Cheio de Arte



Cine Glauber: subutilizado, pode falir


James Martins


Fiquei feliz quando soube que o cine Glauber Rocha seria revitalizado. A supor das informações divulgadas na imprensa, o novo ‘Espaço Unibanco de Cinema – Glauber Rocha’ seria não apenas uma benesse em si, mas também colaboraria com a necessária oxigenação daquela região em que se ergue: Praça Castro Alves e arredores. Falar da decadência do Centro Histórico é chover em cachorro morto e bater no molhado. Pula essa parte. De fato, exultei com o projeto das quatro salas, café, livraria, programação voltada não apenas às grandes produções guloseimas de Hollywood, preços baixos, etc. Alguma coisa (na verdade muita coisa) me dizia que aquele seria o multiplex de uma grande fatia dos soteropolitanos meio indisposta para o multiplex. Um sucesso, como os filmes d’Os Trapalhões que eu assistia, em menino, no antigo Glauber. Mas, sempre que vou ao Espaço Unibanco fico triste com tantas poltronas vagas para escolher. Até mesmo em sessões gratuitas. Qual será o mistério de tamanha falta de audiência? 

Bom, ao contrário de quase tudo no país, o projeto foi realizado com o prometido: inclusive os preços baixos. Mas, mesmo na estréia do filme que mostra o Caetano Veloso nu, éramos menos que seis os escandalizados na sala de projeção. Resumo da ópera: se continuar assim, o novo Glauber Rocha vai falir. E, uma vez falido, todo mundo vai ficar reclamando a falta de um espaço em Salvador que é exatamente aquele. A subutilização do complexo, de tão gritante, está mobilizando pessoas em chamar a atenção para o óbvio - tentativa de evitar que se derrame o leite. Recebi um email, o mesmo, de dois amigos, convocando as pessoas freqüentarem o local. Pois é, também estou nessa campanha. E olha que eu acho uma tremenda maluquice chamar alguém ao cinema como se fosse uma causa social. Mas pode ser um bom pretexto para o cara ou a cara que você quer pegar. É bom lembrar que as salas do novo Glauber (prefiro dizer novo Glauber, porque o nome completo do cinema é longo demais e também porque o nome do poeta cai melhor que o do banco à praça) são excelentes, confortáveis e com som perfeito. Além disso, há segurança e estacionamento grátis (40 vagas) no local. Uma digressão: para mim é um poema concreto que o cinema da Praça Castro Alves se chame Glauber Rocha. Todo mundo sabe que Glauber previa a sua morte aos 42 anos, alegando ser ele uma reencarnação de Castro Alves, que faleceu aos 24. Um palíndromo-numérico mortal. Amo vê-los conversando em silêncio sempre que passo por ali.

Voltando a falar nos preços. Normalmente já são baratos os ingressos (segue tabela abaixo), mas as promoções e vantagens do ‘Espaço Unibanco de Cinema - Glauber Rocha’ são diversas. Com cartão de conta corrente do Unibanco ou Itaú você só paga meia-entrada. Menores de 12 anos e maiores de 60 anos só pagam meia entrada. De segunda a sexta-feira, professor com carteirinha do clube do professor também paga meia. E todo sábado tem uma seção em que professor não paga. De segunda a quinta, em seções que começam até as 15h, menores de 18 anos e maiores de 60 só pagam R$4. O valor normal das primeiras sessões, em qualquer dia, é R$8 (inteira), com direito a meia-entrada para quem tem direito. O cardápio de filmes é variado: de ‘Toy Story 3’ a ‘Diário de Cintra’; de ‘Eclipse’ a ‘O Homem Que Engarrafava Nuvens’, com programação só de curtas e um monte de outras programações especiais. Inclusive, recentemente, esteve em circuito comercial naquele Espaço, o magnífico ‘SuperOutro’, de Edgard Navarro, filme que nunca me canso de assistir. Agora só falta você-iê-iê! Vamos, desligue o computador e vá ver um filme. 

SERVIÇO:
Sessões:
Seg, Ter, Qua - R$10 (inteira) e R$5 (meia)
Qui - R$8 (inteira) e R$4 (meia)
Sex, Sáb, Dom e Feriados até 17h - R$14 (inteira) e R$7 (meia)
Sex, Sáb, Dom e Fer após as 17h - R$16 (inteira) e R$8 (meia)
Contatos: (71) 3011-4706 (bilheteria) e 3322-0302 (gerência)

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Sexta-Feira, 05.07.2010 às 11:11
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