
Eis que os poderes públicos resolvem tomar uma atitude corretíssima que é interceder no sentido de legalizar e regrar aspectos do carnaval baiano para que, desta maneira, provoque uma discussão. Nela, não só os interessados comercialmente com a festa, mas também a opinião pública e os próprios foliões, poderão se posicionar, pois se deixar só na mão da “velha guarda do Axé”, só vai haver mais e mais locupletações. Aí todo mundo, como de costume desde que esse neo-Carnaval se implantou, vai continuar olhando para seu próprio umbigo e o resto da festa que se vire. E aí, fera, chegou aonde chegou. Crise artística para quase todos e financeira para muitos.
Esses tais que só se reúnem e mostram a tal “força”, quando sentem seus bolsos ameaçados aí sim, com uma imensa sem-vergonhice e cara-de-pau, saem em defesa da integridade do carnaval baiano como se eles fossem preponderantes. Olhe, fera, Deus me perdoe, mas dá é raiva! Que força? Quem manda no carnaval baiano de lá eles é o artista ou a banda. E o verdadeiro e completo carnaval baiano não se resume ao desfile de trios (digo bandas, que vendem pano). É algo maior, como o próprio estatuto, que se preocupa com as outras vertentes, como a saúde publica, direitos e deveres dos envolvidos.
O gelo transportado em péssimas condições de higiene, as barracas que vendem produtos tipo churrasquinhos e hot-dogs sem nenhuma segurança alimentar, os vendedores de queijo e os seus incandescentes braseiros, as baianas com seus tachos cheios de azeite quente. As intermináveis entrevistas de repórter e apresentador puxa-saco de artista, as caixas de som para tal, as ações de marketing duvidosas como os prêmios e troféus de quinta categoria, discos de ouro e platina (há quanto tempo uma banda ou artista de Axé não ganha um, hein?). Tudo em cima do trio atrasando o desfile, cagando para os blocos que vem atrás sem artistas midiáticos. Tudo isso acabou! Parabéns à iniciativa da PMS e da Saltur.
Agora, que existem alguns exageros, como tênis para cordeiros e quantidade de água, isso lá existe. Mas devem ser resolvidos sem bravatas nem muito menos melindres. Afinal, intocável só Deus.
Em uma ordem natural das coisas e também um pouco devido à falta de visão dos empresários, veio a derrocada do modelo de negócio “bloco” para o modelo de negócio “artista ou banda". Assim, se criou profunda dependência e hoje os blocos que fazem sucesso comercial – repito: $UCE$$O comercial - ou têm a banda e o artista como sócio ou o dono de bloco sem banda se sujeita a pagar um cachê altíssimo e se joga ao mar bravo dos riscos. A galera hoje escolhe a banda e não o bloco (diferente das escolas de samba no Rio, por exemplo), a não ser o Xupisco ou As Muquiranas, que a galera encara como uma reunião de pessoas com afinidades.
Esse motivo deixou e deixa o blocos a cada ano mais suscetíveis aos demais custos e, por isso, à chiadeira do Conselho dos Bloc... ops, digo do Carnaval! Aliás, já passou da hora do Conselho apresentar EFETIVAMENTE – não vale factóide como da mudança de percurso na avenida - uma solução para estancar mais um ano de quebradeira e choradeira.
Mas alguma coisa acontece para isso não ocorrer. Ou então está bom demais e não precisa mudar nada. E viva a qualquer estatuo que beneficie ao folião e a democracia do Carnaval!
ILDS
Segunda-Feira, 18.01.2010 às 16:36
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