Terça, 08 de Novembro de 2016 - 13:50

Mesmo sem ousar na ‘fórmula’, Doutor Estranho revigora os super-heróis no cinema

por Edimário Duplat

Mesmo sem ousar na ‘fórmula’, Doutor Estranho revigora os super-heróis no cinema
Foto: Divulgação
Desde a criação de seu universo cinematográfico, ocorrido em 2008 com o lançamento de Homem de Ferro, a Marvel Studios vem se destacando por algumas características dentro dos chamados “Filmes de super-heróis”. Além de películas que sabem preservar a mensagem do heroísmo dos quadrinhos e apresentar uma construção narrativa que mescla bom humor para todos os públicos com um ar de aventura juvenil, é inegável a forma como a empresa consegue conquistar os espectadores com os seus personagens, independente ou não de já serem conhecidos fora do universo das HQs.

Se tivemos sucessos “previstos” com medalhões como Thor e Capitão América, os protagonistas de menor porte também não fazem feio. É o caso, por exemplo, de Homem-Formiga e Guardiões da Galáxia, que driblaram previsões desconfiadas e conseguiram o seu espaço na franquia das telonas. E como aconteceu com os seus sucessores, Doutor Estranho (2016) parece não perder a mão no quesito de saber apresentar um novo personagem em uma história empolgante e que fascina por explorar o que há de melhor no Poderoso da Marvel.



Foto: Divulgação


Na sinopse inicial, conhecemos o doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um eximo cirurgião que tem sua vida orquestrada pelo sucesso no trabalho e a vaidade recorrente de sua fama. Entretanto, um acidente acaba por faze-lo perder os movimentos das mãos e arruína por completo a sua carreira. Depois de incessantes intervenções cirúrgicas que apenas reduzem o dano sofrido, Strange descobre uma possibilidade nada ortodoxa de curar-se. Mas, ao chegar em um antigo templo localizado no Nepal, o atormentado médico encontra na enigmática Anciã (Tilda Swinton) um novo caminho para os mistérios da realidade e da vida. Com a ajuda de outros companheiros da sua enigmática professora, como Mordo (Chiwetel Ejiofor) e Wong (Benedict Wong), o agora aprendiz a mago precisa superar seus próprios limites do pensamento racional para evoluir e se tornar um dos maiores feiticeiros da atualidade.

Ao contrário das histórias anteriores, que eram focadas em adventos da ciência ou enigmas alienígenas, temos aqui a primeira tentativa concreta da Marvel em tratar do misticismo em seus filmes. No caso de Thor e Thor – O Mundo Sombrio, por exemplo, ainda encontramos certo receio do estúdio em levar uma adaptação mais fiel da mitologia nórdica, transformando os deuses asgardianos em poderosos e avançados “seres de outro mundo” com mais contato espacial do que realmente mágico ou divino. Já em Doutor Estranho, mesmo que se aproxime um pouco de conceitos modernos como programação e física quântica, temos uma viagem transcendental pelo misticisimo que pretende derrubar paradigmas e trazer discussões sobre a evolução da mente humana e uma compreensão espiritual do universo.

Entretanto, não podemos negar que mesmo lidando com um tema que pretende questionar as regras estabelecidas pela lógica humana, o filme parece pecar justamente neste aspecto quando se trata de alguns pontos da sua narrativa. Mesmo que seja inovador em efeitos, algumas sequências de ação e até nas resoluções dos conflitos apresentados, é claro ver como a produção repetiu algumas fórmulas pré-estabelecidas que destoam um pouco da trama. Em alguns momentos, é inserido um humor que não compromete, mas causa estranhamento em meio a frases mais sérias ou até em simples sequências de diálogos simples.

Mesmo assim, a história se sustenta bem por quase todo o filme e apresenta o que se espera de uma aventura com um novo herói: uma origem simples e dramática, carregada com uma transformação convincente e terminando com um clímax que agrada por ter sua própria identidade e o que diferencia não só de outros filmes da empresa como também de muitas aventuras de super-herói. Desde a primeira aventura de Tony Stark e a estreia do Capitão América, não se via uma trama tão fechada em si que se preocupa mais em definir o personagem do que transformá-lo em um gancho para outros filmes interligados.

No elenco, talentos como Cumberbatch e Swinton mostram bastante comprometimento com os seus personagens e não decepcionam ao imprimir a sua personalidade sem ofender a influência original dos quadrinhos. Também é destacável que essa ideia se aplica no restante do elenco, que ainda tem Rachel McAdams como a enfermeira Christine Palmer e Mads Mikkelsen como o vilão Kaecilius.

Mesmo sem ousar em relação a sua fórmula narrativa, Doutor Estranho não deve ser visto como um filme que será relegado no futuro. A obra sabe cumprir o seu papel como um filme de super-herói e não tem dificuldades de cativar o público com um bom enredo e personagens carismáticos que prometem adicionar mais variedade ao universo Marvel das telonas. 

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