MBL influenciou em cancelamento de mostra com tema LGBT; organizadores protestarão
Foto: Reprodução / Portal da Band

A exposição "Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira", que explorava questões do universo LGBT e questionava tabus religiosos da sociedade, foi retirada de cartaz do Santander Cultural, em Porto Alegre, após protestos em redes sociais. A mostra, com curadoria Gaudêncio Fidelis, ficaria em cartaz até 8 de outubro, mas o espaço cultural cedeu às pressões de internautas que acusaram a mostra de divulgar conteúdos com “Pedofilia, zoofilia, pornografia e profanação aos olhos de crianças”. Confira:


 


A seleção da mostra contava com 270 obras que tratavam de questões de gênero e diferença. Os trabalhos, em diferentes formatos, abordam a temática sexual de formas distintas, por vezes abstratas, noutras mais explícitas. As obras são assinadas por 85 artistas, como Adriana Varejão, Cândido Portinari, Ligia Clark, Yuri Firmesa e Leonilson. Os protestos acusam a exposição de blasfêmia a símbolos religiosos e de, em alguns casos, pedofilia e zoofilia. O Movimento Brasil Livre (MBL) é um dos grupos que engrossaram as críticas à mostra e foram rebatidos pela classe artística que acusou o grupo de estimular a censura. "Defendo a liberdade. É estranho uma entidade como a de vocês que tem “LIVRE” no nome praticar CENSURA a obras de arte", escreveu o humorista Marcelo Tas no Twitter.

 


Em nota, o centro cultural Santander justificou o cancelamento ao dizer que ouviu e entendeu as manifestações feitas à exposição. “Algumas das obras do 'Queermuseu' desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo", declarou o espaço. Em entrevista ao Extra, o curador da exposição lamentou pelo cancelamento da mostra: 'A extrema-direita decide o que pode ser visto'. O Nuances - Grupo Pela Livre Expressão Sexual está organizando um protesto contra o cancelamento na próxima terça (12), no centro de Porto Alegre.

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