
Colunista Social
16/05/2012 - 08:50
15/05/2012 - 10:57
Empresário baianos se reúnem no III Fórum de Liderança.
Em cartaz na galeria do Goethe Institut (ICBA) até esta semana, a exposição fotográfica ‘Olhar em Repouso’ diz muito sobre quem está por trás das lentes de cada registro. São cerca de 60 fotos, em diferentes lugares do mundo, e que em comum têm um olhar de contemplação diante de um tempo que prima pela velocidade. A fotógrafa e estudante de Arquitetura, Patrícia Almeida, autora dos cliques, conversou com o Bahia Notícias sobre como surgiu a ideia de sua primeira exposição individual, sobre as interseções entre fotografia e arquitetura e também sobre a explosão dos efeitos vintage nas fotografias e a recuperação de um certo “tempo lento”. “Tem muita essa discussão de que é difícil ser fotógrafo. Mas se você pensar, todo mundo pode ser fotógrafo, basta ter uma câmera. E o Istangram é justamente isso, usar efeitos de uma câmera mais antiga, mais vintage, aplicar um filtro legal. Eu acho bacana. Democratizar a produção, esse é um debate interessante de ser feito”.
15/05/2012 - 22:20
Hebert
Essa lista ai falta muita gente tipo: Ivete, chiclete e ASA.
14/05/2012 - 21:32
Cláudio pereira

Antes de tudo devo explicar que não há contradição no fato d’eu concordar (e apoiar) a decisão do secretário de cultura da Paraíba, Sr. Chico César, e discordar do projeto da deputada estadual Luiza Maia (PT). Para quem não sabe do que se trata, vamos lá. Chico César decidiu que o governo daquele estado não vai apoiar (ou seja, pagar), durante o São João, shows de bandas do assim chamado “forró de plástico”: a saber, Calcinha Preta, Magníficos, etc. Alegou para isso que o dinheiro é pouco e que, então, a função do Estado seria usá-lo no incentivo a manifestações importantes que ficam, cotidianamente, fora das rádios e TVs (concessões públicas). Concordo. Já a deputada petista defende quase a mesma coisa, com a diferença de que ela usou um argumento estético-feminista: seu Projeto de Lei nº 19.203/2011 prevê não pagar com recursos públicos apresentações de grupos de pagode que, com músicas e danças, possam ofender a figura feminina ou fazer apologia à violência. Aí eu discordo. E muito. Quando defendi Chico César deixei bem claro que só o fiz porque, naquele caso, a medida não configurava censura, tutelamento do gosto, prejuízo à liberdade de expressão ou coisa que o valha. Mas o projeto da deputada Luiza Maia é exatamente isso. Como seria enquadrado, por exemplo, um show que tivesse no repertório a música de Noel Rosa que diz “O maior castigo que eu te dou / É não te bater / Pois sei que gostas de apanhar”?
Eis o que eu quero dizer: este negócio de o Estado pretender autoridade para fazer julgamento moral sobre obras de arte nunca deu certo e nem vai dar. Adolfo Hitler (um artista plástico meeiro), por exemplo, também se considerava grande crítico de arte em nome da salvação da humanidade e censurou dos museus alemães as obras que considerava “degeneradas” e que, hoje, reconhecemos (ou será que Luiza Maia discorda?) como as mais importantes do século. Até porque, nem toda cachorra significa a mesma coisa. E nem toda tcheca é igual. E nem todo tapinha dói. É preciso, como disse Tom Jobim de João Gilberto, não subestimar a sensibilidade do povo. Vejamos aquela música do É o Tchan que diz: “Em um concurso dentro da roda-de-samba / Onde eu tinha que julgar / Tinha baiana, americana, italiana / Gente de todo lugar / Mas a gatinha escolhida / Era a tcheca bem sapeca pra sambar. // (...) Ô pega a tcheca, solta a tcheca / Leva a tcheca, põe a tcheca pra sambar”. É um bom jogo lingüístico esse de tcheca (natural da Tchecoslováquia) com tcheca (apócope de xereca = vagina). A malícia maravilhosa do samba. Já a música ‘Rala a tcheca no asfalto’, da Black Style, não permite a mesma sutileza mental. É ruim, monocórdia, não é duplo sentido como muitos pensam, só tem um. Ou seja, essas músicas que parecem ter tudo a ver são muito diferentes. Mas será que os gênios das Secretarias de Cultura saberão separar alhos de bugalhos? Ou será, ainda, que a minha leitura das canções é que é injusta e insuficiente? Pode ser. E aí está o perigo de querer se meter a censor. Enquanto eu erro aqui, tudo bem, mas querer fazer disso um critério de proporções tais às que o Projeto 19.203/2011 pretende, é perigosíssimo. O que um projeto deste tipo teria a dizer sobre o teatro de Nelson Rodrigues? Ou sobre o Lupicínio Rodrigues?
Não vou muito longe. As músicas da chamada Axé Music serão consideradas inofensivas? Sob quais pontos de vista? A música da Rodinha, sucesso primordial de Sarajane, pode ou não pode? É claro que eu sei que, nos planos (ao menos nos declarados) da deputada Luiza Maia não está impedir a produção e nem a veiculação das músicas consideradas impróprias, machistas, desrespeitosas, etc. Logo, não há, em princípio, censura. Ela postula apenas que o governo não contrate shows com tal repertório. O problema, como tento demonstrar aqui, é que essa discriminação de ordem moral-ideológica não combina com a democracia inata ao mundo das artes e o Estado não se pode permitir aderir a tal ponto de vista. Seria um retrocesso enormíssimo. E, além disso, é fácil ver como é difícil exercer tal julgamento. O próprio Chico Buarque, amado das mulheres do Brasil, sofreu com a incompreensão feminista diante de sua ‘Mulheres de Atenas’. A canção, irônica, parece incentivar uma postura submissa das mulheres, enquanto diz, subterraneamente, o oposto. E aí? O governo não contrataria um show de Chico com essa música? Ou faria, como o movimento negro sugeriu ao MEC em relação a Monteiro Lobato, uma nota explicativa de que aquela mensagem está (sic) errada? Ou vão usar a desculpa de que Chico pode e Robyssão não? O critério vai ser de qualidade estética? E quem será o juiz? A prefeitura vai contratar Teodoro Adorno ou a própria Luiza Maia vai avaliar letra por letra, dança por dança? Por falar nos perigos da interpretação, o grande moralista (no sentido clássico da palavra) Nelson Rodrigues, pai do teatro nacional, foi sempre acusado de imoral por suas peças cheias de incestos, traições, crimes passionais, etc. etc. Mesmo almas elevadíssimas, como o poeta Manuel Bandeira, um fã confesso do dramaturgo, chegou à incompreensão. Em dado momento ele teria perguntado a Nelson por que ele não escrevia sobre “pessoas normais”. E, eis o que Nelson quis responder (mas a timidez não permitiu): que escrevia exatamente sobre pessoas normalíssimas, como eles mesmos, Bandeira e Nelson. O tempo e a psicanálise cada vez mais o dão razão. Por falar em feminismo, destaco que Nelson Rodrigues emprestou o título deste artigo: “Toda mulher gosta de apanhar”, repetiu várias vezes.
Mas a deputada Luiza Maia defende o seu projeto: “Nós temos que barrar isso. É uma coisa assim muito absurda. Não tem sentido. É um tipo de música muito ruim. Incentiva a violência, desqualifica a mulher. É um monte de maluquice que não tem cabimento. Eu acho que um estado que chamou pra si a responsabilidade de acabar, ou diminuir, pelo menos, a desigualdade entre homens e mulheres não pode estar pagando”, disse à Tribuna da Bahia, usando gerúndio de operador de telemarketing. E revelou que já tem aliados: “Em Camaçari mesmo, o prefeito Luiz Caetano já disse para o coordenador de eventos: ‘Não pago nenhuma banda que venha para cá com essas músicas de baixaria, nem com música que desqualifique a mulher’. Suponho, com isso, que teremos em Camaçari um concerto com os instrumentos (plásticas-sonoras) de Walter Smetak, para tentar equilibrar os destemperos da indústria do entretenimento que avilta a Bahia. Qual o quê? O dinheiro público vai ser, outra vez, aplicado em shows totalmente comprometidos com a mesma indústria da diversão, os que, realmente, não precisam de dinheiro público porque gozam grande prestígio na iniciativa privada, inclusive (e principalmente) as concessões públicas. Vou dar um exemplo: acho Jauperi um grande talento. Mas não vejo porque ele precisa de apoio do governo para fazer shows/ensaios de verão e ainda cobrar ingressos caríssimos. O dinheiro público (a intervenção estatal) deve servir para equilibrar as relações de mercado. E só. E é com isso (mas não só com isso) que se formará um público, uma população mais apta a filtrar o joio do trigo. Não com propostas estúpidas de censura a qualquer gênero musical, nem com patrulhamento moral-ideológico de gosto duvidoso. Então, essa medida da deputada Luiza Maia não resolve nada. É apenas um lance demagógico, inconstitucional, para fazer média com a comunidade feminista, aquela que, segundo o mesmo Nelson Rodrigues, pretende transformar a mulher em um macho mal acabado. Ressalva: tenho duas filhas e uma mulher, acredito no feminino como um caminho para a evolução da humanidade. Escrevi: “dias mulheres virão / toda nudez será castidade”. E quero terminar citando a música Tapa na Cara, polêmica de outro carnaval.
A composição de Alex Xela dividiu o Carnaval de 2001 porque dizia que determinada mulher, sempre que eles “faziam amor”, o pedia para dar-lhe uns tapas na cara. Respondam: essa música incentiva a violência? Quando um homem atende ao pedido sexual de uma mulher, isso é violência contra a mulher? É uma interpretação, perdoem a franqueza, absurda. Mas muita gente, como Daniela Mercury, aderiu a ela. Já Carlinhos Brown apoiou a música. E a discussão correu mundo sem definição, até porque, em se tratando de arte, definições talvez não sejam mesmo possíveis. Eis o que quero dizer: num caso desses, qual seria a postura do governo? Esperar um veredicto do conselho para decidir contratar o show ou não? E volto a perguntar: quem seria o júri? A polêmica frase de Nelson Rodrigues que dá nome a este artigo ainda hoje intriga estudiosos e fãs do escritor. É evidente que ela não tem o significado rasteiro que apresenta à primeira leitura. Ela teria o poder de incentivar a violência contra mulher? Deve ser censurada? Curioso como a jornalista Christina Autran, que deu o mesmo nome a um livro de entrevistas, perguntou a Nelson Rodrigues: -“E no seu caso, por exemplo, o senhor bate na sua mulher?”. Resposta: -“Mas, meu coração, eu disse que a mulher gosta de apanhar, não que o homem gosta de bater”. O pior, ou melhor, é que no frigir dos ovos eu e a deputada Luiza Maia damos no mesmo fim. Também acho que o governo não deve destinar dinheiro a nenhuma banda de pagode. Mas, no meu caso, apenas porque o dinheiro é pouco e as necessidades muitas e as bandas de pagode podem muito bem se virar sozinhas vendendo seus lucrativos shows a empresários. Acho também que discutir o teor e a qualidade da música, da literatura, dos filmes, da televisão que se consome é sempre válido e no nosso caso urgente. E o pagode, cá pra nós, está mesmo uma merda. Mas, acredito que essa demagogia parlamentar não vá longe. Falando nisso, vi um show da Camisa de Vênus, pago pelo Estado, em que cantaram a clássica “Ô Silvia, piranha!!!”. Como é que fica Luiza Maia? Porém, Nelson Rodrigues fez uma ressalva à sua máxima: “Nem toda mulher gosta de apanhar. Só as normais. As neuróticas reagem”. Este projeto seria uma neurose ou uma mistificação?
PS: Aliás, acabo de lembrar aquela música da Gang do Samba que diz, ‘feministamente’: “Nesse samba tão gostoso / Comadre não pode vadiar / Pois Compadre lhe prendeu / Disse que, se sair, vai apanhar. // A comadre entra na roda / sambando que nem mulher de bamba / Mostra que ninguém resiste ao swing da Gang do Samba (...)”. Maravilha!
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