Sábado, 30 de Setembro de 2017 - 08:05

Goya Lopes referência criativa da moda afro-brasileira

por Iga Bastianelli

Goya Lopes referência criativa da moda afro-brasileira
Foto: Divulgação

Goya Lopes é uma das pioneiras a trabalhar de maneira criativa com a moda afro-brasileira e com isso se tornou uma referência. Formada em artes plásticas pela UFBA, com especialização em design pela Universitá Internazionale Dell Arte di Firenze, formada em Design de Moda pelo Instituto Brasileiro de Moda, o IBMODA de São Paulo, e com especialização em gestão, mais do que designer de moda ela diz ser uma contadora de história por meio da estamparia.

 

Você lançou recentemente a coleção Águas de Oxalá, fale um pouco.

Lancei a 5ª edição  Águas de Oxalá que homenageia Oxum, temática para o verão 2018. Está, sem modéstia, muito elegante. Uma coleção direcionada para quem gosta e utiliza o branco no branco tão importante na nossa cultura baiana.

 

Como tem sido o processo de inspiração?

A inspiração, ou seja, a minha referência, ela vem muito da matriz africana junto com outros elementos da cultura brasileira, que é vasta. Na minha opinião, essa referência étnica veio para ficar e criar novas possibilidade para novos mercados.

 

Os tecidos que você trabalha são de onde?

São tecidos brasileiros de São Paulo, Blumenau e Salvador.

 

Como se dá o processo criativo?

Se dá pela percepção, algo que me chama a atenção, ou por meio de um sonho, de um livro, de um filme, enfim algo que me toca. Também me inspiro pela observação – fico observando até criar uma sinergia com aquela história, elementos ou reflexão.

E o passo a passo é o seguinte: inicio a pesquisa dos fatos, começo o desenho, a composição, faço a adequação  para o que vai ser utilizado pensando em proporção e possibilidades. Como afrodescendente tive sempre muita curiosidade sobre a história da diáspora africana, tanto que fiz paralelo ao curso de artes  plásticas o curso de história, na Universidade Católica, só que não cheguei a concluir. A verdade é que resolvi  ser uma contadora de história  por meio da estamparia.

 

Quem são seus maiores consumidores/clientes?

Tenho três tipos de clientes: os personas afrodescendentes que buscam uma referência e uma funcionalidade; os personas  que gostam  da cultura e da estética afro-brasileira; os personas que gostam da criatividade, estética e funcionalidade do produto. Enfim todos são muito bem vindos em meu ateliê que fica no Pelourinho.

 

Você acha que as pessoas usam ainda pouco a roupa de influência africana?

Aos poucos, com a quantidade e aprimoramento das marcas que estão chegando  ao mercado, com certeza aumentará o número e a influência no mercado. Ainda existe muita resistência devido à moda afro-brasileira ter uma simbologia da diáspora, não ter uma grande produção, distribuição e mídia positiva.

 

De um modo geral, como vê a moda na Bahia?

Eu acho que nessa crise quem não aproveitar para se reinventar provavelmente se extinguirá. É um momento para aproveitar as várias oportunidades de reflexões com atividades e cursos que nos levem a repensar e nos adequar a um novo mercado. Percebo atualmente a moda como um movimento mais consciente, porém sem grandes passos assim como a moda em todo país.

 

E a moda mudou?

A moda está sempre em eterna mudança já que ela é o retrato do comportamento  da sua época. Mudar faz parte de sua história. No momento em que a moda enfrenta essa crise, ela se reinventa criando novos conceitos e novas possibilidades e se adequando a novos mercados.

 

Ensine, por favor, para nossas leitoras um passo a passo de amarração simples de turbante

Prenda o cabelo em um coque. Coloque o tecido com 2,50m de comprimento por 0,45cm de largura na altura testa, dobrando a extremidade inferior em 1 cm. Depois  posicione por cima da orelha e amarre com um nó para dar mais firmeza ou segurança. Em seguida você terá duas extremidades para cada lado. A ponta da direita e a ponta da esquerda. O lado estampado do tecido fica para cima. Cruze a ponta da direita jogando ela para a esquerda, contornando a cabeça da direita para a esquerda. Prenda na parte detrás da cabeça. O mesmo se repete com a ponta da esquerda para a direita, formando o cilindro aberto em cima, prendendo a ponta na parte posterior e cobrindo o nó. Na parte de cima do cilindro faz um abaulamento fechando o cilindro, fechando toda a cabeça. E está pronto!

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