Quarta, 06 de Dezembro de 2017 - 17:00

Manoel Matos promete 'choque de gestão' e elenco competitivo no Vitória

por Glauber Guerra

Manoel Matos promete 'choque de gestão' e elenco competitivo no Vitória
Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

Ex-vice presidente do Vitória entre março de 2015 e dezembro do ano passado, Manoel Matos é candidato à presidência da agremiação, no pleito marcado para a próxima quarta-feira (13), no Barradão, após a renúncia de Ivã de Almeida. Manoel promete fazer um choque de gestão, caso seja eleito. “Em 2015 não houve choque porque tinha uma gestão enxuta, agora não. Trazer uma empresa para gerenciar não é solução para o Vitória. Trazer um executivo, não é isso. Existiam os cargos lá, não teve mudança em relação a isso. O que vamos fazer é choque de gestão aliado a gastar dinheiro no futebol, com responsabilidade e aprovação do conselho. Tudo que vamos fazer a partir de janeiro será aliado ao conselho, eu não tenho problema de ser obediente”, afirmou.  Manoel Matos também garantiu montar um time competitivo e comentou dos apoios de Paulo Carneiro, Alexi Portela e Adhemar Lemos Júnior.

 

O que te motivou a ser candidato?
O que me motivou foi o amor que eu tenho pelo clube e também a indignação que nós temos com o momento que estamos vivendo atualmente no Vitória. As pessoas hoje que estão tão indignadas como eu têm história no clube, caso do Ademar Lemos, que fez um trabalho específico na época dele, mudando o paradigma que o Vitória não poderia ganhar títulos. Depois nós tivemos o ex-presidente que transformou o Vitória, o Vitória passou a ser uma hegemonia muito grande, conquistou tudo, construiu tudo, no final conseguimos inclusive chegar em uma final de Campeonato Brasileiro. Depois vem uma crise, e essa crise gera também um novo presidente, que volta a fazer uma gestão bastante administrativa e financeira e o futebol começa a dar muitos resultados, inclusive ao ponto da gente quase ganhar pentacampeonato duas vezes seguidas, chegamos novamente em uma final de Campeonato Brasileiro. O clube vem nas últimas décadas passando por grandes situações e quedas políticas por desunião. O grupo entendeu que eu seria o candidato mais adequado em função da minha experiência recente, da minha memória vinda da gestão de futebol.

 

O seu grupo reúne várias pessoas que até pouco tempo atrás marchavam em caminhos diferentes, como Paulo Carneiro, Alexi Portela e Adhemar Lemos Júnior. Como você conseguiu unir todos em torno do seu nome?
Na verdade não era meu nome, era União, era o amor ao clube, e as pessoas se desprenderam de suas ideias pessoais, e eu também faço parte disso, porque as pessoas são diferentes, pensam diferentes. Mas nesse momento a gente está pensando no clube, no amor que eu tenho pelo clube, que Paulo tem pelo clube, que Ademar tem pelo clube, que Alexi tem. A gente não partiu do processo “Manoel é nosso candidato”, não foi assim, a gente foi para unir o clube, tanto que procuramos outros candidatos que pudessem fazer uma união maior, mas não conseguimos. Se eu tenho uma pessoa que eu tenho que agradecer agora é Raimundo, por todas as oportunidades que ele me deu no Vitória, mas ele não teve essa opção, ele acha que pode unir o clube de outra forma, mas eu não acho. As pessoas  vão falar muito da via de acesso, foi com Manoel e Raimundo que assinou lá o ato? Não. A Via Expressa foi um processo com Alexi Portela, que ele, impulsionado por apoios políticos que o Governo dava ao Esporte Clube Bahia, também pressionava para que fossem feitas coisas pelo Vitória, e nesse apoio político o trajeto foi feito com Ricardo Neri, e dali surgiu o processo. Qualquer projeto do Vitória hoje passa por essa acessibilidade, então como é que a gente vai esquecer Alexi? Como é que vai esquecer Paulo? Raimundo? Todo mundo teve sua contribuição.

 


Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

 

Como você avalia a renúncia de Ivã de Almeida?
Ele está trazendo a união do clube. Ele deu a contribuição que nós não esperávamos estar agora, por exemplo, participando de um processo político. O Vitória não aguenta dois Ivãs. Quem são os candidatos? O que eles fizeram para o Vitória nos últimos anos, efetivamente? Ricardo trabalhou no planejamento em 2014, trabalhou até setembro no marketing. Hoje ele tem ideias boas pra o marketing, mas em 2015 ele não implantou nada. Raimundo tem um legado que é o nosso legado, que fizemos juntos, aí o torcedor tem suas opções. Eu não sei se tem outro candidato, o que mais me preocupa é que essa pessoa tenha experiência suficiente para resolver os problemas de hoje, porque em 2015, quando eu fui lá, era problema no futebol. O que nós fizemos de gestão foi modernização, implementamos vários processos, isso é novo, mas não posso dizer que a gestão era irresponsável. O problema era no futebol, e se você olhar todas as metas que traçamos para o futebol nós conseguimos. As pessoas falam “Mas quem salvou o Vitória foi São Marinho”, tá bom, e quem contratou Marinho por empréstimo? Quem comprou Marinho por empréstimo? Quem vendeu Marinho por empréstimo? Porque uma diretoria que em uma semana tem uma proposta para decidir que vai vender Marinho e que fica na dúvida, aquela negociação de R$ 18 milhões foi deixada por nós, fomos nós que criamos aquela cláusula, porque sabíamos que ele tinha potencial para dar esse retorno para o Vitória. Nós criamos as cláusulas que tem hoje de David, Farias. As renovações de Kanu, Fernando Miguel, Correia que foi emprestado, então se você observar hoje, quando encerra o ano de 2017, que é um ano para ser esquecido, falta de liderança, falta de gestão, falta de visão, amadorismo, irresponsabilidade. Todos adjetivos ruins que você pode ter, você pode trazer para 2017. Vou dar um exemplo: Agenor é uma pessoa ótima, ninguém tem uma palavra para falar dele, mas me perdoe, o que ele estava fazendo de dezembro a julho? Ele assumiu o clube em julho? Agenor quando chegou aqui ajudou, se não fosse ele, estaria pior, mas mesmo assim algumas coisas de gestão que deveriam ter sido feitas, não foram feitas. Então tem que ser mais claro a partir de agora, já acabou o futebol em 2017, agora cabe ao eleitor decidir o que quer e quem ele quer colocar lá. Se o eleitor nos escolher, vamos trabalhar muito mais que em 2015, vou dizer isso.

 

Em 2017 o Vitória teve um orçamento de quase R$ 78 milhões. A tendência é que em 2018, esse valor seja reduzido. Como trabalhar com menos dinheiro em caixa?

O que eu digo é assim, nós teremos um orçamento menor e teremos também o endividamento que nós não deixamos. Por que quando você fala em orçamento, tem que lembrar que tem várias pessoas lá que tem contrato para os próximos anos e você tem que pagar ele, e eles não darão nada para o clube. Tem jogador lá que tem salário para 2019 e que não jogará. Se não jogou em 2017, que o ano foi um desastre, imagine se vai jogar quando montarmos uma equipe bastante competitiva. Então eu costumo dizer o seguinte, eu vou gastar o que eu tenho, e outra coisa, eu vou gastar melhor e vou fazer mais com menos. No primeiro momento vamos fazer um choque de gestão. Em 2015 não houve choque porque tinha uma gestão enxuta, agora não. Trazer uma empresa para gerenciar não é solução para o Vitória. Trazer um executivo, não é isso. Existiam os cargos lá, não teve mudança em relação a isso. O que vamos fazer é choque de gestão aliado a gastar dinheiro no futebol, com responsabilidade e aprovação do conselho. Tudo que vamos fazer a partir de janeiro será aliado ao conselho, eu não tenho problema de ser obediente. Espero que essa eleição termine no primeiro turno, não concordo com eleição no segundo turno, mas eu sou soldado da cartilha do Vitória, que é o estatuto, essa é nossa carta magna. Se você fizesse uma eleição normal, você tem a proporcionalidade do conselho, que dá o equilíbrio democrático do clube. Isso é a minha visão, mas não quer dizer que essa eleição será a primeira que o torcedor vai votar no presidente. Nas últimas eleições houveram debates e o pior candidato foi eleito, espero que o torcedor não faça mais isso, porque os debates mostraram que o menos preparado era ele, e as pessoas votaram nele. Espero que as pessoas não votem por acordos de política. “A, mas você tem acordo político com ex-presidentes”. Não. Nós temos acordo de união. Não estão me pedindo emprego, não estão me pedindo cargos, só estão propondo passar a experiência deles para me ajudar. Eu tive uma experiência, eu tenho a memória viva dos números do Vitória, dos contratos, tenho experiência suficiente para ser mais ajudado ainda. 


Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

 

Muito se comenta que Paulo Carneiro será o diretor de futebol, caso você seja eleito. Isso está definido?
Nós estamos conversando, conversando com Ademar, com Alexi, com Paulo, com todo mundo, e todos estão se colocando em condição de ajudar o Vitória. Eu não vou deixar de reconhecer que Paulo tem uma tremenda de uma bagagem de futebol, pode nos ajudar muito pela experiência dele. Inclusive o tempo que ele passou no Atlético-PR, ele viveu em uma das melhores instituições de futebol do Brasil. Se você for visitar o Atlético-PR você vai ver que a metodologia, os processos de trabalho no futebol são invejáveis, tanto é que a base vem crescendo absurdamente. Então o que eu posso dizer é o seguinte, é um nome que nos ajudará bastante. Agora nós estamos trabalhando, se o torcedor acreditar temos condições, pode ficar tranquilo. 

 

Mancini tem contrato até o fim do ano que vem. Ele continuará no comando da equipe, caso você vença a eleição?
Mancini tem contrato conosco. Eu trouxe Mancini em 2015, você lembra. Não é que eu demiti, o próprio Mancini, naquele momento não existia nada entre eu e Mancini que um ou outro não soubesse, tinha os limites nossos, eu sustentei a manutenção dele por várias rodadas. É uma pessoa que eu respeito e hoje temos que colocar as mãos para cima pelo trabalho que ele fez, ele fez um trabalho excelente, principalmente os jogos fora de casa. Ele soube usar a liderança dele e tirou o melhor dos jogadores. Eu não acredito em gestão que critica seus próprios valores. Quando a gestão assumiu em janeiro e criticou todo jogador que era encontrado, eu disse, é a pessoa não saber o que é gestão de futebol. Todos os contratos foram danosos, o torcedor sabe mais que eu, continua falando de Salino, Pisculichi, o torcedor não perdoa. Nós também já erramos, mas mesmo no erro não se pode desvalorizar. (Mancini) está mantido sim, tem contrato. 

 

A Arena Barradão foi um projeto lançado por você e Raimundo Viana. A atual diretoria não deu prosseguimento. Você pretende desengavetar esse projeto?
O projeto da arena é tão interessante que continua andando, as pessoas do Vitória não sabem, mas ele está na Prefeitura. Ele não tem o alvará ainda, mas ele está lá. Nós demos entrada, passou esse tempo todo, ninguém foi lá, mas ele está na Prefeitura, a gente acompanha, ele continua andando. Inclusive não é só arena, envolve ginásio, mercado, clínica, envolve muita coisa, terminal de ônibus, a via expressa. Quem conhece o projeto, por pior que ele seja, vai ser usado um dia. O dinheiro que eu deixei em caixa, o dinheiro que nós deixamos em caixa, não foi para o projeto da arena, foi para o crescimento da atividade financeira do clube, porque em 2019 acaba o seguro de todos os clubes do Brasil, acabou os contratos que davam garantia de receita. Então o que acontece, se em 2019 o time que não estiver na Série A vai ter muita dificuldade de sobreviver. Com essa quebra de contrato você não vai poder bater na porta de uma Globo ou de um banco pedindo dinheiro emprestado porque você não tem garantia pra dar, então você tinha que deixar um dinheiro para isso. O projeto da arena não previa usar o dinheiro do Vitória, ele prevê a construção de um fundo de investimento e esse fundo de investimento começa a fazer uma gestão da arena, e esse fundo tem a administração da arena por 25 anos, depois ela é 100% do Vitória. O Vitória seria um investidor, qualquer pessoa pode ser investidor, só que como o Vitória é investidor, ele estaria investindo em um fundo que estaria cuidando do patrimônio dele, mas ele teria a gestão. Imagine você fazer uma gestão para cuidar de seu gramado, de sua portaria, da sua segurança, gasta pelo fundo. O Vitória passaria a não gastar dinheiro e isso será administrado pelo fundo, só que com a criação disso aqui você traz novos sócios. A arena do Vitória seria das melhores operacionais do Brasil. Operacional, vou explicar como funcionaria isso. A arena do Corinthians, para colocar 30 mil pessoas ali você precisa de 4.500 empregados todo jogo. A do Atlético-PR você para colocar 30 mil pessoas só vai ver 350 trabalhando. A do Vitória teria 350 a 400 pessoas trabalhando. Só para você ter ideia, arena é receita. Aonde é que o Vitória vai buscar recurso para o futuro? Sócio, mercado, bilheteria e TV. Por que nossa plataforma agora o foco é só futebol nesse momento? Porque a única maneira da gente voltar a aumentar o nosso faturamento é através do futebol. Em 2019 isso pode fazer a diferença se a gente for muito bem no futebol, porque você vai pagar por performance e visibilidade. Infelizmente as pessoas que acompanham futebol não sabem disso, quem tem que conhecer profundamente esses detalhes é o gestor. Eu espero que as pessoas que hoje são candidatos tenham a visão desse negócio, porque isso não é para amador, você tem que enxergar. Não adiante falar que o marketing vai botar R$ 10 milhões, porque não vai dar. Há quatro anos que a Caixa dá R$ 6 milhões e nem aumento dá, porque ela sabe que se o Vitória não aceitar, não vai achar ninguém que pague metade do que ela dá. Resumindo em relação à arena, só com cadeiras vip’s, estamos falando de mil cadeiras, ela daria um retorno ao Vitória mais do que o plano Sou Mais Vitória dá hoje. O torcedor, quando tiver acessibilidade, vai querer conforto, não vai querer tomar chuva, sol, e qualquer projeto do Vitória que seja criado, pode ser até um puxadinho, isso conta. A partir de 2019 vai ser pauleira, então você tem que ser muito experiente, muito inteligente, para saber usar o pouco recurso que você tem. Nós vamos ter que ter metodologia de futebol, atleta da base valorizado, jogador com biótipo do Vitória, com garra, vontade e tudo mais. 

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