Sábado, 10 de Fevereiro de 2018 - 05:00

SAN DIEGO E CÉU DE NIMBOS

por Antonio Pastori

SAN DIEGO E CÉU DE NIMBOS
Foto: arquivo pessoal

san diego, 1919
 
 
daqui a pouco
eles descem
aqueles degraus
armas em reta oposta
rotina
colisão furto olhar terror
chove
 
tesouras coloridas e facas afiadas
invadem túneis
vão invadir sonhos reais
amedontrar
cantinas cinzentas
 
saem crianças para o atropelo
ta bu les
queixadas com palito mascado
musgo de cana
nódoa de calça
mercado livre na beira de manhã
 
peixe cru
cruza embalado
no jornal das axilas
camisas risco a risco
paletó surrado
marcas de brilhantina
tomates frescos frangos abatidos
crianças brancas e mulatas
berram iguais
 
água quente na calçada
amanhece, baby, na minha cara
 
as tesouras ainda pairam
aqueles bigodinhos suam
pare muddy
parte walter
pare buddy
 
sempre vi metralhadoras de longe
 
perto dos meus olhos, baby
a morte é cega
 
 
 

 
 
 
céu de nimbos
 
 
de cada olhar triste
o espelho na mão
 
a estrada não tão
mas
desnorteada
em parte
incerta
 
a reta é onde os pés estão
 
para seguir a sombra das persianas
até o descaminhado
pelas cercas de um mundo de um mundo
 
que reta?
não
 
sem portas
vasculhadas
 
reentrâncias
paris na cama
 
abrir o olhar agora
ao calar da boca aberta
 
aprisioná-la
neste céu nebuloso
seria como entregar o ouro,
minha cara
 
essas paixões eternas
que acontecem de vez em quando
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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