

Ele foi uma das atrações mais esperadas e aclamadas da 11ª edição do Muquifest, que aconteceu em 20 de setembro de 2009. Apesar de não recorrer mais a exposição do seu corpo, Xanddy mostrou porque continua sendo aquele de outrora, que arrasta uma multidão. Nesta entrevista concedida à Coluna Holofote logo após o show no Muquifest, o cantor do Harmonia do Samba contou as novidades para o carnaval 2010 à frente do bloco As Muquiranas e rebateu as críticas sobre a perda do seu rebolado. Para Xanddy, quem diz isso ainda não foi conferir os seus shows e ele também diz não ligar para isso, afinal, a resposta que ele quer vem do público e ele tem tido uma resposta positiva. E é claro que a coluna mais apimentada da Bahia não deixou de perguntar sobre a nova moda do momento: o hit “Todo Enfiado”. Xanddy tentou se esquivar, mas deixou bem subentendido que é contra essa canção e sua coreografia e que faz questão de resguardar seus filhos dessas coisas. Confira!

"Se Xanddy não é mais aquele, o povo não estaria aí em peso. O que importa para mim é isso"
Coluna Holofote: Qual a sensação de estar tocando no Muquifest, que é uma festa do bloco As Muquiranas e que você será uma das atrações do bloco no carnaval?
Xanddy: Sempre muito bom. E eu posso falar com certa propriedade do Muquifest, das Muquiranas pelo tempo que a gente já toca junto com eles e é um público quente, maravilhoso e a gente já entende o que é que eles querem, então, a gente já prepara um repertório para eles mesmo e dá no que deu: a galera curtiu, cantou, dançou, esperneou, pra cima, pra baixo e um abraço.
CH: Agora dizem que Xanddy não é mais aquele, que perdeu o seu rebolado e hoje já não dança mais como antes, só canta. O que você tem a dizer sobre isso?
Xanddy: Eu não tenho nada a dizer. Eu acho que as pessoas têm que ir nos meus shows e conferir, né? Porque eu acredito que, se Xanddy não é mais aquele, se não faz e acontece, não aconteceria o que acabou de acontecer agora. O carinho do povo é o que importa para mim, independente de qualquer coisa e o povo estava em peso aí e isso para mim, já responde tudo.
CH: Você gravou um álbum só de músicas românticas e tem executado-as bastante em seus shows. Seria o início de uma carreira voltada para o pagode romântico?
Xanddy: Não. Esse projeto é um projeto especial, que nós já tínhamos o desejo de fazer há alguns anos e esse ano foi um ano oportuno porque era o número 10, o CD 10 do Harmonia e nós selecionamos músicas de cada CD, colocamos num único projeto, gravamos e foi um grande sucesso. Inclusive, está sendo indicado ao Grammy Latino e a gente está muito feliz com a repercussão e o resultado.
CH: Mas então, você vai continuar com o pagodão?
Xanddy: Claro. E agora em outubro, a gente estará em estúdio para gravar um CD cheio de pagode, só quebradeira, que eu acredito que entre novembro, comecinho de dezembro já estará nas lojas e a galera vai poder curtir. Esse projeto romântico foi único.
CH: Então, nada de Harmonia Romântico parte II?
Xanddy: Pode acontecer o Harmonia Romântico 2, sim. Mas só daqui a um tempo. Esse ano, a gente quer lançar um para a galera quebrar bastante.
CH: Mas o que Xanddy prefere cantar mais: pagode quebradeira ou pagode romântico?
Xanddy: Eu prefiro cantar tudo. Xanddy adora música, Xanddy adora cantar Black music; Xanddy adora cantar pagode romântico; Xanddy adora cantar samba de roda, aquele de raiz, vindo lá do Recôncavo Baiano, de Cachoeira, Santo Amaro; Xanddy adora cantar o pagodão da Bahia, quebradeira e a gente está sempre atualizando nosso repertório. Eu gosto é de música. A gente toca lambada no carnaval, nós já gravamos um repente nordestino, nós somos assim. Você viu nesse show que nós versionamos o sertanejo “Chora, me liga” para o pagode, então é isso.
CH: Xanddy, você deve estar acompanhando a repercussão que o hit “Todo Enfiado” vem tendo no Brasil com a história da demissão da professora. Para você, isso é prejudicial para o pagode baiano, essas letras e coreografias mais eróticas?
Xanddy: Olha, eu acho que cada qual tem o seu trabalho e cada qual está tentando se destacar da melhor forma. Uns tentam alcançar isso com música, agradando ao povo de uma forma diferente e outros com a questão visual. Mas isso é uma questão muito particular. Eu acho que a gente, para dar a nossa opinião, é muito complicado, porque, se o público gosta e os veículos de comunicação dão notoriedade, a gente não pode falar nada. A gente tem a nossa opinião particular e a minha, eu prefiro resguardar. Mas eu acho que tudo que agride ou que pode causar uma degradação na família e, principalmente nas crianças, eu acho que isso é perigoso e eu acho que é nesse ponto que todo mundo tem que observar.
CH: Você permitiria que seus filhos dançassem esse hit?
Xanddy: Pois é. Eu sou pai e eu procuro resguardar os meus filhos, porque eu acho que isso, para as crianças, não é legal, então, eu procuro resguardar os meus filhos de tudo isso que está acontecendo.
CH: Você não gosta do “Todo Enfiado”, então?
Xanddy: Olha, eu não discrimino, eu não sou preconceituoso. Se está aí é porque o público gosta, o público exalta e é isso aí.
CH: Mas e para a imagem da mulher, especialmente da baiana, você acredita que esse hit, acompanhado da coreografia acaba denegrindo essa imagem?
Xanddy: É o que eu estou falando. Isso é muito particular e a minha opinião, eu prefiro não expressar nesse sentido, porque é muito particular e todos têm o livre arbítrio de fazer o que querem, né? Então, cada qual sabe o que é melhor para si.
CH: E carnaval? Você pode adiantar alguma surpresa que está preparando para o folião do Bloco As Muquiranas?
Xanddy: O que a gente se concentra mesmo para fazer um bom carnaval, é com a questão visual. A gente tem essa preocupação visual? Temos. A gente sempre pensa em nosso tema e em como a gente vai desenvolver isso até o carnaval. Mas o fator principal mesmo está no repertório. Porque o povo, principalmente no trio elétrico, que o povo, muitas vezes não está nem prestando atenção ao trio, olham para o trio, o trio passa, está lindo, mas o povo quer é dançar até o dia clarear, até chegar em Ondina, felizes, com a sensação de “valeu à pena”. Então, é nesse sentido que a gente quer surpreender nosso folião. Estamos preparando um repertório super bacana e com inovações, como no ano passado, que a gente entrou na avenida com um pout-pourri de lambada.
Por Fernanda Figueiredo

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