Anselmo Costa insinua que rádios copiam a Piatã FM e faz analogia com Ivete Sangalo


Comunicador nato, ele começou a vida no rádio aos quinze anos e, de lá para cá, não parou mais, passando por rádios respeitadas e fazendo morada na Piatã FM, a rádio líder em audiência. Portanto, ninguém melhor para falar sobre a situação das rádios da Bahia no cenário atual, bem como, da cena musical baiana. E ele fala. Nesta entrevista, Anselmo criticou as rádios baianas e disse que muitas tentam copiar a Piatã FM. E se você acha que a Piatã tem algum ponto a ser melhorado, o comunicador defende a rádio para a qual trabalha sem receio ou modéstia: "A Piatã FM já está no topo". Indo ainda mais longe, Anselmo compara Ivete à Piatã FM. Leia a entrevista, na íntegra.


"Rádio é uma paixão que eu sinto, corre na veia"



Coluna Holofote: Quando você começou em rádio?
Anselmo Costa:
Quando eu tinha uns treze anos, eu me confundia entre estudar e ouvir rádio. E aí, graças a Deus eu tive o prazer de entrar no rádio bem cedo, eu entrei com quinze anos no rádio, como menor aprendiz e com três anos de história, onde passei pela “Musical FM” em Itabuna, “Rádio Cidade” em Ilhéus, eu vim parar na “Itapoan FM”. Então, eu tive a grata satisfação de trabalhar nos anos dourados do rádio, que foram os anos 80. E aí eu fiquei na Itapoan FM de86, quando eu cheguei aqui, até 91.

CH: E como foi trabalhar na Itapoan FM?
AC:
Foi um grande aprendizado. Na época, não existia internet , o FM era a internet daquela época, porque era o grande canal de comunicação, era o entretenimento do jovem.


CH: Você já começou no rádio como locutor?
AC:
Sim. Entrei como operador e locutor. Então, eu operava, mas também, já gravava comercial.


CH: Você fez algum curso de radialista?
AC:
Não. No rádio, eu comecei mesmo por dom, fui jogado na fogueira, mas foi um aprendizado super interessante. No rádio do interior, onde a gente se virava nos 30, tinha que fazer um pouquinho de cada coisa. Aqui na Itapoan também. Então, o sistema Nordeste de Comunicação foi um grande aprendizado para a gente. E de lá pra cá, eu tive um hiato, porque eu saí do rádio, foi quando eu saí da Itapoan FM, em 91, e fiquei até 95 produzindo bandas de axé.


CH: Por que você decidiu voltar para o rádio?
AC:
Eu senti uma necessidade, entendeu? Porque é uma paixão que eu sinto pelo rádio, que corre na veia e eu entendi que eu poderia fazer as duas coisas.


CH: Você que viveu os anos dourados do rádio, como você enxerga, hoje, o mercado de rádio na Bahia?
AC:
Olha, eu acho que hoje, a grande guerra declarada do meio chama-se guerra de conteúdo. Existe aí a internet como concorrente. É a mesma história da televisão e do cinema: eu acho que um não mata o outro, mas a gente tem que reinventar o nosso negócio e o grande lance chama-se conteúdo. Quem tiver um bom conteúdo, quem tiver um bom time de comunicadores – porque não basta ser locutor para anunciar músicas. Hoje, você tem que estar ali com um diferencial.


CH: E hoje, as rádios da Bahia têm isso ou é deficiente nesse sentido?
AC:
Olhe bem, existe já um caminho de segmentação, onde existe uma banda do rádio que tem rádio news, que são rádios de notícias, tem outra banda de rádios que estão procurando essa segmentação, tem as rádios adultas e as rádios populares. A gente tem o caso da Piatã FM, que é um caso de sucesso, a rádio está há 14 anos em primeiro lugar, onde tem muitas rádios copiando a gente e eu acho que o caminho não é esse.


CH: Qual é o caminho? Você tem alguma fórmula?
AC:
Eu vou dar o exemplo aqui de uma rádio que procurou um diferencial, que foi pela contramão e deu certo, que foi a Metrópole FM. Eu cheguei até a parabenizar o próprio Mário Kértsz, como uma caze de sucesso no rádio. A Piatã FM é uma rádio líder por quê? Porque inovou. É uma rádio que tem foco em premiação, é uma rádio que tem uma proximidade muito forte, tem a baianidade na linguagem ficando muito próxima da sua audiência, onde a gente tem até um mote agora, que é “Esse território é nosso”, então, a gente busca se aproximar cada vez mais do ouvinte, a gente quer cada vez mais ser uma rádio presente e democrática.


CH: Você acha que falta algo na Piatã FM para que ela seja tida como “A rádio”?
AC:
Olha, eu acho que a gente já está no topo. Fazendo uma analogia, eu queria falar: a Piatã é uma Ivete Sangalo para o axé. Então, a gente tem que ter muito cuidado com essa embalagem e esse conteúdo nosso para que o concorrente não perceba nos nossos erros e cresça em cima disso aí. Então, esse é o maior cuidado para que a gente não tome tombo, mas ela é uma rádio líder, uma rádio muito bem cuidada, é uma rádio que vai completar 14 anos e a gente sempre se reinventando, sendo humilde para entender que temos falhas e que temos que buscar entender cada vez mais os seres humanos, já que tudo hoje gira em torno deles.


CH: Você se considera um dos responsáveis pelo sucesso da música baiana?
AC:
Eu sou um humilde colaborador, porque eu sou um eterno aprendiz. Eu acho que falando de pessoas que foram importantes nesse movimento, a gente pode citar aqui Cristóvão Rodrigues, Andrezão, Manolo Posada, Josenel, Leleco Júnior, o próprio Jefinho, radialistas que contribuíram e tiveram essa dupla função de não só ser um radialista, mas também ajudar o movimento como produções musicais, trazendo gravadoras... Mas não adianta, o grande sucesso chama-se conteúdo, o artista baiano. O artista baiano não tem preconceito, ele se permite, ele é inventivo, é visionário. Então, o artista baiano é grande sucesso. A gente aqui é mero colaborador.


CH: Quem é seu ídolo no rádio?
AC:
Eu faria um misto desses todos que eu citei agora há pouco, porque eu aprendi com todos aí.


CH: Existe jabá em rádio?
AC:
Falando em Piatã, a Piatã tem acordos operacionais, entendeu? Jabá é quando é uma coisa obscura. A Piatã tem acordos operacionais com a própria empresa, onde a empresa também tem alguns eventos, onde a gente faz um, um... Acordos operacionais, entendeu? Mas lá não existe jabá.


CH: A Piatã FM é a rádio do pagode?
AC:
Ela é muito forte no pagode. Ela, também é do pagode. Porque a gente aqui é obediente e a gente é sábio para compreender o que a nossa pesquisa indica e o que está no sangue do baiano. E o baiano, ele gosta dessa coisa descomprometida como o carnaval e as vezes a gente é muito criticado, mas a gente tem baianos com grandes letra, com grandes canções, mas a gente tem também essa coisa irreverente do pagode, essa coisa sem compromisso, onde a real função é a diversão. Eu só não sou muito a favor quando vai muito para o duplo sentido.

 
CH: Na sua opinião, o axé music está em baixa?
AC:
O axé não está em crise. O que é bom a gente esclarecer é o seguinte: o axé é uma música mais sofisticada, para se montar uma banda de axé o custo é maior, para se promover uma banda de axé é mais caro e por quê? Porque o axé é nacional. Então, houve uma mudança de posicionamento. O axé virou uma música exportada para o Sudeste e no Nordeste o que prevalece chama-se pagode, arrocha e forró. Então, eu acho que o axé perdeu quantativamente, mas ganhou em qualidade.


CH: É verdade que quando um artista estoura no cenário nacional, ele esquece as pessoas que o ajudaram no início da carreira?
AC:
Olha, eu não posso falar disso, porque eu não misturo meu contato profissional com o artista com o contato íntimo de um amigo, então, o que é que acontece? O ser humano é uma figura complexa, então, qualquer ser humano pode ser passível de erro, pode ter um desgaste de relação, então, eu acho que, o que acontece é que, quando o artista cresce, ele passa a ter mais compromisso, ele passa a ter uma visão não-regional e sim nacional, quiçá, internacional, então, ele tem mais compromissos. Eu até incentivo minha equipe a não ficar muito fã na hora do lance profissional. Eu acho que você tem que respeitar o artista, mas não misture a bola, não... A gente não pode entrar nessa viagem, porque senão, a gente vai se frustrar (ver Coluna de Luis Ganem sobre o assunto).


CH: Por que você acha que as micaretas e carnavais fora de época estão acabando?
AC:
Olha, na verdade, elas estão mudando de foco (Para Luis Ganem, elas estão acabando, sim). O modelo mudou e virou indoor. Por que mudou? Porque a gente está falando de um espaço público, da Prefeitura, tem taxação, então, isso estava inviabilizando, para muitos, com essa crise que estamos e todo modelo precisa de um bom resultado. Então, no modelo indoor, você ganha no estacionamento, você tem controle, você tem como explorar melhor essas áreas patrimoniais, entendeu? Então, eu acho que o grande problema foi essa relação do custo benefício, que não fechava a conta.


CH: Como você está vendo o carnaval da Bahia?
AC:
O carnaval da Bahia é um grande acontecimento. Porém, esse ano foi um ano difícil para todos e eu acho que alguns modelos terão que ser reinventados, eu acho que o camarote chegou para ficar, não tem essa coisa de dizer “ah, o camarote é prejudicial ao bloco”. Eu acho que cada um tem que ser competente no que faz. Por exemplo, eu, com 42 anos, eu não tenho mais a mesma vitalidade e a mesma disposição de ir num bloco. Eu preciso de um lugar reservado e eu acho que a gente tem que ter essa coisa do serviço. Se você paga um valor, você tem que ter coisas agregadas que lhe deem prazer, segurança, comodidade, então, eu acho que é importante ter o camarote, é importante ter um bom bloco, é importante você focar no que você quer e buscar um bom resultado. Então, muitos aí vão ter que se reinventar, outros vão sair do mercado, é natural.


CH: O que você acha dessa polêmica acerca do circuito da Barra e o da Avenida?
AC:
Eu acho que os dois percursos são importantes. Gosto muito do carnaval antigo, que é o carnaval da Avenida, mas seu eu fosse sair, eu sairia no da Barra.


CH: Por quê?
AC:
Porque ele é menor, é mais gostoso, ele tem um visual maravilhoso, mas respeito quem gosta muito do Centro. Eu acho que o carnaval é essa bagunça organizada, que no fim, vai dar tudo certo e é um grande produto nosso. Achar que o Fortal, por exemplo, é melhor que o carnaval daqui, é uma visão completamente equivocada, porque o nosso carnaval tem mais de 100 anos, tem muitas agremiações, é um carnaval cultural. Os outros são carnavais comerciais. A diferença é essa. É muito fácil você montar uma cidade nova, outra coisa é você administrar uma cidade antiga.




"Minha pretensão não é frequentar varas, nem usar paletó"

CH: Qual será o futuro do carnaval?
AC:
Fala-se de uma cidade do axé, carnaval indoor e tudo, mas eu acho isso tudo um pouco visionário ainda, eu acho que isso é para o futuro. Mas, na verdade, eu acho que o carnaval tradicional nunca vai acabar. Possa ser que exista um novo negócio, que vai depender muito dos blocos e das atrações.


CH: Você está estudando direito. Você pretende abandonar o rádio para advogar?
AC:
Não. Mas todo o meu conhecimento, toda a minha investida em aperfeiçoar o meu negócio, o meu conhecimento, é mais para respaldar a minha consultoria em produções musicais e também no próprio veículo também. Eu tenho que ter embasamento e a gente tem que se reciclar, né?


CH: Mas você pensa em advogar?
AC:
Eu não tenho essa resposta ainda, mas tudo vai depender, né? O que eu quero, agora, é estar focado no meu negócio. Eu quero entender muito de direito autoral, eu quero saber essas coisas. Minha pretensão não é freqüentar varas, usar paletó, não. Eu quero servir ao meu meio, ao meu negócio, aos meus parceiros, aos meus cliente, porque eu sou apaixonado pelo que eu faço.


Por Fernanda Figueiredo

 



Terça-Feira, 12.05.2009

 


 

 



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O que Priscila Pires perdeu em Salvador?

"Não tenho necessidade de lançar minhas músicas. Amo ser intérprete. Mas não sei compor axé. Já tentei várias vezes e não consigo. Axé é tudo a com a, e com e, refrão imediato. Eu admiro quem consegue. Gosto de cantar música bonita. Adoro axé pelo que essa música consegue fazer com as pessoas."

 
 
Netinho, cantor de axé, que já tentou se aventurar no pop, MPB, e, sem êxito, retornou ao axé, apesar de admitir que não sabe compor para o ritmo do qual ganha a vida atualmente.
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