'É uma história de amor', diz Glória Pires sobre 'Flores Raras', que estreia nesta sexta
Dezoito anos se passaram desde a compra dos direitos do livro “Flores Raras e Banalíssimas”, de Carmen L. Oliveira, até a chegada do filme “Flores Raras” às salas de cinema de todo o Brasil nesta sexta-feira (15). O filme, dirigido por Bruno Barreto e protagonizado por Glória Pires e pela australiana Miranda Otto, se passa no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60 e conta a história de amor entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (interpretada pela primeira) – criadora do Aterro do Flamengo, um dos cartões postais da Cidade Maravilhosa – e a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (interpretada pela segunda). 
 
Glória Pires está no projeto desde o início, antes mesmo do diretor Bruno Barreto – que foi convidado anos depois por sua mãe, também produtora do filme. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (12), em Salvador, Glória Pires e Bruno Barreto comemoram o fato de o filme estrear em um momento propício ao debate sobre os direitos civis dos homossexuais. “Esse momento é maravilhoso, porque o filme contribui positivamente para esse debate. Não é um filme sobre a homossexualidade, mas tem esse fato como a situação das personagens que protagonizam a história. E, por isso, contribui de uma maneira muito positiva, mostrando essa relação amorosa e o desejo, às vezes tão prosaicos, dessas duas mulheres”, afirmou Glória Pires.
 
Nascida nos Estados Unidos, Elizabeth Bishop sempre esteve à deriva. Nos anos 50, decidiu viajar ao Brasil para uma “cura geográfica”; acreditava que novos ares fariam bem a ela e à sua poesia. No Rio de Janeiro, ficou hospedada na casa de Lota de Macedo Soares, então companheira de Mary Morse, antiga colega sua de faculdade. Logo de início, o encontro entre Bishop e Lota pareceu um desastre. Devido a uma crise alérgica que a impediu de retornar aos Estados Unidos no tempo previsto, Bishop teve de ficar mais um tempo na casa de Lota e Mary. Foi nesse ínterim que surgiu a paixão arrebatadora entre as duas. Com o romance, que durou cerca de 14 anos, as duas potencializaram suas criações: Bishop recebeu o Prêmio Pulitzer pelo livro “North and South” e Lota criou o Aterro do Flamengo. 
 

 
Para Bruno Barreto, o filme é essencialmente isso: uma história de amor. “É uma história de amor, que mostra como uma das personagens, no caso a Lota, que é a forte, a vencedora, a que sabe o que quer, fica cada vez mais fraca porque não sabe lidar com a perda, e como a fraca, perdedora, alcoólatra, indecisa, que vive viajando pelo mundo e não tem residência fixa, que é a Bishop, vai ficando cada vez mais forte, porque mal ou bem ela lida com as perdas e não as joga para debaixo do tapete”, sintetizou o diretor.
 
Apesar de ser uma produção nacional, o filme é quase que integralmente falado em inglês. Há uma semana "Flores Raras" abriu o 41º Festival de Gramado, com direito a homenagem a Glória Pires, que ganhou o Troféu Oscarito. Internacionalmente, o filme foi agraciado com o prêmio de público no Festival de São Francisco, maior festival gay do mundo. “Embora nosso filme não levante nenhuma bandeira, ele está contribuindo de uma forma muito positiva, muito clara, sobre a questão”, afirmou Glória Pires, que também acredita no preparo do público para lidar com tema quando tratado com seriedade.
 
Com uma trilha sonora impecável, o filme, segundo o diretor, pode ser definido com uma música que não faz parte da produção: “Fugaz”, de Marina Lima. “Acho que quando a Lota abre os braços, a Bishop diz a ela: "e a gente faz um país". E quando elas se abraçam elas criam realmente esse país, que é a Samambaia, o mundo delas”, contou o diretor.

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