Edson Almeida
Um torcedor tricolor angustiado me telefonou lá pelas badaladas da meia-noite, desabafando e doidinho para saber de uma opinião. Aliás, torcedor só valoriza cronista nos momentos de aflição, como se a gente tivesse o condão mágico de resolver suas tragédias.
Começou logo fazendo aquela pergunta clássica: se o Bahia tem jeito. Claro que tem. Ele resistiu, dizendo que já anda escabriado no trabalho e na faculdade, porque nunca viu uma fase de insucessos tão duradora como a que aí persiste, há quase uma década. Pior do que isso, o grande campeão brasileiro não pode mais ficar.
O Bahia tem jeito, sim, como quase tudo na vida, pois a exceção fica por conta da Morte, que é fava contada para todos nós. Tem jeito, mas um jeito que vai depender de todos os tricolores (torcida, dirigentes e até os da imprensa), que não podem roer rapadura e andar dizendo que está se fartando com pudim de leite. Esse tem sido o maior entrave deste grande clube. Bastou um triunfo e logo um oba-oba imperdoável, que a primeira derrota inexplicável se encarrega de desmoronar com todos os castelos.
O problema é que o Bahia tem batido todos os recordes negativos no regional: levou goleada de time do interior em seu próprio campo, não ganha há quatro rodadas, apenas dois pontos nos últimos 12 disputados, e isso é realmente anormal. Vejam só: no dia da estréia de Edilson, um penta campeão mundial, além de o técnico o colocar no banco de reserva, depois de tanta propaganda até com outdoors em todas as esquinas, o time levou de 5 x 3 do modesto Bahia de Feira, no jogo que ele estreou para valer, em Alagoinhas, foi o maior sufoco e o craque ainda perdeu o pênalti, que poderia ter sido o gol da vitória...
Mas não vai ser solução mandando logo o técnico Renato Gaúcho embora, porque o time neste jogo contra o Atlético, em Alagoinhas (2 x 2), além do vareio não teve projeto técnico-tático – ou expurgar Avine e Marcone, porque a torcida não os quer mais jogando no time. Podem ser dois novos capítulos que praticamente não fazem um feliz desfecho da novela tricolor. O que o Bahia precisa mesmo é montar uma estrutura compatível com a força de sua torcida e o peso de sua tradição, alavancando recursos para elaborar um orçamento financeiro sólido, pagar em dia os seus compromissos, anulando de uma vez por todas com tanta inadimplência e tanto desencontro. Fortalecer a divisão de base (já são três derrotas do júnior em seis jogos!), ter a coragem de dar chance aos garotos de valor, sem os devaneios de que tudo acontece em um fechar de olhos.
O Bahia precisa ter tranquilidade para se recuperar, força para tomar atitudes que podem até não agradar à imensa e fanática torcida, mas, sobretudo, dentro dos princípios de correção de desníveis que, geralmente, traz dor e sofrimento, só que de forma passageira, porque ninguém, reencontra os caminhos do sucesso sem fazer esforço, apenas com palavras e máximas que já se inseriram na galhofa dos adversários.
Falar no campeonato, o Vitória vai ganhando uma das vagas aos trancos e barrancos, Vitória da Conquista e Camaçari são gratíssimas supresas no interior, os times de Feira e o Madre de Deus não fazem feio e o Colo Colo, campeão de 2006, parece que está em franca queda para uma segunda divisão.
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