Leo Santana critica apelação e diz que músicas de 'baixaria' prejudicam imagem do pagode
Foto: Bruno Luiz/ Bahia Notícias

No Carnaval deste ano, foi tarefa difícil encontrar quem não tenha perdido o juízo junto com a Santinha. Um folião que não tenha botado o bumbum no paredão. Alguém que não tenha colocado várias danadinhas no contatinho do pai. Ou a mulher que não tenha cantado para si mesma que “maravilhosa é ela”, ao ouvir os primeiros acordes da canção. E o responsável por este fenômeno atende pelo nome de Leo Santana. Depois de estourar nacionalmente com a música Rebolation, em 2013, ainda como vocalista Parangolé, o cantor tomou uma decisão arriscada: decidiu sair do grupo para tentar uma carreira solo. Pouco mais de dois anos após iniciar a nova empreitada, Leo parece ter tomado a decisão acertada. Neste que é apontado como o melhor momento da carreira, o Gigante lotou seus ensaios de verão este ano, está com uma agenda de shows lotada, levou o título de "Música do Carnaval", com "Santinha", e conseguiu o que a maioria dos cantores almeja: colocar vários sucessos na boca do povo.

Um dos maiores nomes do pagode baiano atualmente, o cantor também conquistou algo que não é muito comum para outros artistas do gênero: fazer com que sua música atinja públicos diversificados. Considerado marginalizado, o ritmo tem dificuldades de romper barreiras geográficas e sociais e, muitas vezes, restringe-se às periferias. E Leo Santana credita esta limitação ao fato de muitos cantores ou grupos terem em seu repertório músicas, para ele, “apelativas”. Na opinião do cantor, estes artistas acabam impedindo que o pagode adentre outros nichos. “Essa coisa de haver uma limitação com o gênero pagode ainda tem, infelizmente. Claro que a gente tem começado a quebrar isso em outras cidades onde outros gêneros são mais fortes. A gente começa a invadir e mostrar que nossa música é boa de estar naquele evento. Então, tudo isso é com o tempo, o povo tem que assimilar o que é nosso movimento. Às vezes, algumas bandas que acabam tocando certos tipos de música de apelação, agredindo a imagem da mulher, isso acaba atingindo a gente também”, criticou em entrevista ao Bahia Notícias, minutos antes de subir ao palco da Feira dos Caxixis, no último domingo (16), em Nazaré das Farinhas, no Recôncavo Baiano.

Leo seguiu lamentando. “A gente que eu digo são bandas de grande porte, como Harmonia, Psirico, o Leo Santana. Então, as bandas que querem seguir outro caminho, o da baixaria, acabam que afetando a gente por ser as maiores bandas do movimento. Mas isso, com o tempo, a gente vai quebrando as barreiras. Espero que essas bandas tenham a gente como exemplo de poder fazer músicas boas e dançantes, não apelar para que sua música toque aqui e ali, mas sim no Brasil inteiro”. 

O cantor também falou sobre o momento que vive atualmente. Para ele, continuar este sucesso não algo que o preocupe. Ele destacou que, ao invés de apenas um hit, como o Rebolation, colocou um “repertório na boca do povo” e trabalha agora para consolidar sua carreira solo. “[Ter um repertório] Isso é muito mais sólido, muito mais bacana do que você acontecer apenas com uma música, o que é muito mais arriscado. Eu creio que o trabalho que estamos fazendo é muito mais de se consolidar do que apenas viver o momento. Claro que tinha acontecer isso para a gente aparecer novamente, agora em carreira solo. Mas foi tudo sem pressa, tudo planejado. Não aconteceu do nada. Viemos planejando isso há um tempo”, destacou, relembrando também que, antes do sucesso atual, viveu momentos delicados após sair do Parangolé. “Eu vivi um ano de carreira solo que não foi muito legal, logo quando eu saí do Parangolé. E, de lá para cá, a gente veio colocando: ‘ah, vai ser desse jeito’, tudo com tempo, com calma, e, agora, tudo está acontecendo da forma que a gente planejou. Isso é tudo do jeito que Deus quer. Devo tudo muito aos fãs. Acho que tudo é no tempo de Deus e esse tempo chegou”, comemorou.

Histórico de Conteúdo