Elegância e estilo marcam a trajetória da design de interiores e empresária Nágila Andrade

Natural de Vitória da Conquista no Sudoeste baiano, Nágila Andrade ocupa há mais de duas décadas o posto de sócia diretora da Escola Bahiana de Arte e Decoração (Ebade). Tudo começou há 32 anos quando foi fazer um curso livre na própria Ebade. Nesta época estava saindo de um casamento com as 4 filhas pequenas e precisava trabalhar. Logo em seguida, surgiu a oportunidade dela se tornar sócia da escola e tempos depois com o resultado do trabalho que desenvolvia comprou a parte do sócio, que decidiu se engajar em outro projeto. Com vasta experiência, participação em diversas mostras de decoração, Nágila assinou também projetos em diversos eventos nacionais e em quase todas as edições da Casacor Bahia. Não é por menos que acumula prêmios e é a única profissional que conseguiu manter-se por 12 anos entre os 10 melhores na premiação do Núcleo de Decoração da Bahia.  

 

Como tem sido este processo de  aprendizado como empreendedora, empresária?

A gente aprende todo dia. Investir em minha marca na EBADE é falar em Nágila, quanto eu invisto em Ebade eu invisto em mim e vice versa. Casamento que deu certo, peguei a Ebade como escola de curso livre, transformei para curso profissionalizante e depois curso técnico (o que diferencia é a carga horária) o que garante mais credibilidade. Hoje, nosso curso é reconhecido pela Secretaria de Educação como uma profissão. Após dois anos de curso o aluno sai daqui como Design de Interiores e preparado para o mercado de trabalho.

 

Nágila você tem 4 filhas, estudou, trabalhou, empreendeu e continua a frente da direção da escola, como conciliou este papéis?

Durante quatorze anos fui, exclusivamente, mãe. O marido não me deixava trabalhar. Não podia trabalhar para ter retorno financeiro, mas a verdade é que sempre decorei a minha casa e a casa de amigas. Quando o casamento acabou, dei a volta por cima e sempre continuei exercendo meu papel de mãe. Procurei buscar alguma coisa que me realizasse profissionalmente, então entrei como aluna bolsista da Ebade. Comecei a trabalhar com artista plástico Sergio Sampaio que era o dono da Ebade, e então ele me ofereceu a oportunidade de comprar 50 % da escola e depois ele me vendeu os outros 50% .

 

Quais foram suas experiências profissionais, desafios? Do que se orgulha?

Eu me orgulho de tudo, desde quando eu comecei com bolsista na Ebade até onde cheguei hoje, sendo tão respeitada no mercado. Me orgulho de ter enfraquecido a competição entre design de interiores e arquitetos e de ter promovido a integração destas profissões. Era muita rivalidade, mas hoje falamos a mesma língua, trabalhamos juntos, complementamos projetos. Me orgulho de em 2016 termos conseguido regularizar a profissão e de ter a carteirinha de numero 76  – uma das primeiras designs de interiores da Bahia.

 

Você ainda vai à sala de aula, gosta deste momento com os alunos?

Simplesmente amo estes momentos. Porque eu  também aprendo com eles. Estou há trinta anos nesta profissão, então eu me renovo todo semestre, trago coisas novas e é uma forma de me manter atualizada.  Eu só aprendo, é uma troca de energia, não tem nada melhor.

 

Durante todo este tempo qual avaliação você pode fazer da profissão de design de interiores na Bahia? e no Nordeste?

Cresceu muito  é uma profissão, hoje, respeitada uma complementação da arquitetura, veio para ficar. A Ebade é o único técnico profissionalizante em design de interiores  do estado. Tenho alunos de Aracaju, Natal, Recife, todo interior da Bahia entre eles Feira de Santana e Vitória da Conquista.

 

O que mudou na profissão?

Primeiro o respeito pelo profissional mudou, profissional é mais ético, pensa no cliente muito mais que nele, mais atuante, busca mais inovações, tenta ir a Milão, a São Paulo para se atualizar, é mais global e antenado .

Embora a tecnologia esteja muito mais avançada no quesito projeto, antigamente para o desenvolvimento do projeto ficávamos debruçados em prancheta, hoje temos o autocad uma ferramenta maravilhosa, a tecnologia foi muito importante.

 

Muito se fala em decoração como qualidade de vida, porém muitas pessoas abrem mão do profissional de decoração, pois acreditam que seja um serviço muito caro, é verdade?

É verdade, é errado, mas é verdade. Não é uma prestação de serviço cara, é como se fosse o valor de um sofá, mas observe que tem sofás de todos os preços. Mas o design consegue adaptar o orçamento a realidade de cada cliente. É um serviço muito negociável.

 

Como escolher um bom profissional?

Antes as pessoas escolhiam sem nada saber sobre o profissional, era muita indicação e você não conhecia o estilo dele. Hoje temos possibilidades de entender melhor o que cada um pode oferecer, temos a  Casacor onde você pode conferir o estilo de cada profissional, temos diversas mostras de decoração promovidas por lojas, revistas, os profissionais, também, têm sites, enfim é entender o estilo do profissional e perceber se está de acordo com o que você gosta.  

 

A escola já tem mais de 40 anos e quando menos se espera ela ressurge mais renovada e em novo endereço, é preciso recomeçar? O que motivou esta mudança?

Foi uma entrevista de Nizan Guanaes que me provocou, eu estava instalada no Rio Vermelho, quando li em alguma notícia Nizan dizer que na crise se cresce ... então pensei está na hora de crescer, de renovar, decidi sair do Rio Vermelho para reabrir a Ebade nesta casa aqui no Caminho das Árvores, muito próximo da Alameda das Espatódias, endereço consagrado da decoração, em Salvador.

 

Será um novo ciclo? quais expectativas?

A expectativa é sim de um novo ciclo, novos cursos, estamos preparando surpresas, aguardem! E venham nos conhecer é uma escola com cara de casa e iremos te acolher.

 

Qual será a participação da Ebade na Casacor Bahia que começa, em setembro?  

Este ano participo da Casacor como convidada de Luizinha Brandão,  vamos fazer palestras, trazer pessoas de fora voltadas para todos os alunos da Unifacs, Unijorge, Unime e Federal. Será um sucesso!

Histórico de Conteúdo