Segunda, 30 de Setembro de 2013 - 11:00

Zé Neto

por Evilásio Júnior e Sandro Freitas | Edição: José Marques

Zé Neto

Líder da bancada do governo na Assembleia Legislativa da Bahia desde 2011, Zé Neto (PT) vive a maior crise que o Estado e a Casa passaram desde então. No Executivo, o governador Jaques Wagner anunciou um contingenciamento de despesas que afetou o trabalho de muitas pastas e deve acarretar também em dificuldades para a AL-BA fechar o ano no verde. Já no Legislativo, denúncias do aliado Capitão Tadeu (PSB) contra seus pares – sobretudo o presidente Marcelo Nilo (PDT) – em relação ao desvio de função de policiais militares no órgão afetaram em cheio a uma legislatura que, até o momento, é tida como corporativista, com boa distribuição de cargos entre os parlamentares e poucas acusações e pedidos de investigação entre os “iguais”. Em entrevista ao Bahia Notícias, Zé Neto minimiza os problemas e diz que, em relação aos PMs em desvio de função, “é preciso apurar”, mas “não vê grandes irregularidades”. Ele também corrobora com a fala de Nilo de que PM em função dupla é “economia”. “Um policial também não dirige uma viatura? Se você vir por essa ótica é uma questão de economia e não um gasto a mais”, considerou, sobre os militares usados como motoristas pelo presidente e outros deputados. O petista também comentou a eleição de 2014, que considera vantajosa para a base de Wagner. “Estamos muito melhores que a oposição. A oposição está muito fragilizada porque não conseguiu ser oposição, não conseguiu fazer contraponto ao projeto. O que Geddel [Vieira Lima] tem dito parece coisa de vereador do interior”, considerou. Ele evita se posicionar a favor de um dos quatro candidatos do PT ou dos outros nomes governistas. “Tem que trabalhar, se a gente ficar concentrado nos nomes e ficar nesse puxa-e-estica, nesse festival de especulações, nem Lula vai conseguir resolver o problema [de eleger alguém em meio a uma crise]”, brincou.


Fotos: Alexandre Galvão / Bahia Notícias

Bahia Notícias – O Estado passa por uma crise econômica e sofre graves críticas da oposição, O que o senhor, como líder da maioria, tem percebido de ações do governo para reverter esse quadro?

Zé Neto – Eu me lembro muito do que a gente viveu em 2009. Também passávamos por uma crise mundial muito complexa, mas tínhamos mais gordura do ponto de vista federal. Portanto, [a crise] não afetou muito as nossas estruturas do ponto de vista estadual. Hoje, temos uma desoneração em curso no Brasil para manter o setor privado aquecido. E tem mantido: o desemprego tem o menor índice da história, a inflação está sob controle e a política no setor privado tem dado resultados. Mas o setor público tem pagado um preço muito alto. Cabe à gente administrar. Há uma política fiscal mais rigorosa e também o Estado está fazendo um ajuste nas contas. De certa forma, isso cria alguma dificuldade e a gente vai administrando, mas no geral a bancada tem sido muito solidária.

BN – Mas dentro da Assembleia Legislativa já se fala em cortes. Alguns funcionários inclusive têm reclamado. O que houve de cortes efetivos dentro da assembleia para entrar nesse contingenciamento e o que ainda está previsto?

ZN – Na verdade não tem nada de complicado na Assembleia. O fato é que ela é muito enxuta: hoje é a 24ª mais enxuta do Brasil. Quando chega em outubro, novembro, sempre vem a preocupação com o custo da Assembleia. Todo ano tem esse problema. Como há, no governo, um aumento de dificuldade que tem afetado por demais o Executivo, especialmente no tocante a custeio e pessoal, é claro que isso tem uma ressonância na Assembleia. Mas é só ressonância. Por enquanto não temos maiores problemas. É claro que a Assembleia vai ter que fazer um esforço para não precisar de suplementação. Mas em relação ao cumprimento das receitas, eu acho que o governo vai fechar o ano dentro do que foi acordado com a Casa.

BN – A Assembleia vive um momento de guerra entre oposição e governo. A oposição tem se queixado que o governo tem imposto determinadas pautas e isso impediu que alguns projetos fossem votados. Já está tudo superado entre oposição e governo ou ainda há arestas a aparar?

ZN – Nós estamos com a pauta do governo em dia como nunca estivemos. Graças a Deus neste aspecto estamos caminhando bem, com tudo dentro do cronograma. Inclusive temos duas contas do governo votadas e queremos votar mais uma agora em outubro. Já a oposição vive tão dentro da democracia que fica desacostumada. A oposição hoje tem relatoria de projetos. Eu tenho uma disputa muito grande com o deputado Carlos Geilson (PTN) lá em Feira [de Santana] e ele já foi relator de três projetos importantes, já teve projeto aprovado dentro da Assembleia. O deputado Elmar [Nascimento, sem partido, líder da oposição] por diversas vezes faz acordos conosco para projetos importantes serem relatados. Na última semana, um projeto importante da Secretaria da Fazenda que tratava da carreira de auditores foi relatado por Gaban (DEM) e outros tantos. O deputado Bruno Reis (PRP) relatou o projeto [do reajuste] dos professores, que foi muito importante, em 2011. Temos trabalhado respeitando a oposição. Por exemplo, agora estão reclamando da transparência. Querem mais aceleração da transparência, o que a gente acha legítimo, mas a oposição reclama porque quer mais do melhor.

BN – Mas temos três deputados – Targino Machado, Elmar Nascimento e Sandro Régis – que estão indo para o DEM. O prefeito ACM Neto esteve por lá e ele é tido hoje como uma forte liderança política em todo o estado – tem se saído bem nas pesquisas. Ele está ganhando força na AL-BA?

ZN – Não, a oposição vai apoiar ele. Eles [Régis e Elmar] vão mudar para o DEM, mas pelo fato de ser oposição, muda pouco. São partidos aliados que estão sob o comando dele [ACM Neto]. O fato de mudar de sigla muda pouco.

BN – Essa oposição que apoia ACM Neto sempre é dura em relação ao governo, mas o prefeito tem mantido um tom de “paz e amor” e até cogitado a hipótese de apoiar Wagner e Dilma em 2014. Como a liderança do governo vê essa relação do democrata com o PT?

ZN – Até aqui, ACM Neto tem dado demonstração de mais parcimônia e tranquilidade no diálogo, até porque na situação em que Salvador está vivendo cabe tanto ao governo quanto ao prefeito do município de sentar, do ponto de vista administrativo, e resolver as questões que são cruciais. Por exemplo, para chegar aqui, enfrentei um trânsito sem precedentes. No dia a dia de uma cidade como esta tem que se ter muito bom senso, e ele tem tido para discutir conosco os temas e tocar as ações tanto do ponto de vista municipal quanto estadual. Por enquanto, o que há é um bom ambiente.

BN – Em relação ao contingenciamento, apesar de você ter dito que tem o apoio de toda a bancada do governo, o que a gente tem visto é que há insatisfação de alguns deputados em relação às emendas. Foram prometidos R$ 600 mil e estamos chegando perto do fim do ano, da eleição, e ninguém viu a cor desse dinheiro, como eles dizem. Como você está controlando esse pequeno incêndio?

ZN – Ano passado fizemos uma previsão de emendas de em torno de R$ 500 mil, independentemente se o deputado é de governo ou oposição, como já acontece em outros parlamentos de outros estados e no próprio governo federal. Aqui em Salvador o prefeito ACM Neto está propondo também...

BN – R$ 1 milhão.

ZN – ...a emenda parlamentar para o município e nós estamos tentando um pouco mais de R$ 500 mil. Recebemos tanto dos deputados do governo quanto da oposição esses projetos de indicação – porque na verdade não é para o parlamentar, as ações de governo são indicadas para os municípios. Estamos sistematizando e trabalhando para que dentro desse exercício possamos cumprir. Agora, é uma inovação. É um fato novo no parlamento baiano. É um fato novo na história da Assembleia. Trabalhamos para isso, para que houvesse do governo um aceno no sentido de que os deputados tivessem emendas. Estamos vivendo um momento um pouco duro no sentido financeiro, mas o governador Jaques Wagner já acenou que não mediremos esforços para cumprir.

BN – O que os deputados dizem é que houve uma promessa de que isso sairia. Essa promessa vai ser cumprida?

ZN – Eu ainda tenho até o fim do ano. Estou trabalhando com o pé no chão e estamos terminando a sistematização. O que é isso? Um tem a ambulância, outro tem o trator de um município, outro tem o calçamento de uma rua. São situações diversas que têm que passar por licitação, questões administrativas e nós estamos ajustando tudo isso. Eu creio que nós vamos marcar mais esse tento.

BN – Não vai ficar só na promessa?

ZN – Estamos trabalhando para que executemos.

BN – Em 2012, na campanha para prefeito, se dizia que Salvador estava quebrada. Houve uma reforma tributária. Agora vem com esse projeto em um orçamento de R$ 6,4 milhões emendas de R$ 1 milhão para cada vereador. Na Assembleia, ainda há essa dificuldade de estabelecer R$ 500 mil, metade do valor da prefeitura. Dentro desse contexto, é possível afirmar que o Estado está mais quebrado que a prefeitura?

ZN – Não, porque a de Salvador, me parece, não é impositiva. E no geral, existem ações de indicações dos deputados que, no montante, podem dar muito mais do que isso. Agora, no geral, o que se quer é uma situação mais delimitada de determinadas emendas que pudessem ser feitas diretamente. Mas são situações bem diversas. Sobre quem está mais quebrado, o governo do Estado, você sabe, tem melhorado muito a arrecadação e estamos entre os três que mais geraram emprego do país. Temos um PIB acima da média nacional e o crescimento industrial no último quadrimestre foi quase seis vezes maior que o nacional. Mas ainda somos, não podemos esconder isso, o 23º ou 24º estado do Brasil em orçamento per capita.

BN – Outra reclamação dos deputados é que secretários estão trabalhando muito para fortalecer a própria campanha e “não estão ajudando” os deputados que buscam a campanha. Três nomes principais foram citados: Eduardo Salles, da Agricultura, Bobô, da Subesb, e Jorge Solla, da Saúde. Existe essa falta de sintonia?

ZN – No caso de Solla, por exemplo, ele é [candidato a deputado] federal, nós somos estaduais. Se alguém reclamou disso, reclamou fora do tom. Solla tem sido um dos secretários mais atuantes e, no tocante da Assembleia, muito bem quisto, porque está sempre muito solícito, independentemente de ser candidato ou não. No caso dos outros dois há um enfrentamento de interesses mais diretos, mas também são secretários muito atuantes. O que há, na verdade, é que nós tínhamos seis candidatos a deputados em média em outros momentos. Desta vez temos 14 ou 15 confirmados como candidatos a deputado estadual. Nós vamos ter que administrar isso de maneira mais tranquila. Não é fácil, porque em alguns casos há reclamações de alguns secretários ou presidentes de empresas ou cargos importantes dentro do governo que têm seus interesses eleitorais. O governador está olhando isso com calma, nós já levamos isso para a Serin [Secretaria de Relações Institucionais], para a reunião de bancada, e estamos trabalhado para que se minimize esse impasse. Essas disputas de espaço são naturais do processo democrático, não há como impedir ninguém de ser candidato, mas dá para se chegar em um denominador comum e é para isso que estou trabalhando.

BN – Alguém tem que abrir mão um pouquinho?

ZN – É. A gente tem que trabalhar para ter mais conforto. A pretensão natural das pessoas que atuam na vida pública acaba passando por um interesse eleitoral.

BN – Quais são os 14, 15 secretários que vão sair candidatos a deputados?

ZN – Eu diria a vocês... no caso da minha posição de líder... tem um... tem muitos... você citou alguns, tem outros... é um tema que eu quero cuidar, não alardear.

BN – Na Assembleia, semana passada, houve a denúncia dos policiais militares de que estariam em funções desviadas, como motorista de deputados e familiares, segurança pessoal e até repórter do Canal Assembleia. Isso causou um problema entre duas figuras da base do governo, o presidente da AL-BA, Marcelo Nilo (PDT) e Capitão Tadeu (PSB). Como é que o deputado Zé Neto, como líder da bancada, viu a denúncia?

ZN – Não deveria ter chegado onde chegou. Eu digo com tranquilidade: o fato de Marcelo ter um segurança na casa dele, quando ele sai com a família dele, como presidente do Poder Legislativo, quando vai para Guarajuba, um lugar um pouco distante [não é nada demais]. Claro que se ele fosse um homem comum e não tivesse tanta visibilidade não precisaria. Ou mesmo dentro de um cargo sem muita visibilidade. Não vejo gravidade nem irregularidade nesse caso.

BN – No caso da deputada Maria Luiza Orge (PSC), a filha era levada para o salão de beleza acompanhada de um policial militar...

ZN – Tem um caso ou outro em que pode haver exagero. É preciso apurar. Existe uma prerrogativa de ex-presidente da Casa que é um segurança que fica à disposição do mandato, sem ônus ao erário. São coisas que têm que ser passadas a limpo, para não parecer que tudo é irregularidade. Tem uma ou outra situação menor que é corrigível, nada que se possa analisar como criminoso. Não é. O que tiver de ser corrigido, vou trabalhar para ser corrigido. Até onde vi, que foi na imprensa, são coisas sanáveis.

BN – Não tem ninguém do PT. O PT precisa menos do que os outros?

ZN – Não, não é isso. No caso de Maria Luiza me parece que tem alguém que já trabalhava na época no município como segurança da família do ex-prefeito [João Henrique, ex-marido de Maria Luiza] e tinha alguma relação mais direta com ela. Então tinha a confiança. Ela também tinha a prerrogativa de poder colocar à disposição do mandato, não tem nada de irregular nisso.

BN – Mas nessa denúncia, um dos pontos mais graves é a acusação de tráfico de influência contra o chefe da Assistência Militar, coronel Yuri Ferreira. Nilo negou, mas saiu no Diário Oficial que ele foi chefe de gabinete – exonerado em 2011 – do presidente. É comum nesse tipo de denúncia a pessoa se afastar, em qualquer parlamento. Você acha que seria o caso de ele se afastar até que sejam provadas as denúncias? E mais: o deputado Zé Neto tem segurança militar?

ZN – Não tenho segurança, nunca precisei de segurança, mas se eventualmente houvesse alguma ameaça contra mim em alguma situação grave, solicitaria legalmente. Nunca solicitei, mas nunca precisei. Mas há situações que são diferentes. Até onde vi, as solicitações que foram feitas eram legais. Havia aquiescência do comando e da administração da Assembleia. O coronel Yuri, nós conhecemos o trabalho dele na Casa. É um homem de confiança. Acho que ele deveria que ter sim na Casa Militar alguém de confiança dele. Talvez tenham confundido esse processo de forma exagerada. Não conheço mais do que vejo no dia a dia e o que vejo no dia a dia é que tanto o presidente Marcelo Nilo quanto o Coronel Yuri têm conduta ilibada.

BN – Ele deveria se afastar?

ZN – Não tem nenhuma irregularidade, até onde vocês colocaram na imprensa. Vamos tentar amenizar essa ebulição. Teve alguma situação de malversão da coisa pública? Não.

BN – Mas se houve desvio de policial, é desvio de função pública?

ZN – Não, porque se foi para prestar segurança e estava dentro do gabinete como indicado, até onde vi, e vi na imprensa, situações que não são graves, são sanáveis. Isso pode acontecer, mas não é uma questão de má-fé. É de convivência mesmo. O próprio Marcelo pôs que era uma questão de economia o segurança virar motorista. Se você vir por essa ótica é uma questão de economia e não um gasto a mais. Um policial também não dirige uma viatura? Essas coisas têm que ser analisadas e não crucificadas à mercê de uma denúncia. Até onde vi na imprensa, não tem nada de grave e as situações são sanáveis, sem dano ao patrimônio.

BN – O senhor disse que o coronel Yuri não precisa ser afastado dentro desse contexto, mas o Capitão Tadeu foi retirado da cadeira legislativa do grupo de trabalho que atua junto com a Secretaria de Segurança Pública para melhoria da Polícia Militar. Foi uma retaliação?

ZN – Nessa seara eu não conheço qual foi a delimitação da criação da comissão. Prefiro me apropriar mais das informações. Não tenho informações suficientes para me pronunciar sobre isso. Não é legítima uma posição minha acerca desse assunto.

BN – Mas como líder do governo já há três anos, o senhor conhece muito bem seus pares. O PSB com Sargento Isidório, que volta e meia causa uma polêmica, e o Capitão Tadeu é mais parceiro ou atrapalha mais?

ZN – Eles são mais parceiros. Mas você tem liberdade. É um processo democrático. A gente trabalha por convencimento, não por imposição. Quando se disse que não haveria mais chicote na mão na Bahia dissemos que as pessoas seriam mais convencidas do que impostas pelo poder. No geral, todos dois, dadas as devidas proporções, têm sido solícitos quando precisamos.

BN – Como líder do governo, o senhor está mais próximo do governador Jaques Wagner, que escolheu – segundo o deputado federal Zezéu Ribeiro e outras fontes petistas – o chefe da Casa Civil Rui Costa como candidato. Mas também é da corrente Democracia Socialista (DS), a mesma do senador Walter Pinheiro. Como o senhor vê esse embate interno do PT?

ZN – Pinheiro é meu amigo, foi meu padrinho de casamento. Rui é meu amigo. Tenho tido relacionamento mais permanente ultimamente com Rui, pelo dia a dia da Casa Civil, em que vem fazendo um belo trabalho. Quem enfrenta o ônus tem que ter o bônus, e ele foi da Serin, uma das mais amargas posições do governo, porque tinha que dizer muito “não” e organizar situações da base que não são nada fáceis e ele se saiu muito bem. Como Pinheiro tem prestado relevantes serviços, é um nome de expressão nacional. Tem outros nomes de estatura, como [o secretário de Planejamento José Sergio] Gabrielli, como [o ex-prefeito de Camaçari] Luiz Caetano. Também tem os nomes fora [do PT], como [o vice-governador e e secretário de Infraestrutura] Otto Alencar, um secretário queridíssimo por todos nós, muito leal. O Marcelo Nilo, que é leal à causa pública da democracia. Lídice da Mata, que é uma senadora que não deixa nem na sua história nem na sua ação presente dúvida do seu potencial. Temos muitos candidatos. Se você disser que dentro do governo o governador Jaques Wagner tem mais proximidade com o secretário Rui, eu vou dizer: tem. Todos sabem, não precisa ficar escondendo isso. Mas se disser que isso é o definitivo e que não tem mais nenhuma situação que possa acontecer, nenhuma novidade, eu digo que não. Porque ele tem a responsabilidade de indicar um candidato que tenha a legitimidade da base para que ele venha com mais vigor. Nós não temos problema com nome. Nome não nos faltará, de dentro ou de fora do PT. Agora é preciso continuar trabalhando. Agora se você me perguntar o que eu queria mais é que a gente mudasse de assunto e voltasse para as ações de governo (risos), porque se tiver ação e sair das dificuldades que enfrentamos momentaneamente para continuar no ritmo que a gente vinha e o nome vai ser o trabalho menor. Nós estamos muito melhores do que a oposição em qualquer dos nomes que a gente escolher. Agora se a gente ficar concentrado nos nomes e ficar nesse puxa-e-estica, nesse festival de especulações, nem Lula vai conseguir resolver esse problema. Nós estamos melhores que a oposição. A oposição está muito fragilizada porque não conseguiu ser oposição, não conseguiu fazer contraponto do projeto. Não têm como trazer como contraponto o que fizeram na Bahia no passado, porque deixaram a Bahia de terra arrasada, aí ficam nesse disse-me-disse fazendo denúncia, uma coisinha aqui, outra coisa acolá, mas não têm consistência no enfrentamento ideológico nem no posicionamento de poder. O que Geddel [Vieira Lima, presidente estadual do PMDB] tem dito ultimamente parece mais coisa de vereador de interior. [O deputado federal Antonio] Imbassahy é meu amigo, gosto muito dele, mas está muito distante de quem quer ser candidato. Paulo Souto faz um mise-en-scènezinho, mas não pode falar muito não, porque se for enfrentar o nosso projeto com o que tinha no passado não tem nem o que comparar. Os dados do governo atual são infinitamente superiores em todas as áreas ao que encontramos no passado.

BN – Seu coração bate mais forte por quem?

ZN – Bate pela Bahia e que continue com nosso projeto. E o governador é o grande comandante desse processo. Tem legitimidade e história para isso e é o melhor para negociar e ter essa conversa.

BN – Deixa eu refazer a pergunta: DS ou Reencantar (risos)?

ZN – Eu sou DS, mas vivo bem com a Reencantar.

BN – Você citou Lula, e ele conseguiu eleger Dilma, que era relativamente desconhecida e supostamente não tinha carisma...

ZN – Por que Dilma deu certo? Porque o projeto é muito maior do que um ou outro nome. Temos vários nomes e escolhendo um deles para conduzir o projeto e dando segurança vamos eleger o próximo governador da Bahia.

BN – Mas Wagner tem força política para eleger Rui Costa, que não é tão conhecido dos baianos?

ZN – Wagner é o nosso timoneiro. Nós temos um projeto. Lula manteve o projeto, que foi bem executado, mas tem continuidade. Como Wagner conseguiu duas vitórias e manteve a unidade até agora, não tenho dúvida que qualquer candidato será competitivo e poderá nos dar a manutenção desse projeto.

BN – Pelegrino quase rachou publicamente com o govenador Jaques Wagner. Fez declarações duras e disse que o próximo governador tem que fazer mais. Tem que fazer mais, não pode ser só continuidade?

ZN – Não, foi a interpretação que alguns deram tentando pôr pimenta no acarajé. Mas não, gente, pelo contrário. Pelegrino é um companheiro da nossa história. Ele disse que tem que fazer mais porque nós sempre queremos mais. O povo brasileiro foi para as ruas querendo mais. Será que eles queriam o que tinha no passado? Não, porque nós também demos aos brasileiros a condição de querer mais. Ao contrário, acho que ele disse que o projeto vem dando certo e vai dar mais e mais ao povo baiano.

BN – Mas “não pode ser apenas continuidade, tem que fazer mais”. Ele falou isso textualmente.

ZN – Claro, você vai avançar em algumas situações e corrigir outras sempre. Se me perguntar, como líder do governo, se tem algumas coisas para serem corrigidas, vou dizer que tem. Agora em nenhum momento você vai ver Nelson dizer que seria algo fora do que estamos trabalhando no projeto. Ao contrário, ele é um dos mais ferrenhos defensores do governo Wagner, da presidenta Dilma, e dá uma declaração porque vive em um país em que construímos instituições democráticas e faz parte de um partido democrático.

BN – Um deputado do governo, do PT, nos confidenciou que, depois dessa declaração, o governador pediu os cargos de Pelegrino. É verdade?

ZN – Eu não soube nada disso. Tanto Nelson como os deputados ligados a Nelson continuam atuando dentro do governo.

BN – A presidente Dilma, em um seminário, disse que tem dado continuidade a um projeto da oposição, que são as concessões das rodovias, e que isso tem dado certo. O que é que Wagner reconhece, pelo menos internamente, que a oposição fez bem feito?

ZN – Não escondemos que a oposição tem coisas que a oposição faz que deu certo. A presidenta Dilma disse claramente na ONU que o cumprimento de contratos no Brasil começou com Fernando Henrique. No estado, em algumas situações, como a modernização fazendária, acertou. Em outras, não. Mas em outras coisas demos uma boa caminhada. Pegamos, aprimoramos, melhoramos. Quantas vezes mudamos projetos de lei porque a oposição nos trouxe elemento? Temos fortalecido a democracia e isso é bom para o Brasil.

BN – A DS tem vários candidatos a deputado federal. O senhor vai tentar federal ou vai continuar na disputa para estadual?

ZN – Na eleição passada, o senador Pinheiro me chamou e disse: “Zé Neto, e aí? Vai para federal?”, porque eu, depois dele, era o mais votado na corrente, quando tive 45 mil votos e fui para deputado estadual. Não fui. Nesse momento [em 2010], eu tive 82 mil votos. Fui o mais votado da história do PT na Bahia. Me credenciava para ser deputado federal. Mas, mais uma vez, não vou ser. Até por uma situação pessoal e familiar. Tenho duas filhas, uma de dois anos e uma de sete, quero viver mais perto delas. Me bateu um estalo muito grande depois da eleição de Feira. [de Santana, em que ele foi candidato a prefeito]. A gente se expõe muito, nossa família sofre e a gente também sofre muito. Então, eu quero a cada dia não afastar o humano do político. Quero sair daqui e voltar para Feira, dormir em casa, ajudar a arrumá-las para ir a escola e depois volto para Salvador. Aqui é perto de Feira, quero viver um pouco mais disso e acho possível contribuir no meu estado vivendo da política estadual ainda. Não tenho essa ansiedade.

BN – Se o “timoneiro” te pedir: “Zé Neto, quero você em Brasília”, você vai?

ZN – Vou dizer: “rapaz, tem tanta gente querendo ir para Brasília, me deixe aqui” (risos)

BN – Já que o senhor falou em família, para terminar: no Natal, o senhor prefere passar na costa ou em casa, perto do pinheiro? (risos)

ZN – Perto de minha mãe, minha mulher e minhas filhas. Sentado na minha mesa com meus irmãos e parentes, tomando um vinho. Na costa ou no pinheiro, teremos um Natal confortável. (risos)

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