Falcão exalta história da Guig Ghetto e fala da preferência do público por músicas antigas
Foto: Fernando Duarte / Bahia Notícias
Enquanto algumas bandas do pagode baiano entraram no modismo da ostentação, ou do apelo sexual, o grupo Guig Ghetto preferiu manter a sua linha musical, investindo nos arranjos e em letras simples. Para Falcão, vocalista da banda, essa foi uma decisão chave para permanecer no mercado. “A gente nunca saiu do nosso roteiro, não partimos pro lado de denegrir as pessoas, nem usamos letras pesadas. É uma linha muito sustentada, sem ter que seguir as modas que aparecem. Por isso temos quase 15 anos aí. Mas no mercado musical é assim, algumas coisas saturam, umas bandas acabam, outras surgem”, explicou.

Em Salvador, o público tem acompanhado a Guig Ghetto todos os domingos, na festa “Guig lá em casa”, na Ribeira. “O show não tem o glamour dos grandes eventos. Acontece em bairro, no Casarão Colonial, um espaço bonito, pra 1200 pessoas. Tem charminho de bairro, sabe?! E como o palco não é alto, ficamos mais próximos do público. Nós também levamos convidados, nesse domingo (30), tem Vina Calmon, do Cheiro de Amor, e o sertanejo Danniel Vieira. A festa começou em outubro e segue até novembro. Se o negócio ficar bacana, vai se transformar em um ensaio maior”, contou Falcão.

Como exemplo do que tem acontecido em seus shows, o vocalista reconheceu que, atualmente, há uma forte inclinação das pessoas para as músicas do passado. “Temos essa coisa do resgate, e por incrível que pareça, as pessoas querem só isso agora! Ou música antiga de outras pessoas, ou nossa. Fiz uma apresentação, há pouco tempo, cantando as músicas recentes - o sertanejo que está na moda - mas o público pede as antigas. Se não tocarmos, parece que o show não foi completo. O hit ‘Pressão’, por exemplo, fez parte do bom momento do pagode e fica na cabeça das pessoas, por mais que esteja sumida, quando esse movimento volta as pessoas lembram”, relatou.


Foto: Divulgação

Falcão admitiu que considera É O Tchan a maior referência do pagode baiano. “O Tchan é a banda! É o grande expoente, é o que levou todo mundo do pagode fazer o que faz hoje, se não fossem eles, o Terra Samba também... No começo dos anos 90 esses grupos tocavam contra tudo e contra todos. Pois era a banda do bairro que sai do bairro pra fazer show na orla”, disse, destacando que há uma saudade das pessoas por esse tempo. Ele ressaltou que foi importante para a Guig Ghetto resistir e manter-se na essência do pagode. “A fase da ostentação deu uma diminuída. Foi um momento. Não tenho nada contra, porque a gente ostenta só na música, mesmo! Eu levo sempre a frase que um amigo meu, técnico de som, costuma dizer: ‘Menos é mais’. Temos essa simplicidade, porém, no arranjo, a gente dá uma caprichada”.

Ainda investindo na música de trabalho “O Tal do Swing”, Falcão explicou que esse hit foi uma surpresa pra ele. “A gente não trabalhou a música nas rádios, e ela começou a tocar. Quando me atentei, descobri que o grupo “Fit Dance” tinha feito uma coreografia no YouTube e teve milhares de visualizações”. Tal oportunidade fez com que a canção se destacasse, e, para o cantor, apesar de ter sido lançada em 2014, dá pra continuar apostando nela. Por outro lado, para apresentar novidade ao público, o grupo vai divulgar novas melodias no decorrer do verão, duas delas, já estão no repertório dos shows dos domingos: “Merengueira da Guig” e “Aquele Tchan”. 

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