Dadá revela que não possui lucro com a Feijoada e que já teve que tirar do seu bolso


O sorriso frouxo e largo já entrega o prazer que ela sente em tudo o que faz. E alguns minutos de entrevista confirmam: Dadá é mesmo casada com os temperos e eles parecem corresponder à altura, afinal, não existe melhor feijoada em Salvador do que o de Dadá. E não é só de cozinha que a quituteira entende: em matéria de festa, ela dá show. Não é à toa que hoje, o Feijão Vip da Dadá está completando 17 anos de sucesso e tradição e está consolidade como a melhor festa de Salvador que antecede o carnaval. Mas este ano, o público tee uma notícia ruim: a redução de 4.500 para 1.500 convidados na festa mais cobiçada e badalada da cidade. O motivo é Dadá quem explica e para quem estava pensando em pedir uma camisa, é bom tirar o "cavalinho da chuva", pois, desse ano em diante, Dadá garante ser contra a cortesia, até porque, acreditem: ela não lucra um centavo com a festa! Isso é a própria quem diz nesse bate-papo gostoso feito feijão que a quituteira bateu com a Coluna Holofote. Feijão com pimenta, dá para imaginar o sabor, né? É exatamente assim que está a entrevista. Não perca!




"Eu não sinto falta de marido, porque hoje eu estou totalmente casada com meus temperos"

Coluna Holofote: Como começou essa história de Feijão Vip da Dadá?
Dadá:
Feijão Vip da Dadá começou no Alto das Pombas, eu e mais três amigos sentados, batendo papo e tomando todas, NE negona? Porque essas coisas só acontecem “enchendo o pote”. Aí resultado: estávamos eu, Robenílson e Luiz Mendonça ali no Santo Antônio conversando, falando que faltava algo no Carnaval da Bahia. Porque Salvador tem um carnaval maravilhoso, mas ninguém fazia nada de festas antes do carnaval. Aí eu perguntei: “Gente, por que a gente não faz uma lavagem de Dadá aqui?” e aí eu criei a marca logo “Feijão Vip da Dadá”. E nisso, todo mundo foi embora e eu fiquei com a idéia na cabeça e resolvi fazer. Fiz uma propagandazinha, nada nessa proporção que tem hoje, convidei algumas pessoas, arrumei uma bandinha, Rodolfinho, que é meu sócio hoje, sempre ao meu lado, arrumou a banda e a gente fez a festa.



CH: Quem é Rodolfinho?
Dadá:
Rodolfo Tourinho. Ele era cliente da casa, lá do meu restaurante. Então, ele me ajudou muito, conseguiu a banda, eu convidei algumas pessoas e vendi algumas coisinhas para poder pagar a cerveja. Aí eu comprei o feijão e a Frisani, que é cliente da casa, patrocinou as carnes da feijoada, algumas eu comprei, e aí eu fiz a festa para 80 pessoas e aí foi um sucesso. E, negona, uma mídia estourando, porque ninguém tinha noção do que era fazer uma festa, uma feijoada, um domingo antes do carnaval. Então, foi uma festa para 80 pessoas, mas muito formador de opinião, a Caras, tudo.



CH: Quando você começou, imaginou que um dia a festa seria considerada uma das melhores do verão de Salvador?
Dadá:
Não esperava, não esperava... Não esperava de jeito nenhum e eu não esperava também, que a mídia badalasse tanto, NE isso Imagine você estar numa festa e sair na Caras, Istoé, Estadão, a negona Licia Fabio, todos esses na minha primeira feijoada, eu convidei todo mundo. E o que foi que houve? Foi o maior sucesso. Então, eu resolvi fazer o segundo ano e aí foi aumentando de 80 para 200, 300, 400, mil e começou a estourar: 2 mil, 3 mil, estouradíssima e aí eu comecei a profissionalizar mais isso, porque nos anos anteriores era eu sozinha quem cozinhava. Até 1.500 pessoas era Dadá sozinha cozinhando.



CH: Pois é. Hoje o feijão tomou uma dimensão enorme.  Agora, essa tão famosa feijoada só leva o nome de Dadá, ou você mete a mão na massa mesmo?
Dadá:
Eu meto a mão na massa junto com o pessoal. Eu tenho uma equipe maravilhosa que trabalha com a gente há anos e Dadá fica lá 24 horas. Dadá não sai de lá de jeito nenhum. É tanto que eu já estou fazendo toda a produção da feijoada: os feijões já chegaram, eu já saí para fazer pesquisa de preços, que todo ano eu saio para fazer pesquisa de preço das carnes, para ver onde sai mais em conta.



CH: O Feijão Vip da Dadá não tem patrocínio, não?
Dadá:
Eu quero que as pessoas entendam uma coisa: cada dia que passa, o patrocínio está mais difícil. Antes, há muitos anos, eu tinha patrocínio das carnes, a Perdigão já patrocinou a gente, a Sadia, mas agora não tem ninguém patrocinando a gente nas carnes. Eu estou com um parceiro há três anos dando o feijão e o arroz, mas o resto é tudo comprado.



CH: Quantos quilos de feijão e carne você usa para uma feijoada dessas?
Dadá:
Todo ano eu uso 1,5 tonelada. Esse ano que eu vou usar meia tonelada de feijão, porque a gente diminuiu a quantidade de pessoas; e de carne, todo ano, são 3 toneladas e esse ano eu vou usar 1,5 tonelada...Um pouquinho mais, porque eu prefiro sempre que sobre, eu não gosto que falte. Porque a gente tem uma logística que está sempre atenta para repor o feijão, de modo que não falte nada até o final da festa. Temos uma nutricionista também, e cada equipe exerce a sua função. Em cada Buffet daquele, negona, tem 3, 4 pessoas responsáveis por  aquele Buffet.



CH: Quanto você gasta para fazer uma festa dessas?
Dadá:
Com aquela estrutura toda da festa, no ano passado eu gastei R$ 800 mil.



CH: É rentável fazer algo tão farto assim ou o lucro fica em segundo plano?
Dadá:
É uma festa que não tem retorno financeiro algum. Porque as pessoas não têm noção dos custos. Todo mundo acha que dá lucro, mas não dá. Os custos são muito altos. Eu nunca tirei lucro, pelo contrário: no ano passado eu tive que tirar do meu bolso para bancar os caldos, os doces, entendeu?



CH: E você continua fazendo a festa por quê?
Dadá:
Por prazer. Eu digo que é uma doença. É o amor. O que é que eu digo todo dia? Que eu estou casando com os temperos, com meu trabalho. Como eu trabalho com muito prazer, com muito amor, então eu estou realmente casada com meus temperos. Eu não sinto falta de marido, não sinto falta de nada: hoje eu estou totalmente casada com meus temperos, um completa o outro. Meu prazer é esse e ver meus clientes comendo bem, felizes e as minhas filhas: Rafaela e Daniela.



CH: Qual a maior dificuldade encontrada por você para fazer o evento?
Dadá:
A maior dificuldade são os parceiros. Porque se eu tivesse parceiros, eu faria uma feijoada para 7 mil pessoas de novo. Mas a dificuldade maior mesmo é que as pessoas pedem muita camisa. As pessoas acham que a gente ganha muito e que a gente tem a obrigação de dar. É tanto que, esse ano, eu e Rodolfo estamos fazendo o seguinte: a gente não vai dar nada. Só para algum patrocinador, aí a gente vai dar a cota dele e o resto a gente vai ter que vender para, pelo menos, pagar a festa. Esse ano eu estou contra as cortesias. Esse e todos os anos daqui para a frente.



CH: O Feijão Vip sempre atrai muitos famosos de todo o Brasil. Você pretende estender o evento para outras capitais?
Dadá:
Penso. É o meu maior sonho, meu e de Rodolfo, a gente tem vontade de terceirizar a feijoada. A vontade é fazer uma feijoada menor, como essa que a gente está fazendo agora, mas uma coisa tipo o Bonfim Light com aquela estrutura, bandas e servindo feijão, espetinhos, cerveja, guaraná e roska. Então, eu tenho muita vontade de expandir dessa forma.



CH: Como é que funciona a vinda desses artistas para a festa? Vocês é que convidam ou eles se oferecem para vir?
Dadá:
Olha, a maioria dos famosos são todos meus amigos e os que não são foram se agregando, os amigos dos amigos, tipo: eu trago um famoso, como eu trouxe ano passado Fabiana Karla e aí ela trouxe Salsichão (Ataíde Arcoverde) e ele também trouxe um monte de gente e as pessoas sabendo que eles estão aqui, começam a pedir para ir para a festa também.



CH: Mas vocês pagam cachê a estes artistas?
Dadá:
Não pagamos nada. Nunca foi pago, para nenhum artista. Muitos, às vezes, até ligam pedindo e aí, de alguns, a gente até paga a passagem, a hospedagem, mas a gente nunca pagou cachê. Pelo contrário, é um carinho imenso que eles têm pela gente há anos e quando a gente não dá a passagem, eles mesmos pagam a passagem para poder vir.



CH: Você gostaria de fazer algo mais voltado para a massa, porque a gente sabe que o Feijão Vip é mais direcionado para a elite?
Dadá:
Não. Não é direcionado só para a elite, não. Tem gente ali humilde, que junta o dinheiro para comprar e ir para o Feijão Vip da Dadá, tem muitos que me pedem e eu dou para que eles tenham o prazer de estar numa festa como essa, então, nessa festa existe a elite, mas é uma elite que se mistura.




Este ano eu devo aparecer com uma roupa africana ou jogando futebol



CH: Agora o Feijão Vip está mais concorrido que nunca, já que você reduziu o número de convidados. Por que essa redução?
Dadá:
Por causa do patrocínio. Eu não posso fazer algo grande sem ter parceiros. Esse ano dos parceiros da gente, só ficou o Bradesco, que é um antigo parceiro da feijoada e a Mastercard, que está conosco desde o primeiro Feijão Vip, ou seja 17 anos e o Bradesco está conosco tem seis anos. Sem eles seria impossível a realização dessa festa que tem um custo muito alto de produção. Mesmo assim, este ano, a Mastercard está dando um apoio, mas não pode ser parceiro total, como era todos os anos, porque tem a Copa do Mundo esse ano e o Brasil está patrocinando também. É uma chance de se mostrar ao mundo, né? Não é à toa que eu também vou homenagear a África e a Copa. O tema da festa da gente este ano é esse.



CH: Pois então, eu quero saber... Qual será o figurino de Dadá este ano?
Dadá:
Eu acho que de roupa africana, na certa. Ou então, jogando bola! (risos). Isso é a minha cara!



CH: E vocês estão preparando alguma surpresa especial para o dia da festa?
Dadá: Menina, eu não sei. Porque esse erê esconde muita coisa de mim. Eu escondo dele a comida e ele esconde de mim as coisas bacanas que ele pode fazer. Mas todo ano é uma grande surpresa, a entrada da Dadá é sempre uma surpresa muito grande, então, vamos aguardar.



CH: Agora, com essa redução, o público pode esperar alguma mudança a mais?
Dadá:
Não, não. Continua o mesmo conforto, a mesma fartura. Pelo contrário: a gente não quer tirar nada. A gente continua com o mesmo padrão de festa.
 



Por Fernanda Figueiredo



Terça-Feira, 02.02.2010

 


 

 



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