Edson Almeida



TENTATIVA VÁLIDA


Acho Toninho Cerezo um bom nome para treinar o Vitória, não sei se ele consegue logo dar jeito ao desmantelamento que esse seu xará andou praticando no bom time armado por Ricardo Silva, que parece se contentar em voltar a ser auxiliar.

 

Repousam-me três sentimentos bem diferentes sobre os três: Cerezo fez um belo trabalho em 1999, levou o Vitória a um terceiro lugar do Brasileiro, só perdendo para o Corinthians e o Atlético/MG. Além da ótima campanha que fez, sempre teve bom relacionamento com a imprensa e só saiu porque teve convite milionário do exterior deixando um seguro pilar de amizade entre os dirigentes e executivos do clube.

 

Toninho Cecílio é um cara destemperado, não admite perguntas mais contundentes, mesmo que sejam pertinentes, criou vários problemas com jogadores, mostrou ser fraco nas escalações e muito pior na hora de mudar. Parecia que todos nós, torcedores ou cronistas, éramos malucos. Foram 32 dias de sua presença que devem ser definitivamente apagados no clube.

 

Ricardo Silva é um desses novos profissionais brilhantes, que enxergam muito sobre futebol, vencedores, tetra-campeão baiano, vice da Copa do Brasil, mas um contumaz tapa-buraco por convicção. Parece que gosta de ser auxiliar ou então tem receio dos desafios da vida. Agora mesmo, com tudo engatilhado para treinar o Grêmio Prudente, já no interior de São Paulo ajustando a forma de contrato, eis que aceita voltar para a interinidade, pois já sabe que Toninho Cerezo (ou outro qualquer) pode vir a ser o titular na Toca. Sinceramente é exemplo de humildade indevida, pois seria o momento de Ricardo pedir desculpas a Alexi Portela, reafirmar a sua amizade, mas tentar algo mais alto. Mas, apesar disso, respeito muito a atitude de Ricardo porque, além de tudo, é uma dessas pessoas que parecem pertencer a família da gente, tal o temperamento agradável que sempre consegue passar.

 

Fico, portanto, torcendo para que o Vitória encontre definitivamente os seus rumos de nosso mais importante representante no atual futebol brasileiro. Porque está, agora, diante da encruzilhada que se meteu, fazendo uma tentativa muito válida.

 

Talvez a última para não sucumbir.



Sexta-Feira, 10.09.2010
Versão Impressa            Partilhar

Últimos Comentários

 


 


06/09 — BAHIA, VITÓRIA E SELEÇÃO
02/09 — ESCLARECER É PRECISO
31/08 — VIDA DE ARTILHEIROS
28/08 — HORA DE REAFIRMAÇÃO
26/08 — MELHORAR É PRECISO
24/08 — BRINCANDO COM A SORTE
20/08 — CAMINHOS SEMELHANTES
17/08 — CASTIGO EM DOBRO
14/08 — A VITÓRIA DA SIMPLICIDADE
12/08 — O TEMPO URGE
10/08 — REALIDADE AMARGA
07/08 — PROVIDÊNCIAS JÁ
03/08 — A VELHA MATEMÁTICA
31/07 — PÉS TROCADOS
29/07 — REAÇÃO INCONFIÁVEL
27/07 — NA MÍSTICA E NA TÁTICA
24/07 — À PROCURA DO PONTO G
20/07 — HORA DE RESPOSTAS
15/07 — A CULPA É DA IMPRENSA?
13/07 — O CÉU E O INFERNO
10/07 — A ANGÚSTIA DA EXPECTATIVA
06/07 — CRISE DE VALORES E IDEIAS
03/07 — ENTENDER É PRECISO
29/06 — IMPRESSÕES QUE FICAM
26/06 — DANIEL, LICOR E BA-VI
22/06 — SUFOCO E DECEPÇÃO
17/06 — FATOS E QUESTIONAMENTOS
15/06 — MÃO DUPLA
12/06 — DESLIZES E INCOERÊNCIAS
10/06 — CAMPANHA INVERTIDA




BUSCA