Sábado, 04 de Novembro de 2017 - 05:07

A FLOR E A FRAGA

por Uaçaí de Magalhães Lopes

A FLOR E A FRAGA
Foto: Arquivo pessoal

A flor e a fraga
        Para Dona Myriam Fraga, in memorian.
 

Uma Fraga foi a flor
que me ensinou cantar.
 
Outra fraga no caminho
impediu meu caminhar.





  
A vida, o vento, a tempestade

           e as pedras do caminho

 
 
Aquela nuvem? É cega.
O brando vento nos leva.
 
Nós o sentimos sustento.
Ele? Nos sente, pesar.
 
O resto? Oh! Não duvides:
vês aquela tempestade?
 
É apenas nosso abrigo.
Em nosso peito o inimigo
 
aguarda sem avisar!
As pedras que suportamos?
 
Melhor deixá-las no abrigo,
guardando o que há de guadar
 

 



A pura verdade
 
 
Uma rosa não floresce impunemente.
Toda beleza cobra alguma dor.
 

 



A mangueira do jardim
 
                “Não mate a árvore, pai, para que eu viva”
                        In, A árvore da serra, Augusto dos Anjos
 
                        Para minha amada Lídice Gonçalves Conceição
 
Da janela mirando o sol nascente,
percebo o quanto a vida é passageira.
E vejo, atrapalhando pela frente,      
as galhas que cresceram da mangueira.    
 
Foi ontem que plantei. Hoje é frondosa.
Porém não deixa ver nosso jardim.
Se era ontem pequenina e tão formosa.
Tornou-se hoje um entrave para mim.
 
Eu tomo a decisão: corto a mangueira.
Teremos sol e flores, tudo enfim.
Parei, como por falta de energia,
 
antes que desse a ordem derradeira. 
Pássaros vão cantando em harmonia:
“não corte que ela traz nossa alegria”!   
 

 

 

Pompéia
 
Hic ego puellas multas futui.
        (Inscrição na parede de um Lupanar em Pompéia)

 
Quem serei? Quem terei sido,
nestas cirandas báquicas?
 
Certamente, caminhei,
por la Vie de la Abundancia.
 
Meu caminho predileto,
para um nobre lupanar.
 
O covil das belas lobas,
devoradoras de homens.
 
Nobre império dos sentidos.
Nobre amigo do prazer.
 
Que prazeres terei tido,
no momento de morrer?
 
Ontem, nada me faltava!
Hoje, que me faltará?

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