Empresário critica o axé e diz que já se arrependeu de ter contratado um artista


Um dos empresários de destaque do mercado de entretenimento, Wagner Miau, falou como iniciou sua carreira nesse ramo, as dificuldades encontradas e também o lado positivo desse nicho. Miau, como é conhecido no meio, também explicou qual o melhor público de se trabalhar e, em primeira mão ao site Bahia Notícias, revelou as novidades de sua produtora, a "Sou Praieiro Produções", para o verão de Salvador. E não tem nada a ver com axé. E por falar em axé, o empresário soltou o verbo e declarou que o axé já não atrai mais o grande público em Salvador. Confira todos os detalhes dessa entrevista apimentada! 


"Eu prefiro trabalhar com o povo, porque o público popular não pede cortesia"



Coluna Holofote: Você já foi cantor. Como e por que resolveu abandonar a carreira artística?
Wagner Miau:
Olha, na verdade, eu nunca fui cantor. Eu tinha uma banda na época da escola, mas era por pura diversão, eu não tinha a pretensão de seguir carreira.



CH: Como surgiu a ideia de ser um empresário de entretenimento?
WM:
Na verdade, a minha iniciação no ramo de eventos começou no Cheiro de Amor, pois fui comissãrio do Cheiro, como 80% dos produtores hoje, que começaram na 'escola' com Windson e Bruno Melo. Nas festas “Cheiro Splash Espuma" e "Cheiro e Paralamas" eu trabalhava. Então, tudo começou naquela época.



CH: E quando você resolveu que era hora de montar a sua própria empresa?
WM:
Antes de eu montar a minha própria empresa eu trabalhei na Dinamus Eventos, com Guto (Gustavo Alves). Eu coordenava seus eventos em Parques de Exposição no interior do Estado. Mas aquilo estava pouco para mim e, aos poucos, fui enxergando isso e resolvi buscar mais.



CH: Como foi isso?
WM:
Raimundinho, que é meu sócio, tinha uma empresa de eventos e nos unimos e montamos a “Sou Praieiro Produções”.



CH: Com quais produtos/clientes vocês trabalham?
WM:
Nosso carro-chefe é o Forró da AABB. Na verdade, o Forró da AABB é um projeto que acontece há 17 anos e estamos há dois à frente do evento. É um projeto que temos um carinho enorme, e tratamos com bastante cuidado, cada vez mais buscando aperfeiçoá-lo. O São João mal acabou e já estamos trabalhando para, em 2010, fazer um forró ainda melhor. Para isso, estamos estudando o mercado, já que sempre procuramos entender o que os nossos clientes querem, porque o mercado muda e as pessoas vão adquirindo novos hábitos. Portanto, estamos sempre trabalhando em conjunto com as pesquisas para melhorar o serviço e, consequentemente, atender nosso público de forma melhor.



CH: Vocês estão empresariando a Banda Forrozão. Além de promover eventos, vocês empresariam bandas?
WM:
Não. Até então, só empresariamos a Banda Forrozão, um grupo de forró da Bahia que está no mercado há apenas dois anos, mas posso afirmar que já está consolidada. O segundo São João da banda foi excelente, mesmo com toda a crise que sabemos que o período junino enfrentou com falta de verbas das Prefeituras. Mas, apesar de tudo isso, conseguimos crescer, não tanto em cachê, mas, sim, em número de apresentações e conseguimos estar na grade das principais praças das cidades. O que prova o crescimento e amadurecimento da banda, hoje conhecida em quase toda a Bahia.



CH: E vocês têm a intenção de expandir essa questão de empresariar bandas?
WM:
Temos, sim. Hoje sabemos o quanto é difícil esse ramo de evento, porque é o risco é muito alto. Portanto, consegue-se uma estabilidade maior com bandas.  Por isso estamos sempre indo às festas, escutando as bandas, buscando novas idéias para trazer uma estabilidade dentro da empresa.



CH: Como é que vem a ideia de bolar determinado evento?
WM:
É muito de tendência do mercado. Sentir do que o mercado está precisando. Cito como exemplo a Festa Ploc. Na época, estava em alta essa coisa dos anos 80, o Orkut vinha com muitas comunidades voltadas para essa época, então, os produtores enxergaram essa necessidade e montaram a festa, que foi um sucesso.



CH: Como você enxerga o mercado de entretenimento atualmente?
WM:
Não tenha dúvida que já foi melhor. Há 10 anos você apenas precisava ter a atração. Você colocava Cheiro de Amor e Paralamas e eram 50, 60 mil pessoas no Parque de Exposições. Mas o público cada vez mais fica exigente, querendo algo novo. E aqui na Bahia, sem dúvida alguma, temos os melhores produtores de eventos do Brasil.



CH: Por que você diz isso?
WM:
Porque conseguimos fazer de três a quatro grandes festas num único mês e a festa sempre sai bacana. Então movimentamos bastante o mercado.



CH: Em sua opinião, qual o melhor público para o mercado de entretenimento atualmente?
WM:
Sem sombra de dúvidas o popular.



CH: Por quê?
WM:
Primeiro porque o público popular não pede cortesia, ele compra ingresso; segundo, pois as atrações populares não são sazonais, podemos fazer festa o ano todo que o público consome isso e a rádio toca o tempo todo. É muito mais fácil trabalhar com o público popular.



CH: Mas o serviço oferecido ao público de massa é pensado com o mesmo cuidado que uma festa destinada à elite?
WM:
Com certeza e podemos enxergar isso na própria festa de Wilsinho, o Salvador Fest. Ele proporcionou uma segurança bacana, um serviço de bar legal, e montou uma estrutura boa para esse público. Agora, é um público muito mais fácil de se lidar.



CH: Quais são as principais dificuldades encontradas nesse ramo?
WM:
O que falta no mercado de entretenimento hoje é o vendedor de patrocínio, o patrocinador. Nós não temos. Falta uma empresa especializada em fazer a captação de patrocínios, porque as coisas acontecem meio que em gincana. Lógico que existem as produtoras que conseguem se organizar e fazer um calendário para o ano todo e fazer a coisa organizada - como a Salvador Produções, a 2GB, a Pequena Notável, a NER (que eu acho que hoje é a única que sabe vender bem os seus produtos) – mas, fora isso, faltam empresas especializadas em captar recursos para essas festas, porque é um produto bom e importante.



CH: Existe alguma outra?
WM:
A grande dificuldade também é o custo elevado dos fornecedores. Não conseguimos aumentar o valor do ticket de ingresso, há 4 anos que ele tem o mesmo preço e os impostos, que são sempre muito caros. Eu li uma crônica aqui no Holofote, na Coluna de Luis Ganem, onde ele fala do ECAD. Eu acho que o ECAD tem uma pessoa séria à frente, que é Gabriel, mas acredito que o erro do ECAD foi quando foi concebido lá atrás.



CH: E que erro é esse?
WM:
É a maneira como eles fazem a cobrança desse imposto. Precisa ser repensada. Acredito que deveriam sentar, discutir, chamar os produtores de eventos e repensar a forma como essa cobrança é realizada, pois pesa muito no orçamento de um evento.



CH: Você já contratou algum artista e se arrependeu depois?
WM: 
Lógico que tem bandas que você espera um resultado e dá outro. O mercado de bandas é muito de altos e baixos. Então, tem artistas que pensamos que vão pipocar o evento e acaba não dando o resultado esperado. Teve um que não foi muito bom, mas prefiro não citar nomes.



CH: Como você lida com todas essas barreiras?
WM:
Olha, estou nesse mercado há quatro anos e não paro. Estou na busca incessante de novidades, viajando, conhecendo outros mercados para trazer coisas novas e administrando bem. Não existe outra forma de fazer dar certo.



CH: O que é mais prazeroso em trabalhar com entretenimento?
WM:
Eu fico muito feliz quando vejo as pessoas em minhas festas satisfeitas e curtindo. A "Sou Praieiro" leva entretenimento e diversão às pessoas com responsabilidade. Não existe nada mais prazeroso que ver um evento seu dando certo e as pessoas fazendo questão de estarem ali presentes. Resumindo, o gostoso é,, sem dúvidas, a resposta positiva do público e também dos artistas que participam do evento.



CH: E esse é um mercado rentável?
WM:
Sem dúvidas. É um mercado difícil, competitivo por demais. Mas acredito que a competitividade e concorrência é essencial, pois aí então se melhora cada vez mais. No entanto, é um mercado que está sempre em mutação e em crescimento porque todo mundo gosta de se divertir, né?



CH: Qual o próximo evento da “Sou Praieiro Produções”?
WM:
Vamos fazer agora a Super Chopada de Medicina, que é uma festa já consolidada, afinal, são nove anos de Chopada de Medicina. E essa Chopada foi crescendo aos poucos. Há nove anos essa era uma festa para duas mil pessoas, restrita aos alunos de Medicina. Então, de duas mil pessoas ela passou para quatro, que passou para seis e hoje temos cerca de 30 mil pessoas participando da Chopada de Medicina. Posso afirmar que a festa já faz parte do calendário de Salvador e a cada ano tentamos melhorar mais.



CH: E essa história de cerveja tripla?
WM:
Para gerar motivação no público, temos que inovar e estar sempre pensando em algo novo. A novidade esse ano é a cerveja tripla.



CH: Você pode adiantar alguma novidade, em primeira mão, ao site Bahia Notícias?
WM:
Como um empresário do segmento forró, sentimos a necessidade de que o ritmo esteja mais presente no cotidiano das pessoas e que toque mais durante o ano. Estamos planejando, em meado de outubro para novembro, o “Forró Verão”.




"Não dá para fazer uma festa só de axé hoje. O axé não vende mais"



CH: Como vai ser isso?
WM:
 Criamos um evento com três grandes artistas: Seu Maxixe, Adelmário Coelho, hoje, sem dúvida, o maior nome do forró baiano, e a Banda Forrozão, grupo que vem cada vez mais crescendo e o público se identificando com a banda. Então, viremos nessa contramão. Num período onde vai ter muito ensaio de axé, vamos fazer o “Forró Verão” e deve ser um projeto com, no mínimo, quatro datas.



CH: E convidados?
WM:
A gente vai trazer convidados de axé, inclusive, de forró nacional. E os convidados terão que cantar forró, até porque, a gente sabe que o público forrozeiro aqui em Salvador é muito grande e eles sentem essa falta durante o ano.



CH: Por falar em axé, você acredita que o axé ainda vende, ainda atrai um grande público?
WM:
O axé hoje é um projeto que eu não digo nem mais que é da Bahia. O axé é um projeto nacional, só que na Bahia, há alguns anos, não se tem uma renovação, algo novo. Aqui funciona assim: tem os grandes medalhões, que eu posso citar, como Durval Lélys, Ivete Sangalo, Chiclete com Banana e Claudinha Leitte. Como contratar um artista desse é muito caro, as próprias produtoras que acabam fazendo o evento. Então, para você ter uma festa somente de axé em Salvador, é muito complicado. Ou você faz com os grandes artistas do meio ou não vai ter um grande público. Portanto, acho que o axé já não vende mais. Só fica a Trivela.



CH: Qual é a banda que, em sua opinião, é certeza de casa cheia em Salvador?
WM:
Hoje, Parangolé. O Parangolé é um trabalho muito bem feito por Marcelo Brito e Wilsinho Kraychete e hoje pode-se dizer que é a grande revelação da música baiana. É uma banda que vai ter uma projeção nacional, sem dúvida alguma. De ritmos populares, eu acho que é a banda que dá mais resultados.



CH: E no axé? Você vê alguma revelação?
WM:
Não vejo nenhuma revelação no axé. Eu vejo um aperfeiçoamento, cada dia mais, na carreira de Durval. E acho que o Asa de Águia consegue se renovar ano após ano e a Trivela, com 3 horas só de Asa de Águia é uma prova disso. E onde o Asa toca, esgotam os ingressos. Então, o grande nome do axé é o Asa de Águia.

Por Fernanda Figueiredo



Segunda-Feira, 27.07.2009

 


 

 



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