evilásio Júnior

O prefeito de São Gonçalo dos Campos, Antônio Dessa Cardozo (PSD), conhecido como “Furão”, candidato à reeleição este ano, é acusado de promover desvio de recursos públicos que seriam destinados ao Município e lavagem de dinheiro, por meio de notas frias emitidas pela empresa Maderval Material de Construção. A denúncia foi feita pelo próprio dono do estabelecimento, Gustavo Fernandes da Fonseca, que visitou a redação do Bahia Notícias munido de farta documentação que comprovaria as infrações, a exemplo de documentos fiscais, talões, comprovantes de depósitos em contas bancárias e de cheques trocados. Segundo o empresário, a fraude aconteceu entre 1º de janeiro de 2009, quando Furão assumiu o comando da cidade, e março deste ano, quando a relação entre os dois foi quebrada. O esquema, de acordo com Fonseca, consistia no envio de materiais de construção da Maderval, que venceu licitação pública, para propriedades do gestor – como as fazendas Inglaterra e Alemanha, a residência no bairro da Pitubinha e o posto de combustíveis –, em nome da prefeitura e das secretarias municipais de Saúde e Educação. “A licitação pública acontece para favorecer ele. Setenta por cento da minha licitação, o material foi fornecido para ele. Trinta por cento para a prefeitura”, relatou Fonseca, em entrevista ao BN. Segundo ele, tudo era assinado e carimbado pela secretária de gabinete do prefeito, Solange Ribeiro Cancio, que chegou a requerer, em 23 de fevereiro de 2011, itens de madeira para a sua própria casa. “Esse material foi entregue na casa dela. Ela mesma deu recebido e assinou”, apontou o empresário. Conforme Fonseca, o pagamento era feito em cheque da administração local, mas, após receber o valor, ele emitia outro cheque de igual valor em nome de pessoas indicadas por Furão. “A prefeitura pagava a empresa, mas as notas que ele pedia eu tirava, repassava o dinheiro para ele e os impostos ele não pagava. Eu emitia a nota fiscal, passava para a prefeitura, ia lá, recebia o cheque e depois emitia um da minha empresa e passava para ele. Entregava em mãos”, narrou.

Entre os recebedores da verba estavam outros fornecedores, como a São Gonçalo Materiais de Construção (R$ 16.998,80 em 4 de novembro de 2009), parentes, como o sobrinho Hélio Pimenta de Oliveira Cardozo (R$ 45 mil em 28 de junho de 2010) e até o seu filho, João Pedro Labriola Cardozo (R$ 27.760 em  4 de agosto de 2010), à época menor de idade. “O negócio é grande. Ele construiu uma pista de vaquejada na fazenda. Calcula-se que ele gastou mais de R$ 300 mil só para fazer corrida de cavalo”, projetou o denunciante. Consta ainda na documentação o pedido de materiais, a próprio punho do prefeito, para o erguimento de cobertura da garagem (R$ 18 mil) e do almoxarifado da prefeitura (R$ 10 mil), bem como para reforma do telhado da sede municipal (R$ 7 mil). “Nem um pau foi botado lá em cima”, contou Gustavo Fonseca, que se diz sido envolvido no suposto golpe pela “amizade” que tinha ao gestor. “Ele frequentava a minha casa, eu frequentava a casa dele, me chamava para jantares e tal e foi indo. Desde que ele tomou posse que eu venho participando das licitações públicas e fornecendo à prefeitura. De repente, quando eu participei da primeira – eu nunca tinha participado de licitação pública –, eu entrei. Além do fornecimento do material, ele começou a solicitar notas. Eu comecei a questionar ele e ele disse: ‘não rapaz, não se preocupe que eu vou pagar os impostos’”, relatou.

Apesar disso, descreve Fonseca, ele começou a brigar com Furão pelo não cumprimento do prometido pagamento da tributação. “Para emitir uma nota fiscal, você tem que dar entrada, tem que ter produto. Eu fornecia a nota, então eu tinha que comprar a mercadoria para dar a entrada e poder dar a saída. E o custo disso aí?”, indagou, ao admitir ter falhado por confiar na palavra do “amigo”. “Ele fez da minha empresa a casa dele. Eu fui um idiota. Ele me iludiu tanto, aproveitou da minha boa vontade e fidelidade a ele, que eu fiquei encurralado. Comecei a me endividar. Hipotequei a minha casa. O banco exigiu que eu transferisse a minha casa para o nome da empresa para liberar financiamento. Eu já estava na mão de agiota”, revelou, ao indicar que até crédito de R$ 1 mil foi solicitado em nome da sua loja, por meio de cupom fiscal para a prefeitura, sem que houvesse posterior quitação. A bola de neve, segundo o empresário, hoje está avaliada em uma dívida de aproximadamente R$ 600 mil e o seu estabelecimento corre o risco de fechar as portas. “Eu estou aqui hoje porque eu fui prejudicado. Estou em uma situação fodida, a palavra é essa. Não ganhei um real com nada. Só fiz me endividar. E se hoje a Receita Federal e a polícia vierem investigar, vão ver que eu só tenho dívida, mais nada. E tenha certeza que se a policia for fazer uma investigação profunda vai encontrar muito mais do que isso”, apostou.

Fonseca ponderou ainda que não teme ser acusado, em um provável inquérito, como parceiro de Furão na irregularidade. “Cabe agora à Justiça julgar, porque eu não tenho nada. Só tenho dívida. A Justiça é quem vai analisar quem está certo e quem está errado. Eu fui enganado. Ele usou da minha ingenuidade. A verdade é essa. Eu quero que a Justiça faça justiça. Somente isso”, clamou. O dono da Maderval relata que, antes de denunciar o caso à imprensa, chegou a procurar o prefeito para acertar as contas, mas ele desdenhou da possibilidade de a negociata ser propagada. “Eu cheguei a ameaçá-lo: ‘Se você não pagar os impostos das minhas notas, e me tirar da merda que você fez comigo, eu vou lhe denunciar’. Ele virou para mim e disse: ‘você é cúmplice, então não te devo nada’”. O empresário é filiado ao PR, mas assegura que não tem motivações políticas ao revelar o episódio em ano eleitoral. Ele nunca postulou cargos públicos nas urnas.

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