Entre Vistas
Nossa colunista Mônica Gallas foi à Secretaria de Segurança Pública nesta quinta-feira (4) e fez uma entrevista descontraída com o nosso secretário de Segurança Pública, Cesar Nunes. Na ocasião, ela aproveitou para colher algumas informações que todo mundo gosta de saber. Acompanhe!
MG – Queria começar nossa entrevista apresentando o seu currículo. Conte-nos um pouco de sua história profissional até chegar ao posto de secretário de Segurança Pública.
CN - Eu ingressei como agente da polícia federal em 1973, trabalhei inicialmente em Belém do Pará, depois fui transferido pra Ilhéus e Salvador. Me formei em direito e fiz o concurso para delegado. Como delegado, trabalhei em várias capitais, na fronteira. Exerci muitos cargos e o mais importante deles foi o de chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal da Bahia, onde permaneci por 10 anos, no combate às drogas e trabalhei durante 28 anos da minha vida policial no combate ao narcotráfico. Exerci cargos de Adido Policial na Colômbia, junto à Embaixada do Brasil naquele país e fui superintendente da Polícia Federal de Sergipe e Bahia. Fui convidado em 2008, pelo Governador Jaques Wagner, à assumir a Secretaria.
MG – Quantos filhos?
CN – Três filhos: Renata, Paula e Cesinha.
MG – O que Cesar Nunes faz para tentar diminuir o stress e a tensão?
CN - Caminho na Orla de Salvador e faço ginástica!
MG – Qual o hobby do secretário?
CN - Andar... Gostaria muito de velejar, mas ainda não tenho dinheiro para comprar o meu barco. Quando tiver, será um sonho concretizado.
MG – Seu perfume:
CN - Polo Blue
MG – Melhor bebida:
CN – Uísque
MG – Time de futebol:
CN – Todos eles (risos)
MG – Comida preferida:
CN – Peixe
MG – Cidade:
CN – Salvador
MG – Uma música:
CN – Qualquer uma de Caetano Veloso ou Chico Buarque de Holanda
MG – Bom, vamos ficar mais sérios! Que não é fácil, nós já sabemos, então, nos fale sobre as dificuldades e desafios encontrados à frente da SSP.
CN - Eu acredito que o maior desafio é você promover a integração entre as polícias. Nunca pensamos em promover a unificação, nós sabemos que as instituições todas que compõem a Secretaria têm suas peculiaridades, tradições, inclusive por serem instituições bicentenárias. O que nós temos que fazer mesmo é a integração entre essas instituições, já que uma complementa o trabalho da outra, e todas tem um objetivo comum que é dar segurança pública.
MG – Existe um comparativo entre ser Superintendente da Polícia Federal e ser Secretário de Segurança Pública?
CN - Ser superintendente da Polícia Federal é infinitamente mais tranqüilo, sem dúvida alguma. Os encargos das Polícias Civil, Militar e Técnica são enormes, pois elas atacam o código penal de A a Z, todas as leis especiais de crimes, enquanto a Polícia Federal investiga basicamente de 25 a 30 tipos penais. Então, as competências das polícias Civil e Militar são muito grandes, um trabalho muito difícil. Estamos vivendo uma criminalidade muito violenta, assim sendo, é muito mais trabalhoso, complicado, você ser Secretário de Segurança Pública de um estado como a Bahia. Até o contingente das polícias é muito diferente, sendo de 40 mil, entre policiais Civis, Militares e da Polícia Técnica, enquanto na Federal não temos nem 500 policiais. Pensando assim, acredito que a Polícia Federal seja uma pequena gota nesse aparato de Segurança Pública.
MG – Quais as prioridades da sua gestão?
CN - Para sermos sucintos, temos que aliar tecnologia com o efetivo policial, capacitar os policiais para que eles possam bem cumprir essa difícil missão que é ser policial.
MG – Quais os principais projetos que estão sendo trabalhados pela SSP?
CN - Reestruturação de todas as unidades policiais. Dentro da Policia Militar, já tivemos um grande avanço: a recomposição de grande parte do efetivo, mas ainda precisamos de mais policiais, da mesma forma recompor o efetivo das polícias Civil e Técnica, trazer novos equipamentos, veículos, motocicletas e até helicóptero. Estamos aparelhando a superintendência de inteligência, e além das estruturas físicas, estamos buscando também recompor salários, conforme o governo vem fazendo.
MG – Soubemos que foi lançado um projeto de combate às drogas, sendo esse o maior problema da polícia no País. Conte-nos no que consiste esse projeto e que apelo o senhor faz à população no sentido de ajudar esse combate?
CN - Nós tivemos uma reunião com os secretários de Segurança Pública em Brasília, em Dezembro de 2009, onde todos foram unânimes em afirmar que o grande problema da Segurança Pública em todos os estados brasileiros chama-se Crack. Eu acredito que a forma mais eficaz de combate a essa droga é a prevenção, que é feita com campanhas de massa, o que nunca vimos nesse país. Agora o governo do estado lançou uma campanha de prevenção ao uso da droga, e está fazendo isso em parceria com todos os órgãos de comunicação do estado. Embora essa não deva ser uma campanha apenas do governo do estado, mas também da sociedade. Essa droga, o Crack, é responsável por 80% dos homicídios do estado, gerando uma violência muito grande. Vamos todos aderir a essa campanha, começando dentro de casa, com a nossa família. Assim, certamente, cuidando desses valores, alcançaremos nosso objetivo, que é pelo menos diminuir o uso da droga.
MG – Todo governo fala que Segurança pública é prioridade. Em sua opinião, isso tem acontecido em relação à Bahia pelos governos Estadual e Federal?
CN - Para o governo do estado da Bahia, em nome do governador Jacques Wagner, a Segurança Pública é, sim, uma prioridade. Foram incorporados mais de 5,4 mil homens à Policia Militar, policiais Civis contratados, mais de 1,8 mil viaturas compradas, equipamentos, aproximadamente 5,8 mil coletes à prova de bala foram adquiridos . Até porque o governo sabe que a violência gera problemas sociais, levando o Estado ao caos.
MG – Atacar a polícia é muito fácil. Responsabilizá-la também. Mas e o Sistema Penal Brasileiro?Justiça Criminal, Leis Penais, Sistema prisional e mais a questão social? Como o senhor vê essas questões?
CN - A polícia é a instituição que primeiro recebe a bofetada, do fator social. Por tudo de ruim que ocorre, culpam a polícia. Todos nós sabemos que o que gera violência é a falta de educação, emprego, religiosidade, culto aos valores familiares. O nosso sistema judicial é muito lento, não temos um atendimento prévio, a exemplo dos furtos simples, que muitas vezes demoram seis meses para serem julgados. O nosso sistema prisional, já é histórico, está defasado, e não consegue mudar da noite pro dia, mas estamos tentando.
MG – O governo adquiriu inúmeras viaturas. Quantas? Para onde? Capital ou Interior?
CN - Desde 2008, já foram mais de 1,8 mil viaturas. Estamos adquirindo 550 camionetes, que serão distribuídas para quase todos os municípios do estado da Bahia, e vamos fortalecer aquelas cidades que tem maior necessidade de viaturas. Estamos adquirindo também, até o dia 4 de abril, mais um helicóptero que fortalecerá o Grupamento Aéreo da Polícia Militar e isso dará mobilidade à tropa. Estamos fazendo também um convênio com a SENASP para aquisição de um avião para 14 passageiros, o que também nos dará maior mobilidade, porque num estado grande como a Bahia, onde temos municípios a mais de 1,1 mil km de distância, tudo favorecerá muito a atuação das polícias.
MG – Falando do Interior do estado, porque a estrutura ainda é precária?
CN – Realmente, nós temos algumas cidades do interior em que a estrutura física das delegacias e das companhias da Policia Militar deixam muito a desejar. Temos alguns projetos de mudança, estamos captando recursos junto com a Secretaria de Planejamento para que esses projetos venham a ser executados e, assim, teremos melhorias nessas estruturas.
MG – Vamos falar de Carnaval. Quantos homens nas ruas? Quais as inovações na Segurança esse ano?
CN – Temos, em Salvador, a maior festa do planeta a céu aberto, uma estimativa de 1,7 milhão de pessoas por dia nas ruas dos seis bairros onde teremos festa de Carnaval e teremos ainda 13 outros municípios onde haverá festa de Carnaval. Um total de 26 mil policiais trabalhará nessas festas para garantir a segurança. Aliado a isso, estamos buscando tecnologia para dar maior efetividade a esse policiamento. Montamos uma rede de 15 km de fibra ótica, que abrange os dois principais circuitos do Carnaval, exclusivos para a Secretaria de Segurança Pública, onde poderemos colocar qualquer equipamento para transmissão de dados, imagens com velocidade e definição incríveis. Serão 1,2 mil rádios ligados ao sistema tetra de comunicação, que é o sistema mais avançado do mundo, e que está instalado em Salvador e Região Metropolitana. Esses rádios possuem GPS que facilitará a localização das patrulhas. Aliados a isso, estão sendo adquiridos também 225 smartphones Blackberry para consultas de todos os dados de identificação dos indivíduos, inclusive antecedentes criminais e fotos com informações divulgadas em rede.
MG – Temos, hoje, aproximadamente 100% de lotação nos hotéis prevista para o Carnaval. Vamos orientar os foliões?
CN – Registramos um crescimento de 40% na procura pelos blocos de Carnaval em Salvador. Perspectiva de multidão. Todos devem ter o conhecimento de que temos uma delegacia digital. Portanto, quem perder documento ou for furtado poderá registrar sua ocorrência pela internet, não precisando se dirigir a uma delegacia. No site da delegacia digital, você imprime sua própria certidão, validado pela Secretaria. Divulgaremos locais de melhor acesso, teremos câmeras para garantir esse acesso seguro para os foliões, há uma operação chamada Folia e Paz da Polícia Militar, que cuida do retorno do folião para sua casa. Serão 60 guarnições fazendo essa segurança a partir da meia–noite e até as 6 da manhã. Não devem levar documentos originais, bastam cópias. E teremos 182 postos da polícia, trabalhando 24 horas.
MG – Estão acontecendo muitos eventos em Salvador com foco em Segurança Pública. Alguns aconteceram em 2009 e serão mais em 2010. Quais serão e porque em Salvador?
CN - Salvador é a preferência mundial do turismo e vamos sediar o maior evento internacional patrocinado pela ONU. Será a 12ª Convenção da ONU, que acontece a cada cinco anos. Será a primeira vez na America do Sul. Para se ter idéia da importância dessa convenção, cujo tema girará em torno da Justiça Criminal e Segurança Pública, ela dará a base mundial para legislações. Já temos confirmados 135 países no evento, que acontecerá no Centro de Convenções da Bahia, que se tornará território da ONU. O secretário geral da ONU virá à Bahia desfrutar também da beleza da nossa capital e a simpatia do nosso povo.
MG – Hoje em dia, sempre que abrem empresas novas, pensamos em lavagem de dinheiro. Foi divulgada a implantação de um laboratório voltado para esse combate. Já está ativado? Como funciona?
CN - Esse laboratório está pronto. Nós recebemos equipamentos da Secretaria Nacional de Justiça e Ministério da Justiça, temos policias treinados e capacitados, faremos outros cursos para capacitar novos policiais. Esse laboratório consiste em um conjunto de softwares que permite a análise financeira das pessoas investigadas em pouco tempo, portanto teremos alta tecnologia disponível para esse tipo de investigação. Combatendo corrupção e lavagem de dinheiro.
MG – Para finalizar, eleições. A polícia trabalha dobrado em ano de eleição na capital e no interior. Exploração política na área de Segurança pública é fato? Como o senhor lida com isso? O senhor será candidato?
CN – A exploração política da polícia acabou. Acabou e acabou mesmo! Não se tem notícia, neste governo, por determinação do Governador Jaques Wagner, da movimentação de policiais por pedidos políticos. O Governador deu uma orientação pessoalmente: “Cada um pode ter a sua escolha política e deve ter, não quero que protejam os meus, cumpram a lei”. São palavras do Governador Jaques Wagner. Não tivemos, durante as eleições, a movimentação de nenhum policial. A polícia é para fazer investigação sobre crime, é para dar segurança. E, não. Não serei candidato, não pretendo ser, não tenho jeito para isso. Eu sou parecido com papel de embrulhar prego (risos), mas admiro quem faz política, nossos parlamentares, mas... Eu não tenho jeito para a carreira política.
MG – Algum apelo aos nossos leitores?
CN - Vamos todos participar dessa campanha contra o Crack. O Crack efetivamente mata, vicia, destrói o indivíduo, destrói famílias e muitas vidas. Se todos participarem, teremos uma diminuição dessa violência que está estragando o nosso país! Obrigado a você e ao Bahia Notícias pela oportunidade.
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