Com naturalidade e empatia, ‘Como Nossos Pais’ é um retrato da atual mulher brasileira
Foto: Divulgação

Vencedor de seis estatuetas do 45º Festival de Cinema de Gramado, levando os Kikitos de Melhor Filme, Direção, Ator, Atriz, Atriz Coadjuvante e Montagem, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (31) o filme Como Nossos Pais, drama dirigido por Laís Bodanzky e que tem como assunto principal os dilemas e inquietações da mulher contemporânea.


Entretanto, resumir a película para apenas o seu foco principal é reduzir – e muito – a maneira do qual temos toda a construção de uma narrativa que transcende diversos assuntos recorrentes a família brasileira, que vão desde a construção das relações humanas até o conflito de gerações que questiona papéis pré-estabelecidos ou vícios sociais. Uma conjuntura de dramas pessoais que traduzem e representam a complexa rede de interações entre os pares de um casal ou na vida entre pais e filhos. 


A história se inicia em um jantar de família, no qual Rosa (Maria Ribeiro), em mais uma discussão com a sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), descobre que é filha de um caso extraconjugal de sua progenitora. Este é só o início de um turbilhão de problemas que passam a assolar a sua vida e variam desde as dificuldades de seu casamento com Dado (Paulo Vilhena), mudanças em sua carreira profissional e o desafio na criação das filhas.


E no meio disso tudo, temos um filme que apresenta como sua melhor característica a delicadeza para poder falar de cada um destes assuntos, e tantos outros que reverberam na trama, fazendo com que a história soe de forma natural e cria uma imediata identificação com o espectador. Algo que funciona para aqueles que se enxerguem nos arquétipos de mãe, esposa e filha (vividos pela protagonista) e também para tantos outros que se reconheçam ao lado da personagem e entendem o seu papel na grande máquina das interações sociais.


Com essa força empática, Como Nossos Pais cria uma bela história que ultrapassa maniqueísmos rasos e assume a complexidade do ser humano como sua maior e pior característica, tendo o foco no grande movimentador central da nossa sociedade em metamorfose: a mulher. 

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