Cheio de Arte



RE-REDUCHAMP: AUGUSTO DE CAMPOS




 

Quem estiver hoje (22) em São Paulo, tem que ir à Casa das Rosas para o lançamento de Reduchamp (Augusto de Campos e Júlio Plaza). É a segunda edição desta aventura intersemiótica de Augusto/Plaza. Ou seja, é um re-Reduchamp! A primeira leva saiu em 1976 pela S.T.R.I.P. A parceria desses dois sempre deu em artefatos de classe: Caixa Preta e Poemóbiles. No caso entra o Marcel Duchamp como elemento instigador-dissecado. Não ouso dizer mentor. 

Pena que eu 'tô na Bahia. E se estivesse em Sampa certamente seria no interior, porque a vida é mais importante que a arte. Mas pedi para a linda Amanda Camillo ir lá dar um beijo e uma abraço no nosso maior poeta. Tomara que não mate o velho. Este Reduchamp ressaindo assim numa época em que todo mundo é artista conceitual-visual-pós-moderno, é de uma importância extrema. Na mesma ocasião será relançado também O Guesa, de J. de Souzândrade, pela primeira vez impresso numa edição não fac simile, desde a última edição londrina do fim do séc. XIX. A introdução é de Augusto. 

Quem opera os milagres é a auspiciosa (para alguns, hospiciosa) parceria entre o selo Demônio Negro e a Editora Annablume. Tomara que a distribuição alcance a nossa cidadezinha aqui, tão carente, meu deus! E é bom lembrar que o incansável Augusto de Campos (que este ano já lançou Byron e Keats: Entreversos, ed. da Unicamp), tem na manga ainda AUGUST STRAMM: POEMAS-ESTALACTITES e VALÉRY: A SERPENTE E O PENSAR. Além do projeto gráfico do disco novo de Cid Campos. Sem falar no projeto de reedição da obra inteira de Ronaldo Azeredo: Pensamento Impresso. Isso porque, segundo ele me disse, aos 78 anos não se tem mais o mesmo pique para trabalhar! É mole? Vamos juntar dinheiro, aguardar e se jogar.   


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Sábado, 22.09.2009 às 11:34
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DICA DE LIVRO: TODO ENFIADO EM PAGU





O Todo Enfiado da ex-professora Jaqueline era um prato cheio para discussões extremamente ricas sob diversos aspectos e sobre muitos assuntos. Há questões propriamente musicais; Questões sociais/comportamentais, que passam por exemplo pela perda de influência da Igreja Católica e seu neo-judaísmo na vida sexual da sociedade; Questões de classe e estratificação social; Ou a emancipação da mulher ainda mal assimilada por muitos homens e mal gerida por muitas mulheres (e vice-versa); Questões até raciais, uma vez que a História da respeitabilidade do samba passa pela influência do negro na sociedade (e mais vice-versa); E tudo isso enfiado no mesmo saco, se manifestando através daquela cena sensual/escatológica que causou diversão e espanto ingênuos à população brasileira.

Qual o quê? Tudo que o episódio proporcionou nos meios de comunicação, em geral, foi uma enxurrada de bobagens e oportunismo. Houve um tempo em que Nelson Rodrigues escrevia sobre futebol no jornal. E todo mundo lia. Houve um tempo em que Haroldo de Campos também mandava os seus textos para os jornais do país e antecipava a ‘obra de arte aberta’, dando furo em Umberto Eco. Não aceito que, hoje em dia, só haja espaço para as pessoas mais caretas e mais abobalhadas. Não importa o assunto, o nível da discussão tem que ser sempre subterrâneo, porque senão, argumentam, o povo não vai entender. Que palpite infeliz! Mas vamos ao verdadeiro tema do dia: “Paixão Pagu: A Autobiografia Precoce de Patrícia Galvão”. Minha dica de livro. Trata-se de uma carta escrita por Pagu ao seu segundo e definitivo marido, Geraldo Ferraz, em que ela abre a sua vida de maneira muito mais arreganhada do que o YouTube permitiria. Mas de modo tão santo que deveria ser ungido pelo Vaticano.

Narrando apenas suas experiências próprias, aquela Patrícia Galvão (São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910 — Santos, 12 de dezembro de 1962) acaba por nos revelar coisas íntimas e fundamentais do modernismo brasileiro, do comunismo brasileiro e da alma da mulher (se é que isso existe). É o que deveria ter sido feito a partir da dança do Todo Enfiado, afinal, até James Joyce sabe que é da mulher que vem a chave para abrir os mistérios do mundo. Pagu passou à estória como uma figura libertária e avançada e acho que é por isso que tanto me comoveram as revelações de suas frustrações sexuais. O seu amor conturbado com o grande poeta Oswald de Andrade, descobridor do Brasil. A maternidade. O amor de Geraldo Ferraz. O amor. Por que ninguém perguntou a Pagu se ela concorda com demissão da professora? Dizer que é porque ela está morta não é desculpa.

Alguns trechos, de amostra grátis: “Era uma moleca impossível... Eu me sentia à margem das outras vidas e esperava pacientemente minha oportunidade de evasão”. Sobre a perda do que teria sido o seu 1° filho, em um banho de rio imprudente: “Fui para a maternidade. Todos os brinquedos que já havia comprado. O cadaverzinho. As crianças nascendo normalmente a meu lado. Aquela linda que a enfermeira me trouxe. Penso que odiei todas as crianças do mundo. Eu queria que aquela linda morresse”. E sobre uma desilusão com OA: “Cheguei ao quarto de Oswald. Não havia ninguém. Um criado do hotel me indicou outro quarto. Bati. Oswald estava com uma mulher. Mandou-me entrar. Apresentou-me a ela como sua noiva. Falou de nosso casamento no dia imediato. Uma noiva moderna e liberal capaz de compreender e aceitar a liberdade sexual. Eu aceitei, mas não compreendi”. O lance é assim. Sinceridade 100%. 

Hoje existe vasto material em referência/reverência à ‘mulher do povo’, que se tornou um mito. Mas eu prefiro recomendar, por ora, apenas este livrinho que comprei para dar de presente à minha filha Wendy mas estou retendo comigo: “Paixão Pagu: A Autobiografia Precoce de Patrícia Galvão”. A música de Rita Lee também merece menção, sobretudo no contexto em que comecei o meu argumento: “Eu sou pau pra toda obra / Deus dá asas à minha cobra / (...) / Minha força não é bruta / Não sou freira / Nem sou puta... // Porque nem! / Toda feiticeira é corcunda / Nem! / Toda brasileira é bunda / Meu peito não é de silicone / Sou mais macho / Que muito homem”. O livro saiu pela editora Agir em 2005, são 164 páginas.

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Quarta-Feira, 18.09.2009 às 09:30
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ARNALDO ANTUNES DO IÊ IÊ IÊ




Veja o clipe oficial de 'Longe'




Esse cara é fera! Sempre que Arnaldo Antunes lança alguma coisa eu corro pra cima como formiga no mel. Quando ele saiu dos Titãs, minha banda favorita na infância, eu passei um tempão sem vê-lo. Um dia, tendo adquirido o hábito de dormir no sofá de casa, acordei na madrugada diante da televisão ligada e lá estava passando na TVE (sempre ela) um show do Arnaldo: Ninguém! Enlouqueci. Acordei minha irmã no quarto e a trouxe para a sala. Um psicanalista diria que eu precisava de alguém para confirmar a veracidade daquilo. Úúú fenomenal! Passei três noites sem dormir e dali pra cá fiz de Arnaldo Antunes o meu Prometeu. Não sei quem lhe devora o fígado, mas que ele sabe se renovar mesmo sem deixar a costeleta crescer, lá isso sabe.

O novo disco se chama Iê Iê Iê. “(...) é uma palavra que não está no dicionário, mas todo mundo sabe o que significa”. Recomendo a leitura do release que ele publicou em seu site, do qual extraio esse trecho: “Gosto da idéia de dar a um disco o nome de um gênero. Lembro do Rock'n' Roll, de John Lennon, que me marcou fortemente. Mas, ao passo em que ele abordava uma modalidade musical que continuou existindo, mudando e se atualizando, seu repertório apresentava clássicos, relidos com emoção e verdade na voz de Lennon. // Já IÊ IÊ IÊ não é um álbum de releituras, mas de canções inéditas, a maior parte delas feita recentemente (por mim, com alguns parceiros como Marisa Monte, Carlinhos Brown, Liminha, Paulo Miklos, Branco Mello, Ortinho, Betão Aguiar e Marcelo Jeneci, entre outros), dentro desse estilo, ou ao menos concebidas como algo próximo a ele, nas melodias, timbres, ritmos e vocais”.

Ainda nem ouvi o disco direito, é óbvio, mas o cara sempre vem com algumas coisas geniais logo de cara: “a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer”. Também dá para ouvir o disco no site oficial de Arnaldo. O que será que ele acha das novas configurações da distribuição de música que a internet impõe e possibilita? Resposta: “Acho maravilhoso as pessoas terem acesso livre a qualquer música, poder baixar; parece uma utopia concretizada, um sonho. Ao mesmo tempo, é uma conquista da sociedade o artista ser remunerado pelo seu trabalho artístico; aquilo é uma profissão reconhecida. Nós vivemos em uma época maravilhosa de acesso à informação, uma coisa que é difícil ter volta. Mas temos que pensar novas formas de remuneração para o trabalho artístico”. É mais ou menos o que a Mariella disse no papo que levamos aqui mesmo. 

Enfim, vão comprar, baixar, emprestar, alugar, o que for... mas ouçam o disco novo do Arnaldo Antunes.


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Terça-Feira, 15.09.2009 às 12:37
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RAMIRO MUSOTTO: LAMENTO DE UMA CORDA SÓ






A música brasileira está precisando de um banho-de-folhas. Meus heróis vêm morrendo das causas mais diversas: da overdose ao câncer. Dessa vez foi Ramiro Musotto, percussionista e produtor musical argentino-baiano, 45 anos, de câncer no estômago, na madrugada desta sexta (11). É curioso como a gente gosta de falar/homenagear na hora da morte. Justo no momento em que o slogan da funerária diz sabiamente que ‘faltam as palavras’. Por outro lado: "Se morrer, nesta vida, não é novo/ Tampouco há novidade em estar vivo". Falarei sobre Ramiro Musotto na hora da morte, como cabe a um jornalista tolo. Mas se tem alguém que sempre me socorre na hora da morte é o camarada Maiakovski: "Nesta vida/ Morrer não é difícil/ O difícil/ É a vida e seu ofício".

Ramiro Musotto vinha fazendo um trabalho necessário, sobretudo em seu caso de amor com o berimbau, aquele instrumento de uma corda só, usado como símbolo da burrice dos baianos por um professor da UFBA. “Tanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada”. Justamente por ter uma corda só, o instrumento nas mãos do argentino surpreendia pela variação sonora que emanava. Acompanhando ou fazendo o seu, Ramiro Musotto era sempre um músico de personalidade evidente. Aliás, o uso de projeções de imagens nos shows da Orchestra Sudaka, principalmente na música que dialoga com ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, é o melhor que já vi.

Outro aliás: ele abriu o show de Manu Chao na Concha Acústica este ano, e para mim foi muito melhor que o francês. Na verdade eu odiei o show de Manu, que em disco idolatro, e só não xinguei mais e fiquei mais...(acho que não posso escrever puto aqui) por causa do ótimo show de abertura. O de Manu Chao foi muito ruim exatamente pela falta de sutilezas e melismas (por um som brutamontes e sem balanço) que ele tão bem usa nos discos e que Ramiro Musotto soube mostrar ser capacidade do monocórdio, mas policromático, berimbau. Se a Bahia não estivesse tão burra quanto um professor da UFBA, todo mundo teria pedido bis de Ramiro Musotto e Orchestra Sudaka ao final do show de Manu Chao. Eu pedi, mas ninguém ouviu.

Agora Ramiro Musotto morreu e eu tenho ainda menores chances de socorro diante dos brutamontes do mundo inteiro. Tenho medo de ser queimado como um ônibus qualquer pela maluqueira geral em que Salvador está se tornando. Tomara que os meninos que estavam próximos dele tocando e aprendendo, como meu chapa Ícaro, saibam dar seguimento ao lance. Voltando ao berimbau dos burros, naquela ocasião pensei imediatamente em cabaça/cabeça e lembrei-me de três nomes: Walter Smetak (com seus instrumentos-escultura-semi-desabrigados), Ramiro Musotto (morto) e Walter Franco, autor de Cabeça (de quem ninguém se lembra). Dá pra fazer um negócio do bom com esse trio-elétrico. De qualquer forma a primavera vem chegando e nós temos renovadas as nossas capacidades criativas. Estou feliz e esperançoso e quero deixar registrado nesta pequena homenagem a Ramiro Musotto. Como diz o ditado: quem espera sempre ao câncer. 

Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos




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Segunda-Feira, 11.09.2009 às 12:23
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DIVULGANDO MAIS BLOGS NO BAHIA NOTÍCIAS




E aqui está uma nova leva de blogs indicados. Dessa vez escolhi os jornalísticos. Foram tantos que lotaram a minha magra caixa de emails que é bem provável que eu venha com novas indicações neste mesmo, digamos, seguimento. É bom esclarecer que os blogs de conteúdo jornalístico, mas com abordagem literária ou semi-literária (crônicas e etc.), ficarão para outra vez. Os blogs de poetas e artistas também devem estar atentos, pois a sua hora vai chegar.

Quero avisar ao Frank, que enviou dois emails sobre o blog da Lilia Simões, de Ipirá, que os danados vieram vazios. Mande novamente, com links dessa vez. Escolhi logo de cara um blog do Subúrbio Ferroviário: Subúrbio News. Não apenas porque gosto muito daquela região e não apenas por ser uma região ainda muito carente de visibilidade em sua peculiar condição: nem centro (como a Liberdade), nem orla (como a Pituba). O principal é que gostei mesmo do blog. Mudando muito, mas não mudando muito, recomendo também o Blog do Rio Vermelho. Ambos produzem suas próprias notícias e focam bastante em seus lugares. Gosto!

Outros recomendados:     

Carlino Souza


Blog do Velame


Segurança da (sua) Tecnologia da Informação e Comunicação


Blog do Cidadão




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Sexta-Feira, 10.09.2009 às 11:50
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CÉZAR MENDES EM DUAS CANÇÕES




Cézar Mendes: Sobre o seu modo de compor e sobre Itapuana



Tenho duas lembranças fundamentais de Cézar Mendes. A primeira: show de Arnaldo Antunes na Concha Acústica do TCA, 2001, lançamento do disco Paradeiro. Eu sabia que Arnaldo tinha feito uma versão de Exagerado (Cazuza) para o cd. Pensando em Judiaria (Lupicínio Rodrigues), que AA cantou de forma raivosa, eu esperava uma versão exageradamente rock da canção. O show seguia muito bom. Muito bom mesmo, quem foi se lembra. E então Arnaldo convidou Cézar Mendes ao palco... Mas Cézar não veio ao palco, ele ficou em Itapuã e o palco foi até ele. E quando começou a tocar, todos nós na platéia (eu mais do que todos) também estávamos em Itapuã. O músico de bermuda, chinelo, colares, anéis e alma puríssima conduziu e acompanhou a melhor versão de Exagerado que já ouvi. Virei fã! 

 A segunda lembrança é de uma aparição sua no programa Aprovado, na televisão baiana. Ali ele tocava e cantava uma composição própria, por coincidência em parceria com Arnaldo Antunes: Itapuana! Os mesmo anéis, os mesmos colares. Óculos escuros. A sua figura me passava emoção semelhante à que eu sinto diante das capas dos discos de Miles Davis: modernidade. Uma aura de relaxamento que se sobrepunha mesmo ao seu grande e evidente domínio técnico do instrumento e dava a este um alcance ainda mais correto. Havia um dom. Comentei com alguém: ‘taí um grande compositor.

Acabamos nos conhecendo em Santo Amaro (diz ele que foi Zeca Veloso quem nos apresentou, mas lembro de tê-lo abordado antes para falar justamente de Itapuana) e passamos a conversar com certa freqüência via eme-esse-ene. Um dia, depois de ter se tornado leitor quase-freqüente desta coluna, Cézar me orgulhou muito ao dizer que gostaria de saber o que eu teria a escrever sobre suas composições. E, pensando em todas elas, acredito poder lançar a única meia-luzinha que qualquer texto pode lançar sobre canções tão bonitas, a partir de duas: Músico (com Carlinhos Brown) e a já citada Itapuana (com o já citado Arnaldo Antunes). Claro que Aquele Frevo Axé é um clássico. Claro que Delegada é um charme. Etc. Mas essas duas, especialmente, podem, ao meu ver, servir de pequena biografia do músico de Itapuã Cezar Mendes. E olha que esse bairro é de uma ‘responsa’ musical terrível!

Músico é, segundo o próprio diz no vídeo acima, a única para a qual ele sugeriu algo na letra: “Eu sou o músico / Eu sou acústico / Eu sei do tom”, são versos-mote dele que Brown seguiu. E seguiu dizendo, a certa altura: “Caminhos como esse / Violão lidera / Levo você a tiracolo / Livre das Guerras”. Mais que as outras coisas, este trecho me parece ter sido escrito para parecer ter sido escrito pelo músico. É ele falando através de Carlinhos Brown. E Itapuana é uma psicografia de Arnaldo Antunes em louvor do lugar onde Cézar vive há 25 anos já. E só lamenta não ter ido antes para lá. O certo mesmo é que quem tiver ouvidos ouça ambas as canções. No Saiba, de Arnaldo, tem Itapuana. No Omelete Man, de Brown, está Músico, com arranjo de Chiquinho de Moraes. No youtube tem uma versão desta com Marisa, Cézar, Brown e Bebo Valdez, extraído do filme El Milagro De Candeall (Fernando Trueba), que eu tenho até que devolver o dvd ao dono. A verdade é que não tenho nada a dizer sobre as músicas de Cézar Mendes. São elas que me dizem tudo!


PS: Cézar, a Lelê mandou um beijo pra você também. Feiticeiras paulistas e nós, homens frágeis...



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Quinta-Feira, 04.09.2009 às 10:15
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SUPER-JOVENS E ETERNAS-CRIANÇAS





[POR FEDERICA CAMMAROTA]:

Eu nasci hoje.
Hoje mesmo eu vim ao mundo. E pensar que eu nasci já com 32 anos. Esse é o problema. De fato a minha geração nasce a cada dia, e a cada nascimento leva um dia a mais. É um absurdo. Um paradoxo. Viver sem perspectiva de crescer. Evoluir. De resto, como evoluir se seguimos na pressão pós-geracional dos velhos Super-Jovens, que além do que já construíram nas próprias vidas e carreiras, ainda estão à procura do sucesso, da fama, da imortalidade? Com essa tendência a ficar bem agarrados nas próprias cargas, posições, até parece que eles mesmos não chegaram a ser completamente satisfeitos da própria obra. Ninguém parece ficar em paz consigo mesmo; todo mundo ainda tem alguma coisinha pra dizer; ninguém parece ter vontade de deixar o próprio lugar, conquistado há 40 anos.

Trata-se de uma nova ditadura, muito mais sutil, quase psicológico-patriarcal, feita provavelmente pelos mesmos que lutaram contra o antigo opressor. Nem essa presente geração fica suficientemente motivada para resgatar a própria independência e identidade cultural. É tudo tão confortável! Reclusos nos nossos quartinhos com todos os novos brinquedos que papai nos deu de presente: o blog, o chat, o myspace, o fotolog, etc. Meninos gigantes isolados de si mesmos. Isolados da crueldade das próprias imagens reais e serenados pelo feitiço da transformação virtual. Se seguirmos sendo eternamente crianças, os nossos pais nunca irão envelhecer e morrer.

Aleitados pela propaganda da preguiça, mamados pela indolência, criados na impotência de tomar qualquer uma atitude, brincamos à vida de adulto, sedando as nossas consciências frente às angustias naturais dos seres humanos, mas que nos parecem monstros horríveis. Esse desespero existencial nos leva à ilusão da procura de nós mesmos, através das formas mais várias que tornam-se estilo de vida, boêmias ou psicodélicas, hippies ou new-age, para atingir finalmente ao conhecimento, a compreensão da vida, ao controle dos nossos medos: seja com cocaina, com anti -depressivos ou com o Santo Daime. Passamos a última quinzena vivendo de inúteis revivals: culpados de não ter imaginação nem vontade para mudar o mundo.

Presos frente à infinidade de informações a que podemos (na teoria, pelo menos) atingir, o mundo tornou-se vasto demais para nós. Está tudo aqui na nossa frente:  todos os lugares que nunca iremos viver; todas as coisas que nunca vamos possuir; todas as músicas que não vamos conseguir ouvir; todas as pessoas que nunca iremos pegar nos braços. É tudo demais pras nossas normalmente pequenas vidas. Com esse grande problema pra resolver, onde pegamos o lance de sonhar? Onde a força de escolher entre milhões de futuros/possibilidades?

Assim seguimos imóveis, precisando ainda terrivelmente que esses “big-parents” nos peguem pela mão. Tomara que já não precisemos de pais: o que se faz necessário para nos é encontrar mestres, mentores. Sábios que já entenderam as coisas da vida, cujos cabelos brancos sejam sinônimo de experiência e juízo, e não de sensualidade à George Clooney, que as meninas com 20 anos gostam tanto. Alguém que nos mostre o caminho, mas que nos deixe andar sozinhos. Precisamos de mecenas que acreditem na expressão dos novos talentos, dos nos novos gênios, dos novos estilos, pois é duro conseguir encontrar dinheiro para organizar exposições, produzir peças ou filmes, publicar discos e livros. Nós precisamos de alguém que nos ensine as regras da competição, não de alguém que ainda quer competir conosco.

Apesar da indolência em que flutuamos, existe sim uma geração de novos artistas, que procuram, nas óbvias dificuldades, uma solução diferente e independente para divulgar as próprias idéias e os próprios projetos. É o caso da cineasta paulista Vera Egito, que no mês de maio passado abriu e fechou com dois curta-metragens, sobre o tema da conexão entre vidas paralelas, por ela dirigidas, a Semana Da Crítica em Cannes. Posso falar do poeta mineiro Pablo Barros, cujos poemas são fagulhas existencialistas, e do mesmo James Martins, que todos conhecemos e que coloca na sua poesia-instantânea flashes lingüísticos. Falo do Alexandre Santini, ator, dramaturgo e “grio aprendiz”, criado no histórico grupo carioca ‘Tá Na Rua’, que faz do desenvolvimento sócio-cultural a própria missão artística em cada canto do Brasil. Do Fernando Martins, fotógrafo, cujos retratos aparecem freudianos; do Luiz Venâncio, compositor, que parece o condensado de um século de samba, em todas as suas variações. Cito por amor pátrio alguns italianos também: o diretor teatral e artista visual Sebastiano Deva que navega na lúcida loucura, mostrando através da experiência artística os pontos de crise da sociedade; o pintor piemontes Pietro Romano, que ‘bypassa’ o horror da realidade em suas instalações. E não quero esquecer a hiperbólica caneta do Alessandro Aulisio, herdeiro do Cortázar, com uma ponta de irônica resignação romântica que tempera o tudo. 

Poderia continuar, mas quero que seja um ‘imput’ à reflexao, não um saco “cheio de arte”. Aliás, esses nomes desconhecidos já seriam suficientes para organizar um novo movimento. Paciência, temos que ter paciência: antes ou depois as vagas de adultos vão ficar novamente livres. Por enquanto, vou bater um papinho lá no MSN… 


*(Federica Cammarota é uma artista napolitana que pretende se tornar 'soteronapolitana'. É cantora, compositora e professora de música. E minha amiga.)



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Segunda-Feira, 03.09.2009 às 11:20
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GILBERTO GIL: MÚSICA BEM FALADA




Foto: James Martins / Bahia Notícias


Foi ontem (01) a esperada participação de Gilberto Gil no Música Falada. Para quem ainda não conhece o projeto, organizado pela galera do Roda Baiana (programa de rádio), Música Falada não é um momento de declamação de letras de música despidas de suas respectivas melodias, mas um show onde, além de cantar/tocar, o artista conta casos, revê sua trajetória, responde a perguntas etc. etc. Pois bem, desde que eu soube que o próximo seria Gilberto Gil, pensei: vai ser Música Tagarelada! Porque, se o sujeito em qüestão já fala pelos cotovelos quando é show normal, imaginem só!

O show foi longo e bom e Gil, afinal, não enfastiou ninguém com parlapatices além da conta. Escolhi ‘parlapatice’ ao invés de tagarelice, por exemplo, para seguir a tendência de vocabulário exuberante do citado. Não teve uma canção nova sequer, mas, paradoxalmente, GG cantou a sua primeira composição, ‘Felicidade Vem Depois’, nunca gravada por ele. Gostei particularmente da coesão e da pegada da banda, formada por Alex Fonseca (bateria), Arthur Maia (baixo), Sérgio Chiavazzolli (guitarras + bandolim), Ben Gil (guitarras, percussão) e o próprio, com o seu violão + guitarra. Algumas composições foram apresentadas em versões muito diferentes do original e me agradaram especialmente, como Super-Homem (a Canção) e as conversões pulsantes no final de Vamos Fugir. 

Aos 67 anos, Gilberto Gil demonstrou não só boa memória, mas também visão ampla e aberta para o futuro. Analisou toda a estrutura dos modos de produção no capitalismo para se alinhar com a liberação de informações na rede mundial de computadores (e mesmo com a pirataria, em certa medida). E arrancou aplausos de todos ao se declarar favorável à liberação do uso da maconha: “Os danos que o crime causa são infinitamente maiores que os males que a erva possa causar”, raciocinou. Fernando Guerreiro ainda ressaltou que nunca ouviu falar em morte por overdose de maconha, o que me fez comentar com Gilson Dultra, meu amigo: -Você só morre de overdose de maconha se um caminhão carregado da erva te atropelar.

Entre as coisas curiosas que Gil contou, uma das mais engraçadas foi, sem dúvida, a lembrança (e para nós a revelação) de Naná Vasconcelos como baterista da banda da aeronáutica, em Recife, naquela lendária viagem pré-tropicalista do cantor. O também percussionista Jonga Cunha não escondeu a surpresa: -“Eu não sabia disso não”! Gil, na lata: -“Tem tanta coisa que a gente não sabe”. Os risos foram gerais. Algumas vezes a platéia ria do vocabulário um tanto pernóstico do ex-ministro, mas eu achei mesmo que havia certo exagero e uma mitificação da coisa, por que ele nem disse nada de outro mundo. ‘Clubístico’, por exemplo, usado para defender a estranha tese de que em breve todos torceremos por vários clubes, com alternância de época (seis meses Bahia, seis meses Vitória, no outro ano Colo-Colo de Ilhéus...), é um termo até comum e, entretanto, o povo se entreolhava, como a querer dizer: “Viu só, isso é coisa de Gilberto Gil”!

Senti falta de uma coisa no papo: bossa-nova. Os organizadores começaram cronologicamente e Jonga perguntou a Gil se ele pediu o seu primeiro violão quando pensou em ser músico. Como sabemos, Gil começou tocando acordeão e redisse isso. Tocou ‘Procissão’ ajudado por uma sanfoninha, de maneira comovente. Então achei que a coisa fosse evoluir para a descoberta do tal do violão, via João Gilberto. Mas não. O papo mudou de rumo, foi da Tropicália à Internet, mas não passou pela bossa. Para terminar devo dizer que considero GG o melhor músico em atividade no mundo (brasileiros são modestos demais e hão de julgar que exagero, pena), e por isso saí de lá com a sensação de que faltou alguma coisa além da menção à bossa-nova. Nem sei do que, mas saí com alguma ausência fatal. Lembro de Nelson Rodrigues defendendo Pelé contra os que cobraram mais do grande jogador em certa partida. Argumentava o cronista: “Queriam que o crioulo batesse o escanteio e cabeceasse na área ao mesmo tempo?” Na verdade acho que era isso que eu esperava de Gil. E, querem saber? Já o vi fazer.  


PS: A assessoria me deu um lugar tão longe do palco que aquela foi a melhor foto que consegui, quase estrangulando o zoom da máquina.


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Segunda-Feira, 02.09.2009 às 11:44
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BELCHIOR: A VOLTA DO QUE NÃO FOI





Então ficamos sabendo, no Fantástico, que Belchior sumiu. Até o programa avisar, ninguém lá em casa tinha reparado. Até mesmo os parentes do cantor pareceram surpresos com a abordagem da equipe da Globo. Depois foi o frisson na imprensa mundial e na internet universal. Só faltaram acordar o já velhinho Sherlock Holmes para cuidar do caso. Agora, acerte que eu dou um doce: Quem encontrou Belchior? Acertou: o próprio Fantástico! Não é mesmo fantástico?

B
elchior está no Uruguai, com sua mulher, numa pousada que alguns jornais chamam de cabana para dar um clima mais épico. Pronto. Ele não quis falar das supostas dívidas e coisas assim, argumentando com inviolável lucidez: “não me interesso pela vida privada de ninguém”. Pronto. A matéria me parecia cada vez mais tediosa, principalmente quando o grande compositor (diga-se que eu adoro suas canções) revelou que está traduzindo sua música para o espanhol. Pensei: o cara não quer mais saber de compor mesmo. Até que veio o que para mim é uma bomba. Uma revelação: “Tô compondo muito... quero fazer para o próximo ano um trabalho com canções inéditas”. Matei a charada.

É só reparar, Belchior tem diversos discos, mas todos com as mesmíssimas composições. Sempre aquela meia dúzia, com arranjos diferentes e seqüências diversas. E eu sempre suspeitei do seguinte: alguém fez aquelas obras-primas assinadas pelo cearense. Esse alguém morreu ou fugiu. E Belchior, para não arriscar comprometer a qualidade, resolveu regravar. Só pode ser isso. Agora o cara encontrou outro compositor ermitão -ou talvez tenha reencontrado o mesmo- escondido nos cafundós do Uruguai, e este anda a compor os futuros novos sucessos de Belchior. Não é simples? O Fantástico podia investigar. Acho a mesma coisa de Djavan. Com a diferença de que este resolveu se arriscar sozinho e passou a fazer um monte de merda. Quer prova? Compare ‘Oceano’ (1989) a ‘Um Amor Puro’ (1999).

O fato é que estou ansioso por um repertório novo de Belchior. E por um novo Djavan de novo. Aliás, Jorge Vercillo começou como uma imitação de Djavan e hoje parece que este é quem imita Jorge Vercillo. É como aquele programa Zorra Total, onde a Globo copia o padrão de ‘desqualidade’ do SBT. Mas a história da popularidade na TV brasileira merece um capítulo à parte. Voltando a Belchior: hoje é aniversário de Alessandra Benini, a minha melhor fotógrafa. Ela anda meio sumida também. E eu já passei dos 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul. Alô Fantástico, procurem-na e tragam para mim. Digam que eu pago todas as suas dívidas. Digam que eu como todas as suas dúvidas. Digam que eu tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo para bater palmas diante do bolo.  


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Sexta-Feira, 31.08.2009 às 12:59
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XUXA, SASHA E O PROFESSOR PASQUALI




Montagem: Tiago Melo / Bahia Notícias


Só porque a filha de Xuxa escreveu ‘sena’ ao invés de ‘cena’, no twitter, a galera caiu matando. Já vi erros piores e de gente com bem mais que 11 anos. Por exemplo: a rainha-mãe, ao invés de ficar quieta, botar a menina numa banca, etc. preferiu partir pra briga e veio com ‘cete predas nas mão contra os fãs’. A desculpa de Xuxa: "Para quem não sabe, minha filha foi alfabetizada em inglês. Vou pensar muito em colocá-la para falar com vocês, ela não merece ouvir certas m...". Ou seja, Sasha pode ser analfabeta em português porque em inglês ela manja tudo! Então que vá conversar com a rainha Elizabeth ou com Joel Santana. E para que alfabetizar a menina em inglês se ela mora no Brasil? Eu também não mereço ouvir certas merdas...

Voltando ao erro, repito, já vi bem piores. Xuxa podia ter acusado toda a imprensa brasileira de maltratar a gramática e ainda receber para isso. E de ter influenciado mal a sua prole. Mas aposto que Sasha só lê tablóides anglófonos. Um dia desses, certo colunista escreveu que alguém abordou outrem de forma ‘insistiva’. Um carrinho de cachorro-quente na Pça. da Soledade estampa, numa plotagem bonita, ‘Auuuuuutas Horas’. E não está simulando o uivo do cão. Eu gosto muito de gramática, mas também cometo meus deslizes. O que tem me assombrado, entretanto, é essa epidemia de erros ortográficos que pegou até na princesa dos baixinhos. Todo mundo escreve errado. Não há mais referência. Sempre achei que quem lê muito escreve certo. Já foi assim. Hoje em dia os escritores, cientistas, jornalistas, professores e gramáticos escrevem tudo errado também e só propagam o vírus. Seria bem melhor se o Mário de Andrade tivesse escrito ‘melhor’ ao invés de ‘mió’. Mas no caso dele era voluntário. Os de hoje escrevem errado por não saberem escrever.

Acho que a questão está toda aí: vontade! Os que vêm falar em ‘preconceito lingüístico’ para esculhambar o professor Pasquali, por exemplo, não levam em conta que o povo, analfabetizado em português mesmo, não tem outra escolha. As desculpas usadas são ‘a nível de’ Xuxa. Um exemplo, para ser claro: ‘boneca de louca’! No álbum de uma amiga de Nardele Gomes, no Orkut, uma foto tem (ou tinha) esta legenda: ‘boneca de louca’. A moça posa com sensualidade. Acho que significa ‘boneca de louÇa’. E é assim que justificam os erros. Se você entendeu, é o que importa. Argumentam. Isso é falso! Quem garante que eu entendi? E que os libertários anti-gramaticais entenderam? Significa dizer que a moça não tem o direito de querer dizer exatamente o que disse: boneca de louCa mesmo! Os patronos do povo, neste caso, colocam palavras na boca de lá ele. O povo só pode ser involuntário? A gramática é o que garante vontade e poder. Senão a expressão ‘rio de cum força’ pode virar ‘de cum forca’. E nem todo mundo tem uma Xuxa na defesa.

Por falar em Xuxa, ela podia dizer que Sasha confundiu ‘cena’ com ‘sena’ por ouvir muito o nome do ex-piloto e ex-namorado da mãe, Ayrton Senna. Pelo menos seria engraçadinho. Mas ao defender o erro da filha que só sabe de inglês para lá, a nossa rainha fez o favor de revelar, involuntariamente, o mesmo esnobismo que se esconde por detrás da demagogia dos que falam contra os brasileiros aprenderem certas regras. Claro que eu também sou a favor da língua viva e dinâmica contra a ‘gramatiquice’ estanque, mas o buraco é mais embaixo. E esse pessoal nunca desceu aqui de verdade. Xuxa podia ter sido mais bem humorada e humilde. Afinal, no seu abecedário, eu aprendi que A é de amor, B de baixinho, C de coração...


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Terça-Feira, 27.08.2009 às 12:27
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