Seu Maxixe acredita que veio para ficar e diz que jargões não são imitação de outros grupos


O Fenômeno do sertanejo baiano. É assim que vem sendo chamada a Banda Seu Maxixe pela imprensa e público em geral. Com apenas um ano, os meninos da banda já despontam como uma febre na cidade e é difícil encontrar quem não já tenha suas canções na ponta da língua. Puro modismo? Para a rapaziada, não. Nesta entrevista, a banda Seu Maxixe explica que eles tocam com verdade e que o sertanejo é o som que eles gostam, por isso, com modismo ou não, eles acreditam que vão ser a primeira banda de sertanejo da Bahia a emplacar. A Holofote quis saber também, de onde vem o nome Seu Maxixe e a resposta foi muito simples. Saiba também porque eles não tocam axé, nem pagode durante suas apresentações e veja de onde vem os jargões, como "whisky pro povo, garçom", que a banda usa nos shows. A entrevista foi concedida por Fabrício, um dos idealizadores e sócios da banda. Confira!



"Seu Maxixe não é só para a Classe A. É para quem gosta de sertanejo"

Coluna Holofote: Como é que surgiu a Banda Seu Maxixe?
Seu Maxixe:
Olha, a banda existe há um ano, um ano e dois meses, por aí. Ela é bem novinha. Nós já começamos como Seu Maxixe. Eu e Berguinho somos amigos há muito, muito tempo. A gente tocou juntos numa banda chamada “Perfume de Mulher” só que, quando a banda acabou, ele foi fazer umas coisas, eu fui morar em São Paulo, depois Aracaju e quando eu voltei, eu já não trabalhava mais com isso, eu estava na área de publicidade só que eu tinha vontade de voltar a tocar com ele. Aí, a gente montou o Seu Maxixe.



CH: E de onde vem esse nome?
Seu Maxixe:
É porque o nome do meu pai é Fernando Luiz Maxixe dos Santos e Maxixe é sobrenome mesmo e uma vez, na casa de Berguinho, a gente queria colocar um nome no projeto e eu pensei em “Seu Maxixe”, porque eu chamo meu pai assim. Berguinho adorou e ficou Seu Maxixe.



CH: Quando vocês começaram, a banda já tocava sertanejo?
Seu Maxixe:
Olha, para fazer uma coisa mais rápida, a gente começou fazendo forró pé de serra. Porque a gente tinha sanfona e quando a gente coloca sanfona no meio, a primeira coisa que vem à cabeça é forró. Então, a gente começou fazendo forró pé de serra, mas isso não durou nem um mês, eu acho.



CH: Por que mudou de forró para sertanejo? O sertanejo é mais rentável?
Seu Maxixe:
Não, não foi nem o lance da grana, porque a gente fazia o som só para matar a saudade e tocar juntos, entende? Então, qualquer som que a gente quisesse fazer, a gente ia fazer. Pagode, rock, sei lá. O que a gente queria era tocar junto, independente do estilo. Só que as composições da gente eram muito românticas, são muito românticas. O jeito como Berguinho interpreta, a altura, a extensão de voz de Berguinho, tudo pedia uma coisa que não fosse só pé de serra.



CH: Mas como veio o sertanejo?
Seu Maxixe:
Porque em todo show que a gente fazia, a gente tinha um momento acústico. Então, a gente tocava Limão com Mel, Zezé Di Camargo e Luciano, muita coisa de sertanejo. A gente queria tocar apenas duas músicas, mas o povo acabava pedindo mais e chegou no finalzinho da época que a gente tocava forró que metade do show já era essa coisa acústica, sertaneja. Então, a gente resolveu mudar.



CH: Uma banda tão recente e que já vem sendo chamada de fenômeno. A que vocês creditam todo esse sucesso?
Seu Maxixe:
Sucesso é difícil falar. Eu não acredito no sucesso, eu acredito no trabalho que está sendo feito e assim, não tem fórmula. Eu acho que o erro das pessoas é acreditarem numa fórmula feita. Música não é bolo. Nem bolo a gente consegue fazer uma receita certinha, ninguém faz um bolo igual. Então, eu acredito que o segredo, primeiro – e isso é uma coisa que eu e Berguinho defendemos muito – é a verdade. Faça seu som a sua verdade. Independente de qualquer coisa que você faça, faça com verdade. Porque não adianta você fazer uma coisa só para ganhar dinheiro, porque o dinheiro é uma consequência que, se você fizer seu trabalho com amor, vai vir de uma forma que você nem vai ver. De repente, começa a entrar o dinheiro.



CH: É isso que está acontecendo com Seu Maxixe?
Seu Maxixe:
É, a gente está começando a ficar menos apertado. (risos)



CH: Vocês acreditam que vocês serão a primeira banda sertaneja da Bahia a emplacar?
Seu Maxixe:
Tomara. Na verdade, o que é que a gente quer? A gente quer tocar, nós queremos sair da Bahia, ganhar o Nordeste ou então descer, já tem umas coisas para a gente fazer em Minas Gerais e a nossa preocupação é que o povo escute a nossa música, que a galera conheça o som que a gente faz, essa é a preocupação. Se a gente der essa sorte de ser a primeira banda de sertanejo daqui que estourou, vai ser bom. Mas o que a gente quer mesmo é trabalhar.



CH: Na opinião de vocês, por que nenhuma banda de sertanejo da Bahia conseguiu emplacar?
Seu Maxixe:
É difícil falar pelos outros, mas eu acho que faltou perseverança, faltou acreditar no som que se está fazendo, porque é muito difícil. Pode parecer que, em um ano, que é o tempo da banda Seu Maxixe, a gente já está estourado, então, foi muito fácil. Mas é preciso olhar para trás, porque todo mundo da banda já tem, no mínimo, 10 anos de música.



CH: Vocês acreditam que o sertanejo conseguirá entrar na briga por um espaço com o axé e o pagode, que são os ritmos que dominam Salvador?
Seu Maxixe:
Olha, graças a Deus, em Salvador tem muita coisa boa. Se você quiser alguém de raggae bom, você encontra; se quiser ouvir forró tem Adelmário Coelho e muita galera boa; se quiser ouvir rock, Pitty saiu daqui. Então, graças a Deus, Salvador tem muita coisa boa. Então, eu acho que é isso. Assim, se o carro-chefe da Bahia é o axé e o pagode, massa, mas tem espaço para outros ritmos também. A gente mesmo tem tocado três, quatro vezes na semana tanto em Salvador quanto no interior e o povo de Salvador adora o sertanejo. A reação das pessoas em nossos shows é incrível.



CH: Mas vocês não acham que isso é uma questão de modismo, não?
Seu Maxixe:
Assim, tudo tem o “boom” da moda. Tipo assim, teve o “boom” de pagode romântico há um tempo atrás e ficaram as coisas boas, as melhores ficaram. Então, eu acredito que o modismo ajuda. Eu acho que o modismo ajudou a gente a vender o som que é a verdade da gente e se a gente continuar tocando com verdade, buscando ter mais qualidade, procurando ter carinho com as pessoas que contratam e que vão ao nosso show eu acredito que, se passar esse “boom”, a gente vai continuar.



CH: Por que vocês não tocam os ritmos predominantes da cidade em seus shows?
Seu Maxixe:
De novo, respeitando todo mundo. Mas eu acho que cada um sabe o que quer e voltando a dizer aquele lance da verdade, eu acho que você tem que fazer o seu som, porque eu acho que misturar os ritmos acaba confundindo a cabeça das pessoas. Eu acho que o importante é você fazer a sua música. Hoje em nossos shows a gente toca quatro músicas nossas e ainda achamos pouco, tem que tocar mais. Porque é muito bom tocar música dos outros, mas todo mundo toca música dos outros. E eu acho que uma banda precisa ter a sua identidade.



CH: Vocês têm feito shows aqui em Salvador em casas que atendem a um público classe A. A Banda Seu Maxixe é só para a elite?
Seu Maxixe:
Não, não, não. Seu Maxixe é para quem gosta de música sertaneja. Ou melhor, Seu Maxixe é para quem gosta de falar e ouvir de amor. Por coincidência e pelos caminhos de conhecimento, a gente acabou entrando nesses lugares. Mas assim, no interior a gente toca para o povão mesmo, na praça; a gente vai tocar no Forró do Pida também, que vai ser massa e é voltado para uma galera mais povão mesmo e, para mim, é o público mais fiel assim...




"A gente está preparando uma surpresa para o carnaval"



CH: E vocês sentem que esse público mais popular aceitam vocês numa boa?
Seu Maxixe:
Demais. Principalmente os nossos bordões. Quando a gente toca no interior, se não falarmos “ô, gente”; “whisky pro povo, garçom”; “ô inferno pra ter cão”, as pessoas pedem, porque elas já se acostumaram, já está na boca do povo.



CH: Foi bom você tocar nesse ponto dos bordões. Tem uma dupla de Pernambuco, por exemplo, que fala esse “whisky pro povo, garçom”. Quem imitou quem?
Seu Maxixe:
Não, não é imitar. Na verdade, com esse lance de CD piratinha dos shows, todo mundo está buscando alguma coisa de alguém. Ontem mesmo eu estava conversando com o pessoal do Cavaleiros, porque eu ouvi um piratinha do Cavaleiros e ouvi Ramon falando “ô, gente”, aí eu liguei para ele e brinquei dizendo que ele tinha roubado o “ô, gente” da gente. Aí, ele disse “não, rapaz, do lado de cá ninguém ouviu ainda”, então, tem muito isso. Mas ninguém faz com maldade. Ouve, acha engraçado, gosta e resolve colocar no show.



CH: Qual a inspiração do Seu Maxixe?
Seu Maxixe:
Assim, somos sete cabeças e todo mundo tem suas influências e, graças a Deus, todo mundo é muito plural. Edu e Maraial é uma referência. Até a música “HD”, que é uma música nossa de trabalho foi um presente deles para a gente. Só que Edu e Maraial, a diferença deles para a gente é que eles puxam muito para o lado do brega, que aqui a gente chama de arrocha. E a gente não. A gente faz o sertanejo mesmo, uma batida mais pop, é bem diferente. Porque uma coisa que a gente odeio, odeia mesmo é ponga. A gente chama de “banda ponga” e “banda cola”. Tipo, “Fabrício vamos ver essa banda, que ela parece com não sei quem”, e eu não curto isso, sinceramente. E o que eu gosto da gente é que não tem isso. “Ah, Seu Maxixe parece com não sei quem”. Voltando a história da influência, Roupa Nova também tem uma influência gigante na gente.



CH: E de onde vem a relação de vocês com o cantor sertanejo Leonardo?
Seu Maxixe:
Assim, antes do São João, o mesmo empresário, daqui do Nordeste, de Leonardo começou a vender nossos shows e nosso CD, nessas gostosas coincidências da vida, chegou às mãos de Leonardo e ele adorou, se divertiu pra caramba, quis conhecer, quis saber o que era, principalmente quando soube que era daqui de Salvador. Aí surgiu essa parceria e a gente fez um show juntos aqui na Madrre, a gente rodou alguns shows com ele aqui na Bahia, mas a gente não conseguiu rodar tanto o Nordeste porque a agenda acabou chocando, mas ele é um cara... Só de Leonardo, que é um dos tops da música sertaneja vir o CD e dizer “Poxa, que som massa!”, isso já foi... Se ele não viesse para o show da gente, já teria valido demais.



CH: Qual o próximo passo da Banda Seu Maxixe?
Seu Maxixe:
Em janeiro, a gente gravou um DVD promocional que a gente vai lançar agora, no meio de setembro. Esse CD que o povo já tem é o áudio do DVD. A gente ia lançar agora, mas com essa correria do show de Zezé, a Vaquejada de Serrinha, a gente resolveu esperar e vamos lançar depois da Vaquejada. Vai ser um evento, que não vai ser um show, a gente está bolando uma coisa bacana e até o final do ano a gente vai lançar um CD de carreira mesmo, com músicas inéditas, músicas nossas, dos parceiros nossos e tem o projeto desse CD de inéditas ser uma coisa ao vivo e a gente gravar o DVD dele também na Boate Madrre.



CH: Qual a ideia da Banda Seu Maxixe para se manter no verão?
Seu Maxixe:
Assim, desde o verão passado que a gente fez muita coisa. E para esse verão tem muitas surpresas. Vai voltar nossos ensaios de verão, que vai ser na Madrre, que eu acho que vai ser às sextas-feiras; tem o Forró de Verão, que vai ser a gente, Adelmário e Forrozão lá na AABB. Então, para o verão, graças a Deus, aqui em Salvador e fora, a gente não vai parar não. E tem uma surpresa que a gente está preparando para o carnaval, mas eu não posso falar mais de jeito nenhum. Aguardem!



Por Fernanda Figueiredo

 



Terça-Feira, 25.08.2009

 


 

 



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