Cheio de Arte

O argentino/baiano Carlos Pronzato lança hoje (14), na Fundação Casa de Jorge Amado (Pelourinho), às 18 horas, o livro Jorge Amado no elevador e outros contos da Bahia (84 páginas, Editora A, Rio de Janeiro), como uma maneira de comemorar os seus 20 anos de Bahia.
O livro é composto por onze contos que transitam no universo, digamos, amadiano, e pretende também ser uma homenagem ao mais célebre escritor baiano e um dos maiores do Brasil, Jorge Amado. A maior parte destes contos já vinha sendo publicada no A Tarde Cultural e na Revista do Gabinete Português de Leitura.
Serviço:
Lançamento: “Jorge Amado no Elevador e Outros Contos da Bahia”, de Carlos Pronzato
Quando: segunda-feira (14/12/2009), às 18 horas
Onde: Fundação Casa de Jorge Amado / Largo do Pelourinho
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Sexta-Feira, 14.12.2009 às 11:48
James Martins
Glauber e Paula Gaitán tiveram 2 filhos: Eryk e Ava
Estréia (ainda não aderi ao novo acordo ortográfico) nesta sexta-feira (11), mais um filme em torno de Glauber Rocha. São tantos os cineastas ‘viúvas de Glauber’, que acabo me aborrecendo um pouco. Mas este me interessa. Talvez por ter sido feito por uma viúva ‘mesmo’, de Glauber Rocha: Paula Gaitán, aquela colombiana que aparece linda numa foto do livro de Tereza Ventura sobre o cineasta. O livro é outra coisa que não presta, dentre as inúmeras babações do ovo do baiano.
Outra coisa que me interessa e deve me levar ao cinema para assistir ao Diário de Sintra (só agora lembrei de dizer o nome do filme) é o fato de ter sido feito, obviamente, em Sintra. Não que eu conheça a cidade, mas jamais esquecerei aquelas imagens da Glauber falando em inglês e francês caóticos sobre o seu estado de saúde já bastante precário e concluindo com: “Sintra is a beautiful place to dead”. Quero muito olhar as outras cenas daqueles últimos dias do artista. E também as imagens recentes que a diretora deste filme voltou lá para fazer e complementar a obra.
Sobre a própria criação, estas são as palavras de Paula Gaitán: “Em 1981, vivemos, meus filhos, eu, e meu companheiro Glauber Rocha, em Sintra, Portugal. // 25 anos depois, regresso à cidade para realizar o filme Diário de Sintra, buscando entre nós um diálogo amoroso e poético através do cinema e da memória. // Meu olhar deixa-se impregnar pelo que vê, as paisagens, as pessoas e amigos que encontro no caminho. // Um diário de viagem que reúne anotações do passado e presente, redescobrindo esse espaço geográfico, essa topografia da memória. Convido o espectador a trilhar comigo esse percurso, esse caminhar por labirintos imagéticos”.
O filme estreia em Salvador hoje (11), no Cine Glauber Rocha (Praça Castro Alves), com sessões às 15:50 e 21:20. Pois bem, eu vou assistir. Depois conto o que achei. Abraço!
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Quinta-Feira, 11.12.2009 às 12:00
James Martins
O Natal do Charlie Brown é um dos episódios mais comoventes da série
Um bom presente de natal é o lançamento recente da L&PM: “Peanuts completo: 1950-1952”. O livro inicia a coleção definitiva da obra-prima de Charles M. Schulz, incluindo a primeira tirinha da turma de Charlie Brown: Lucy, Schroeder, Snoopy, Linus, Paty Pimentinha e outros. Este primeiro volume -outros devem sair já em 2010- tem introdução escrita por um conterrâneo de Schulz; um ensaio sobre a vida e a carreira do desenhista e uma entrevista com o autor. Alguém se candidata a me dar de presente?
Umberto Eco disse da turminha: "O mundo de Peanuts é um microcosmo, uma pequena comédia humana, tanto para o leitor inocente como para o sofisticado.” Carina me deu de aniversário vários volumes de bolso com aquelas tirinhas adoráveis. A graça melancólica de Charlie Brown parece imprópria a crianças, mas é como a canção de Assis Valente, Boas Festas, tão bem feita em sua profunda tristeza que nos alegra a todos. Ninguém se importa que o Minduim viva reclamando de tudo, assim como, então, “felicidade é brinquedo que não tem”.
Serviço: Peanuts Completo: 1950 A 1952.
Formato: 21X17
Páginas: 360
1° Edição: novembro de 2009
Preço médio: R$ 68,00
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Sábado, 09.12.2009 às 10:40

Foi ontem (06) o encerramento do Phoenix Jazz – Festival Internacional, em Praia do Forte. Fui pelo show de Stanley Jordan, como todo mundo. Fomos: Nira, Júnior, Lessandra e eu. A Praça São Francisco é terna e morna, mesmo quando venta, mas Praia do Forte, de franciscana, não tem nada. Tudo muito caro e metido a besta! Enfim, fomos pelo show de Stanley Jordan, que começou já meio tarde, como eu previa. Antes tivemos, todos os que estávamos na praça/praia, até São Francisco, que agüentar a banda montada especialmente para comemorar os 30 anos do Projeto Tamar: Casco e Cabeça. Uma das piores coisas já surgidas sobre a face da terra e nas profundezas do mar, para usar um recurso de linguagem afeito a eles. Baseado em conscientização ambiental (e com um estilo que pode ser definido como gospel infantil) o show da Casco e Cabeça deu vontade de sair por aí sujando todas as praias do mundo e estrangulando tartaruguinhas. Até em São Francisco, o padroeiro dos animais. O show, em si, era uma poluição.
Mas aí veio Stanley Jordan, para salvar a noite, a mim, as tartarugas, e até as bestas e os. Para não falar no santo de sandálias. Ele entrou no palco, passou os dedos (quantos dedos eram? 15?) nas cordas e começou a chover. Sim, chovia lá fora e aqui, dentro em mim, o calor colava. Rapidamente a chuva passou. Chuvisco. Enquanto no palco Stanley Jordan chovia, ventava, relampejava e fazia sol. Não era um guitarrista, era uma força da natureza. Uma natureza bestial. Aquilo sim era campanha em favor dos bichos, das águas, da música e dos homens. Alessandra observou bem, “quando ele toca sozinho é melhor ainda. Os outros só atrapalham.” E os outros eram dois grandes virtuoses: Ivan Conti, o Mamão, na bateria e o baixo de Dudu Lima. Na verdade o show foi sensacional do início ao fim. Sem brechas. Sobretudo que no fim subiu o nosso grande Armandinho, o venerável. Mas de fato, quando Stanley Jordan estava sozinho com suas 15 mãos e 33 guitarras, a alta-voltagem de informação sonora deixava-nos ainda mais atônitos e ainda mais felizes.
Mas se -talvez pela técnica do americano de unir harmonia e melodia como ninguém faz na guitarra, preenchendo quase totalmente o campo sonoro- até Armandinho me pareceu pequeno diante de Stanley Jordan, a música brasileira, ao contrário, mostrou uma vez mais o tamanho do seu poder. O guitarrista se rendeu e rendeu várias homenagens ao valor da música de nossa gente bronzeada. Tocou um samba buliçoso que eu não sei de quem é (ou mesmo se tem autor); tocou Insensatez (Ave Tom Jobim!); Tocou Tico-Tico no Fubá (com Armandinho) e ainda com este, O Trenzinho do Caipira, lendo o meu pensamento, que era naquela hora: “só faltou Villa Lobos para completar o panteão nacional”. A verdade é que não faltou nada. Se fossemos falar em quilômetros, o show de Stanley Jordan dava pra levar Alessandra até Olímpia a dar um beijo em Zé e Marcinha e voltar a tempo de tomar um sorvete comigo em casa. Deixando no caminho infinitas distâncias de praias para sempre limpas e reluzentes. Quem perdeu, perdeu.
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Domingo, 07.12.2009 às 10:02

Este final de semana tem coisas para se fazer em Salvador e redondezas. O Rei Roberto, por óbvio demais, vai ficar de fora da minha lista de recomendos. Mas eu ouvi dizer que ainda restam ingressos para quem quer ir. A estréia do filme novo do Almodóvar, Abraços Partidos, é sempre uma boa notícia, principalmente que ele atacou novamente de Penélope Cruz. Na verdade estou torcendo por uma redenção da parceria, já que eu não gostei de Volver (2006), mesmo com aquele cartaz lindíssimo!
Outro programa imperdível é o show de Stanley Jordan no Phoenix Jazz – Festival Internacional, em Praia do Forte, de graça, na praça da Igreja de São Francisco. O Festival começa nesta sexta (04) e vai até domingo, que é o dia da apresentação do guitarrista. Hoje tem o maestro Fred Dantas e Luiz Caldas, a partir das 20h10. Amanhã é a vez de Armandinho e Carlinhos Brown, a partir das 18h. E domingão sobem ao palco o grupo musical infantil do Nordeste de Amaralina Estrelas Musicais e Stanley Jordan. Entre os guitarristas velozes e furiosos, ele se destaca por ser o mais doce e delicado, mesmo com aquela altura de jogador de basquete.
Voltando a Salvador, neste sábado, tem o Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes, na Boomerangue. A quinta edição da festa rola às 22h, com convidados como Mauro Pithon (Bestiário), Nancy Viégas, Paulinho Oliveira, Theo Filho (Os irmãos da Bailarina), Saulo Gama, Emanuel Magno, Danny Nascimento (Lou) e Edson Rosa (Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta). Os ingressos estarão à venda no local a R$ 15 (até meia-noite) e R$ 20 (após meia-noite).
Outra coisa ainda é o IX Mercado Cultural, embora ele esteja em franca decadência. Basta comparar a programação com a de anos anteriores. A desta edição você confere aqui. A Marcha da Maconha não deixa de ser uma programação cultural. E por aí vai... Cansei de dar dicas. Abraço!
Domingo, 04.12.2009 às 11:49

Puxa vida, como eu gosto da Orkestra Rumpilezz! Hoje mesmo, dia três de dezembro, eles vão lançar o seu primeiro (e disputadíssimo) cd -Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz- no mesmo lugar em que tocaram no dia em que eu conheci a Lelê: Largo do Pelourinho. Recapitulando: Hoje (03), tem show de lançamento do 1° cd da Orkestra Rumpilezz, no Largo do Pelourinho, às 18 horas. Imperdível!
A noite conta ainda com shows de Fabiana Cozza e Gerônimo. Para encorajar os que estão por fora, vou transcrever os depoimentos de alguns sujeitos a respeito do negócio. 1 - “Impressionante. Adorei os arranjos.” Eumir Deodato. 2 - “A Orkestra Rumpilezz é o que há de mais interessante na música. Não estou falando do Brasil, mas sim, do mundo.” Ed Motta. 3- “Nunca esperei tanto por um disco na minha vida.” Max de Castro. 4- “A musica é muito forte e original. É muito bom ouvir uma música assim.” Airto Moreira. Tá bom né? Abraço!
Quinta-Feira, 03.12.2009 às 11:59

Vi hoje pela primeira vez a Playboy com a Fernanda Young. Quando anunciou que ía mostrar a xereca na revista, Fernanda enumerou 10 motivos que a levaram a tomar a decisão, sendo o décimo: “Não existem ex-BBB’s suficientes (aleluia)”. As fotos da escritora com aquela cara de pessoa-profunda-que-aceitou-posar-nua-para-mostrar-que-além-de-profunda-é-pra-frente só conseguiram me convencer do quanto é difícil “salvar o erotismo das mãos da breguice”, o primeiro ‘motivo’ alegado por Fernanda Young.
O problema é que a Fernanda Young é tão cheia de intenções e argumentos (sempre medianos, mas que parecem profundos já que o pensamento brasileiro anda abaixo do pré-sal) que ela não consegue ficar nua de fato. Em todas as fotos está lá aquela cara sempre nos lembrando que aquela cara ali peladinha é a chata da Fernanda Young, que não sabe sequer tirar a roupa só por tirar. Ela não é nunca uma mulher nua, como até uma ex-BBB consegue ser, ela é sempre a Fernanda Young, a que já nasceu vestida. Agora escrevendo isto aqui, fui conferir se o ensaio era mesmo em preto e branco, como eu lembrava. Não é. Quando Jofre, filho de Nelson Rodrigues, produziu uma adaptação de um texto do pai para o cinema, e fez um arremedo meio cult do universo rodrigueano, o autor comentou: -”Não sei não meu filho, achei muito preto e branco”. Réplica: -“Mas pai, o filme É em preto e branco”. Nelson Rodrigues: -“Pois é, mas tá preto e branco demais”. Assim é a Fernanda Young nua na Playboy, preto e branco demais.
Mas o P&B da Fernanda Young não pode ser confundido com preto-no-branco. O que me atrapalhou foi justamente a quantidade de matizes que ela impõe à nudez. É uma bunda muito cheia de justificativas pro meu gosto. Aliás, a bunda dela é um rosto. Não um gosto, mas um gesto. Ela não consegue se livrar da expressão de quem quer a todo custo se expressar, e com isso deixa andaimes demais à mostra. Da nudez a gente espera exatamente o oposto disso. A inteligência da Fernanda Young é como a de Daniela Mercury, esforçada demais, reivindicada demais. Enquanto a Ivete Sangalo parece que está sempre nua, mesmo se usar uma batina. Não sou muito leitor de Playboy. Aqui na redação chegam algumas e eu vejo. Minha relação com a masturbação começou bem tarde e segurar uma revista na hora dá muito trabalho. Mas lembro de um ensaio com a Maitê Proença, na Itália, “entre señoritos velhinhos / cujos olhos nunca envelhecem”. Fotos, por sinal, do mesmo Bob Wolfenson. Ali sim o erotismo se safou da breguice de um modo que até as ex-BBB’s gostaram.
Para fazer justiça, aquela foto da Fernanda Young com o dedo enfiado, usando uma espécie de cinta (é uma cinta mesmo? Sei lá) ficou muito sensual. Boa. Quase vale uma visita ao banheiro. Talvez porque o rosto inquiridor da moça não aparece. Nunca acompanhei o Big Brother. E na verdade a Playboy da Priscila (que na tv me parecia extremamente gostosa) foi outra decepção. Não gosto das mulheres que mais costumam pintar nesses programas. Sou seduzido pelas inteligentes, auto-afirmativas etc. Não tenho medo da mulher livre e empresária. Ao contrário. Na verdade, dos 10 motivos da Fernanda, o que eu mais gosto é um que inclui por antecipação esta minha crítica: "estou me lixando para o que os idiotas vão achar". Mas da mesma forma que o Festival do Cinema Brasileiro na TV fez o poeta sentir saudades das novelas, a Playboy com a Fernanda Young me faz pedir, pelo amor de deus, Bial, produza ex-BBB’s o suficiente. Amém!
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Sexta-Feira, 26.11.2009 às 11:08

Sou batizado na igreja católica como quase todo mundo que conheço. Mas nunca fui católico, como quase todo mundo que conheço. Eu ainda menos, nunca figurei sequer entre os não-praticantes. Nunca gostei dos santos. Sempre fui fascinado pela limpeza (não me entendam mal, por favor) promovida por Lutero. Nem Maria jamais ganhou um tostão das minhas preces. Até que um belo dia li um resumo da vida de Francisco de Bernardone, filho de um rico comerciante que deu a louca e resolveu largar tudo para virar o Santo Francisco de Assis. Não posso dizer que aquilo não me converteu. Sou um ateu-franciscano. Hoje em dia acredito muito mais nos santos que em Deus. E se a oração de São Francisco traduzida por Manuel Bandeira é a coisa mais linda, a Igreja e o Convento de São Francisco aqui em Salvador, também são. Amanhã (24) será lançado o livro Igreja e Convento de São Francisco da Bahia (Versal, R$190/468 páginas), às 19h30, no Palacete das Artes Rodin Bahia (Graça).
Naquele largo de São Francisco bate um dos melhores ventinhos do mundo. Principalmente depois que um francês abriu a Le Glacier Laporte, com sorvetes sensacionais feitos por ele mesmo, dentre os quais eu recomendo o Martinique, de chocolate com laranja. A Igreja e o Convento foram classificados como uma das ‘Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo’ e indicados à eleição das ‘7 Maravilhas do Brasil’. Estou muito curioso para saber as estórias da História daquilo tudo. Mas, se por um lado eu acho linda a fachada em estilo plateresco (única no país), o poema que escrevi sobre ela ressalta antes um certo matinho que teimava em nascer ali, violando a solenidade barroca, “como se sendo o amor do próprio Christo”. É uma enorme contradição que o santo que largou tudo para abraçar a sua amada pobreza, e através dela encontrou a graça, seja celebrado num templo de ouro onde ele mesmo seria barrado se viesse coberto dos trapos que o cobriam. Eu sou franciscano, a igreja é que não é.
O livro, organizado por Maria Helena Ochi Flexor e frei Hugo Fragoso, venceu o Prêmio Clarival do Prado Valladares, da Odebrecht. Clarival, além de médico, crítico e poeta que experimentou inclusive a poesia concreta, foi casado com a irmã caçula de Norberto Odebrecht, o que lhe garantiu patrocínio (muito antes dessa voga de incentivo fiscal do governo) para os seus belos projetos artísticos. E o que era melhor, sem a caretice que infecciona a atual onda de editais e projetos e não-sei-o-que-mais... Voltando ao livro, o trabalho de Maria Helena e frei Fragoso promete preencher uma importante lacuna e dar conta da trajetória completa da igreja e do convento. “Sempre foram feitas obras pontuais, mas não havia uma que contasse toda a história da ordem”, afirma o frei Alfons Schoemaker, 72 anos, guardião do convento. Meu amigo Cazinho vai querer comprar um. Eu vou pegar emprestado com ele. Sou pobre que nem São Francisco. Mas esperto, comprei por R$5 (ou talvez R$8) um exemplar de O Irmão de Assis (de Ignácio Larrañaga), num sebo de rua, um dos poucos livros que me surpreenderam muito ultimamente. Os passarinhos que a Lelê põe pra dormir no fio de telefone lá de casa nem suspeitam da minha lisura.
SERVIÇO:
Livro: Igreja e Convento de São Francisco da Bahia
Organizadores: Maria Helena Ochi Flexor e frei Hugo Fragoso (Editora Versal - R$190/468 págs.) à venda em dezembro.
Lançamento: Terça-feira (24), 19h30, no Palacete das Artes Rodin Bahia (Graça).
Quinta-Feira, 23.11.2009 às 11:23

Hoje estou sem tempo para escrever porque vou sair para entrevistar a Mãe Stella de Oxóssi, no Ilê Axé Opô Afonjá. De qualquer forma fica aí abaixo o meu recado. Estarei lá. Abraço.
“O Ciclo de Cinema e Filosofia III ano acontece hoje (18) com a exibição de ‘Tenda dos Milagres’, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. O filme é uma adaptação do romance de Jorge Amado, que neste ano completa 40 anos de publicação.
Após a exibição do filme, o Prof. Ms. Marcos Roberto de Santana, autor da obra ‘Jorge Amado e os Ritos de Baianidade – Um Estudo em Tenda dos Milagres’, fará uma apresentação do seu livro e análise do filme a partir da obra que representa um marco histórico na literatura amadiana. Em ‘Tenda dos Milagres’, Jorge Amado assume posições mais radicais na construção de um visual de baianidade ainda muito pouco discutido. O enredo se passa no inicio do século XX, quando o bedel da Faculdade de Medicina passa a defender a raça dos seus ancestrais africanos.
Neste evento, realizado pelo grupo PET-Filosofia em parceria com a Casa de Cinema e a Livraria LDM, acontece um agradável encontro que junta o entretenimento do cinema com reflexões filosóficas”.
O quê: III Ciclo de Cinema e Filosofia.
Onde: Livraria LDM – Rua Direita da Piedade n° 22 (Quase em frente ao Banco do Brasil e próximo à sede da Polícia Civil).
Quando: 18 de novembro, às 17h.
ENTRADA FRANCA
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Sexta-Feira, 18.11.2009 às 09:25

Há 50 anos morria o maestro Heitor Villa Lobos. "Quem o viu um dia comandando o coro de 40 mil vozes adolescentes, no estádio do Vasco da Gama, não pode esquecê-lo nunca. Era a fúria organizando-se em ritmo, tornando-se melodia e criando a comunhão mais generosa, ardente e purificadora que seria possível conceber", disse Carlos Drummond de Andrade. O nome dele chegava a mim, na infância, revestido de uma saborosa mitologia concernente a todos os da semana de 22. Qualquer um de quem eu ouvisse dizer que tinha sido vaiado, ganhava o meu orgulho. Mas a música de Villa só bateu em mim, realmente, pelas mãos de Egberto Gismonti, naquele Trem Caipira, com arranjos turbinados por teclados eletrônicos. O Felipe Oliveira me disse que a turma fã do Gismonti considera o disco uma traição.
A aproximação de Glauber Rocha ao compositor (de todos os que me interessam muito, ele foi o único que preferiu Villa a Oswald no rol dos modernistas) também merece destaque e análise. Eu já disse aqui mesmo o quanto gosto da obra para violão de Villa Lobos, e das interpretações de Turíbio Santos para ela. Augusto de Campos, um dos caras que melhor ouvem música no mundo, me disse que embora não tenha escrito nada sobre Villa Lobos, pretende fazê-lo um dia. Para quem leu O Balanço da Bossa e Outras Bossas e Música de Invenção, só resta esperar com os olhos cheios d’água.
Augusto disse ainda que considera a obra de Villa muito vasta e, por isso, muito desigual. “Prefiro a fase dos choros, que é excelente”, disse. E destacou duas peças, como dicas para mim, que eu repasso: Noneto e Quarteto Místico. Essas composições foram executadas pelo próprio Villa Lobos em 1924, em Paris, o centro cultural do mundo à época. É ainda Augusto de Campos quem me diz que, no ano passado, saiu na Inglaterra um álbum com o tal concerto parisiense refeito, numa pequena edição da qual ele conseguiu comprar um exemplar. O poeta, no entanto, classifica a última fase de Villa Lobos como “muito ruim, aparatosa demais”. Já Turíbio Santos, diretor do Museu Villa Lobos, atribui o problema das sinfonias do compositor à má qualidade das Orquestras no Brasil e à falta de swing das boas orquestras estrangeiras, para interpretar com cadência de samba o segundo movimento da Bachianas Brasileiras n° 5, por exemplo. Mas ressalta que o nível local está em franca ascensão -com o trabalho de John Neschling e Eleazar de Carvalho- e que enfim poderemos saborear o biscoito fino para grandes formações fabricado pela cachola fervente de Villa Lobos.
Prefiro fugir da praxe das palavras de elogio ao maestro ‘cinqüenterrado’, e prossigo nesta homenagem com sabor de coisa didática, aconselhando as interpretações balançadas de Paulo Moura. Inclusive tem um vídeo bacana no Youtube, com ele tocando uma Melodia Sobre o Prelúdio N° 1. Procurem. Villa Lobos não quis sufocar nem mitificar o ‘jeitinho brasileiro’, mas em alguns casos conseguiu as duas coisas. Tom Jobim passou uns tempos querendo ser ele. E só a Dora Vasconcelos escreveu uma letra que caiu bem em uma sua música (nem das de Manduca Piá eu gosto). Termino com a sua declaração célebre e manjada: “Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade, sem esperar resposta”.
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Terça-Feira, 17.11.2009 às 12:00