Com excelente narrativa visual, Dunkirk foge dos padrões para contar drama da 2ª guerra
Foto: Divulgação

Conhecido por suas incríveis sequencias e efeitos visuais competentes, Christopher Nolan é um dos diretores mais queridos de Hollywood na atualidade. Com obras como Amnésia, a trilogia Batman - Cavaleiro das Trevas, A Origem e Interestellar, o britânico tornou-se quase uma unanimidade em relação aos críticos e tem uma legião cada vez maior de fãs do seu trabalho. Entretanto, apesar de seu sucesso crescente, que já lhe valeu o título de "visionário" pelos aficionados mais exaltados, muitos espectadores de seus filmes – inclusive o autor desse texto – argumentam que grande parte de suas películas pecam por um certo didatismo na narrativa que acaba empobrecendo a ideia levada em suas obras. O que não é o caso de Dunkirk, filme que estreia nesta quinta-feira (27) nos cinemas de todo o Brasil.

 

Com exceção de uma introdução básica que situa o espectador no momento histórico no qual a se passa a trama, o maior trunfo de Dunkirk é deixar que as imagens e a perspectiva de seus personagens nos contem a dramática história da Operação Dínamo, plano de resgate do governo britânico aos mais de 400.000 mil soldados britânicos que se localizavam na cidade francesa de Dunquerque. Na ocasião, ocorrida em 1940, as tropas aliadas haviam sofrido uma dura derrota na França e estavam sendo empurradas para a cidade costeira, sofrendo pesada retaliação da força aérea alemã. E para salvar os seus conterrâneos, o Reino Unido acaba por utilizar barcos pesqueiros de cidades inglesas na difícil missão de atravessar o Canal da Mancha e ajudar na evacuação em solo estrangeiro. 

 

Sendo assim, temos a história acontecendo em três momentos distintos e não-lineares: sobre a ótica das tropas aguardando em terra durante uma semana até o momento do salvamento; sobre a visão dos barqueiros que atravessam o mar por um dia até a chegada em Dunquerque; e os aviadores britânicos convocados para abater os alemães na hora final do resgate. Com isso, temos a alternância entre terra, água e ar sendo fundamental para aumentar o clima de angustia e imprevisibilidade na trama, que sabe usar do silêncio e de grandes sequências visuais para recriar o terror do conflito. Isso sem apelar para o derramamento de sangue ou algum tipo de batalha sangrenta.

 

O drama está todo na cabeça de seus personagens e a forma no qual as situações se apresentam a eles e ao espectador. Amontoados na praia, os soldados são assombrados com os impiedosos Messerschmitts alemães, que atiram bombas e passam a ser caçados no ar pelos pilotos da RAF e seus Spitfires. Enquanto isso, os civis em seus barcos também superam seus dilemas e exercem um papel humanitário com seus conterrâneos.

 

Para ajudar na fluidez narrativa, outro trunfo de Dunkirk é retirar a importância de um grande personagem principal para desmembrar a ótica entre alguns importantes protagonistas. Com isso, nomes como Tom Hardy, Cillian Murphy, Kenneth Branagh, Harry Styles e Mark Rylance apresentam diferentes visões do front sem prender a história aos seus pés, deixando com que a trama os leve e domine os seus atos, ajudando muito mais no desenvolvimento narrativo de toda a história.

 

Se a Operação Dínamo mostrou que planos de resgate e retiradas estratégicas podem ser tratados como grandes vitórias em um conflito, Dunkirk também se apresenta como um importante filme na carreira de Nolan. Pois mesmo sem ganhar o valor simbólico de suas últimas obras, é uma importante prova de que o diretor pode se libertar de arestas e deixar com que sua excelente perspectiva visual possa nos contar a história.

 

Histórico de Conteúdo