Quarta, 27 de Dezembro de 2017 - 08:05

Como transformar uma paixão numa oportunidade de negócio

por Clara Gibson

Como transformar uma paixão numa oportunidade de negócio
Foto: NYC Dance Project

A jornalista Juliana Lisboa frequenta aulas de ballet clássico desde os dois anos de idade. Apaixonada por esse universo, comentou certa vez com uma amiga, Mariana Zollinger, sobre a dificuldade de encontrar artigos de dança a preços acessíveis e de boa qualidade em Salvador. Na conversa, as duas brincaram que poderiam dar conta do recado se tivessem uma lojinha. A brincadeira, no entanto, virou realidade poucas semanas depois, elas amadureceram a ideia e fundaram o Ballet das Gêmeas.

 

Funcionando primeiramente só para amigos e depois abrindo para o público geral, a loja existe oficialmente desde abril do ano passado. No início deste ano, no entanto, Mariana teve que abrir mão da loja e a jornalista passou a administrar o negócio sozinha. Ao mesmo tempo, o empreendimento começou a crescer, surgiu então a necessidade de profissionalizar o negócio. “Em termos técnicos, minha principal preocupação foi de tirar o certificado MEI (Micro Empreendedor Individual), que foi bastante rápido”, conta a dona do Ballet das Gêmeas. “Com o CNPJ em mãos comecei a estruturar a loja aos pouquinhos e agora tenho uma engrenagem funcionando”, complementa.

 

Juliana está entre as 70.310 mulheres em Salvador que possuem um micro empreendimento individual. Segundo dados do Portal do Empreendedor, a quantidade representa aproximadamente 48% da categoria na capital baiana e, de acordo com Fernanda Gretz, gerente de atendimento individual do Sebrae, a participação feminina só tende a crescer. “A gente percebe a presença feminina bem constante, até nos atendimentos do Sebrae”, diz a especialista. “Sendo que elas se concentram em três principais segmentos, primeiro o de beleza e estética, o segundo seria moda, e o terceiro mais relacionado a alimentação”, complementa ela.

 

Micro empreendedores individuais são aqueles que possuem apenas uma empresa no mercado, trabalham sozinhos ou com até um funcionário, e têm um lucro anual de até R$60 mil. Esse tipo de categoria não se limita somente a negócios em lojas físicas, abrangendo também o ambiente virtual, como é o caso do Ballet das Gêmeas, que funciona apenas virtualmente. “Isso facilita bastante em certos aspectos porque não preciso me preocupar com aluguel de espaço, funcionários, licenças…”, conta Juliana. “Como a loja é pequena e online, eu tenho total controle de todos os produtos, é algo que eu consigo administrar sozinha e tudo que está à venda é algo que eu usaria como bailarina”, complementa.

 

Como faz parte do público alvo para o qual comercializa, a dona do Ballet das Gêmeas utilizou esse conhecimento para elaborar estratégias a fim de facilitar a vida dos seus clientes. “Fiz questão de adicionar entrega no mesmo dia como opção na loja, enviar pelos Correios e também aceitar pagamento online e presencial em cartões de débito e crédito. Criei promoções especiais e sazonais, como kits infantis para festivais e volta às aulas, tudo com preços competitivos para facilitar a vida das mães e bailarinas, porque sei como é chato ficar correndo de loja em loja para comprar um ou outro artigo”, conta ela.

 

Uma dica que Fernanda considera fundamental para manter o empreendimento funcionando é escutar os clientes. Desse modo, o dono da micro empresa pode buscar dicas importantes de melhorias para o negócio. “Se ele não ouvir o cliente, principalmente aqueles que saíram insatisfeitos, ele tende a perder esses clientes para a concorrência”, diz ela. Também é importante manter-se atualizado quanto ao que está se fazendo no segmento, prestando atenção em qualquer tipo de novidade a fim de se modernizar cada vez mais.

 

Foto: Vitor Villar / Ballet das Gêmeas

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