Sábado, 16 de Julho de 2016 - 05:21

João Ubaldo Ribeiro

por Carlos Navarro Filho

João Ubaldo Ribeiro
“Foi um encontro rápido. Não mais que três horas, em uma manhã nublada de outono carioca, no apartamento da General Urquisa, no Leblon. Em três horas, baiano nenhum bota a prosa em dia, especialmente depois de anos de ausência falando-se apenas pelo telefone. Havíamos nos encontramos fazia mais de 10 anos, em Lisboa, quando o presenteei com uma garrafa de Saborosa, na época conhecida cachaça de Salvador. João Ubaldo vem de uma casta, que inclui Jorge Amado, Guido Guerra, Ruy Espinheira, Flori, Joca e Fernando Bananeira, entre outros, que ainda cultiva a paixão pela conversa fiada. Nada melhor que passar o tempo papeando, contando casos, à mesa do botequim ou, lembra ele, nas manhãs de domingo no jardim-floresta que Jorge Amado mantém na sua casa do Rio Vermelho, em Salvador.
 
Bermudas, chinelão, sem camisa, desfilando uma razoável barriga que já o impede de vestir o fardão com o qual tomou posse na Academia Brasileira de Letras, pela total impossibilidade de aproximar o botão da respectiva casa, separados por, pelo menos, uns 20 centímetros. Assim reencontro-o no escritório de trabalho, ante o computador toureando o seu Word 6.0 (“este é o último programa feito para homem, depois só fizeram pra viado”). Cumprimenta-me e fala sorrindo: “Espera aí um pouquinho que estou aqui protegendo a Berenice, ela saiu para consertar uma impressora Cânon”.
 
Pega o telefone, disca para a assistência técnica e exibe o sotaque baiano, mesmo estando no Rio há quase 15 anos. “Você não me conhece. Aqui é João Ubaldo Ribeiro”... “Como não conheceria o meu escritor preferido”?... Interrompe e reclama do outro lado da linha o dono da empresa, feliz pela inesperada interlocução ilustre.
 
Resolvido o problema, levanta-se para regular o ar condicionado no frio máximo e abre um sorriso de boas-vindas. “Você anda sumido. Há quanto tempo”... Daí em diante tentamos colocar o papo em dia, falando mais dos amigos comuns, de jornalismo e literatura, do inesquecível Armazém Popular, no bairro da Pituba, o único botequim/armazém, de secos e molhados, em que fardos de carne do sertão e de grãos serviam de porta-copos à nossa cerveja, para desespero do espanhol.
 
A nossa conversa fiada foi parcialmente gravada, o resultado, se é que conversa fiada pode dar algum resultado, está aí, em alguns trechos, a seguir:
 
Jornal da Bahia.
“No início do anos 70 eu assinava inúmeras crônicas com pseudônimos, até como Policarpo, Teófilo, coisas assim. Eu assinava a Satyricom, no Jornal da Bahia, com J.U.Ribeiro, no mesmo jornal assinava outra coluna como JUB, que aliás foi um erro de revisão na primeira vez, deveria ser JUR e terminou ficando errado. É que eu escrevia tanto que tinha de diversificar o nome porque senão ia ficar João Ubaldo Ribeiro o jornal todo”. 

Geração Mapa
“Tecnicamente eu nunca fui da geração Mapa (movimento literário baiano, cuja maior expressão foi Glauber Rocha), porque nunca cheguei a publicar nada em Mapa, que só tirou um ou dois números. Glauber queria muito que eu publicasse uma tradução na Mapa, eu cheguei a começar a tradução, mas demorei e a revista fechou. No entanto, sou realmente daquela turma. Sou da Geração Mapa apenas cronologicamente, porque não colaborei com a revista”. 

Vivendo da literatura
“Eu comecei a viver exclusivamente dos meus livros por causa de Jorge Amado. Eu estava em Salvador, exercendo a função de redator chefe da Tribuna da Bahia, mas muito insatisfeito. Eu era um incompetente. Não sabia ficar devendo fidelidade ao patrão e ao mesmo tempo à redação, aos meus colegas. Não sabia ficar recebendo gente. Foi uma dificuldade muito grande. Eu detestava aquilo e estava querendo deixar aquilo”.
 
“Foi aí que Glauber e, principalmente, Jorge, inventaram uma bolsa de estudos para mim em Lisboa. Só que o único apartamento que consegui, a duras penas, depois de ter passado um mês hospedado com Glauber, que estava morando em Sintra, o aluguel custava mil escudos a mais que o valor da bolsa. Aí eu tive que me virar. Tarso de Castro, meu grande amigo, morava aqui no Rio, estava fazendo a revista Careta, de São Paulo, e me chamou para colaborar. Passei a colaborar também com O Globo. Esses trabalhos ajudavam no orçamento. Mas quase passo fome em Portugal porque naquele tempo regulava-se a remessa de dinheiro do Brasil em 300 dólares, que não dava pra nada. Além disso, fim de mês, eu sem dinheiro ainda tinha de esperar mais de uma semana entre o aviso de remessa, que me chegava por telex, e o recebimento da grana no banco. Você imagina o aperto que era isso porque o dinheiro da fundação era 17 mil escudos e eu pagava 18 mil de aluguel, ou seja, ‘um conto’ a mais, como se diz lá em Portugal”. 

Ilha de Itaparica
“Por causa disso é que comecei a viver das colaborações que escrevia, escrevi também um livro sobre política. Aí fui vendo que dava para viver da literatura. Depois voltei e decidi morar no Rio, mas vi que mesmo com o dinheiro das crônicas não dava para viver tão inseguramente com as despesas que tinha aqui. Eu não podia ficar vivendo de trabalhos ocasionais. Como a minha família tem uma casa em Itaparica, eu resolvi voltar para a ilha onde vivi sete anos, sem as despesas com transportes, roupas, casa e tal, que eu tinha aqui no Rio”.
 
“Itaparica foi uma fase fértil. Acordava cedo, por volta das quatro da manhã, ia à biblioteca municipal onde tinham me dado uma sala. Eu ficava lá até em torno das sete, intercalando visitas ao mercado para bater um papo com os meus amigos, pescadores, entre eles o finado Zé Cuiuba. Foi lá que escrevi “Viva o Povo Brasileiro”. Tá certo que comecei o romance no Rio, mas aqui foram apenas 200 laudas, escritas à máquina. Se você considerar que foram mais de mil e 600 laudas, foi escrito mesmo em Itaparica. Lá saiu também “O Sorriso do Lagarto” e a tradução para o inglês de “Viva o Povo Brasileiro”. 

Jornalismo
“Depois passei 15 meses na Alemanha, com outra bolsa e voltei para o Rio, aí já mais seguro. Tinha minha crônica no O Globo, o Estadão me convidou também. Já estava em condições muito melhores. Com a parceria com o Estadão, mando precisamente a mesma cônica que mando para O Globo, sem tirar uma vírgula. Eles então economizam no pagamento de minhas crônicas e ao mesmo tempo me favorecem com o fato de eu ser um jornalista, em termos relativos, bem pago”. 

Inspiração só no Brasil
“Em Berlim não produzi nada. Foi a enésima experiência frustrada de tentar escrever no exterior. Eu não consigo, mesmo com todas as condições, sem ninguém me chateando, tendo toda a tranquilidade. Eu só consigo escrever comprido no Brasil. Alemanha eu mantive uma coluna em um jornal famoso e escrevi dois contos encomendados por uns franceses. Mas, tudo umas miudezas. Romance mesmo, tentei começar um, mas não saía nada, era uma tristeza”. 

Nova Fronteira
“Eu já estou na Nova Fronteira há muito tempo. Eu escrevi esse livro, ‘A Casa dos Budas Ditosos’, na Objetiva, mas por uma exceção, porque eu não tinha ainda contrato de exclusividade com a Nova Fronteira. Hoje eu tenho. Meu relacionamento é quase familiar. Estou lá há mais de 20 anos. Eles me pagam pelo preço de capa e normalmente me dão um adiantamento para o próximo livro, como está acontecendo agora. Estou há duras penas tentando começar um novo livro. Aliás, tinha planejado começar justamente hoje, só mudei porque você vinha aqui”. 

Novo livro
“Eu agora não falo mais sobre o meu próximo livro antes de ele ficar pronto. Estou seguindo o conselho de Rubens Fonseca, que é meu amigo, que é um homem sábio e que vivia me esculhambando porque eu falava antes do meu livro. Agora não falo mais nada... (risos) Só posso lhe dizer que estou escrevendo um livro diferente do conjunto da minha obra, porque será um livro de tom carregado, pesado. Um livro noir, digamos assim. Mas só lhe digo isso”. 

Fernando Henrique Cardoso
“Minha coluna tem perfil, digamos ameno, eu não tenho estilo polêmico, nem guerreiro, nem brigador, eu sempre opto pela ironia, pela sátira. Esse caso da cacetada em Fernando Henrique Cardoso foi ocasional. Foi um dia que me sentei aqui para fazer a crônica pensando naquilo e fiz. Eu nem gosto muito dessa crônica, eu acho que poderia ter sido melhor escrita, ela saiu de um jato. Se a refizesse hoje, não mudaria minhas posições a respeito do presidente, talvez até as agravasse”.
 
“Mas repercutiu nos dois jornais para os quais escrevo e nos outros que fazem publicação simultânea. Houve até um pequeno incidente com O Estado de S. Paulo, que não publicou no dia. Mas logo depois eu recebi um telefonema, de um diretor do jornal, acho que de Júlio César Mesquita, dizendo que houve um mal-entendido e ele publicou a crônica. Disse-me disse que o jornal era contra as opiniões da crônica, mas era contra a censura à crônica. Terminou tudo bem, não briguei com ninguém, terminou tudo na mesma situação de paz com os dois jornais”. 

Academia Brasileira de Letras
“O meu estilo jocoso nas crônicas não atrapalha em nada a minha presença na Academia Brasileira de Letras. Eu não quis entrar na academia. Eu fui convocado para entrar por alguns acadêmicos. O primeiro grupo tinha à frente o saudoso Afrânio Coutinho, que era meu amigo, me telefonou e não se conformou com a minha recusa. Posteriormente outro grupo, constituído por Cândido Mendes, Eduardo Portela, Aberto Venâncio Filho e Nélida Piñon, esteve aqui em casa e me encostou contra a parede. Me disseram, ‘vocês ficam falando mal da academia, que não bota escritor, na hora que a gente vem buscar um escritor, ele se recusa”.
 
“Acabei topando a candidatura. Mas fui um péssimo candidato, fiz uma péssima campanha, quase não visitei ninguém, não cheguei a telefonar para todos os membros da academia, ficava com vergonha, um horror. Foi uma história sofrida e fui eleito até com uma certa dificuldade, em terceiro escrutínio, porque os concorrentes eram fortes: o piauiense Álvaro Pacheco (que tinha sido meu editor), candidato pela segunda ou terceira vez, e o mineiro Olavo Drummond. Hoje eu vou pouco à academia porque tenho dificuldade durante a tarde. Depois do almoço eu gosto de dormir. Em segundo lugar, eu engordei e meu enxoval da academia não cabe mais em mim. Mas a academia, ao contrário da imagem que passa, não tem nada a ver com a caturrice, com a austeridade. É um lugar agradável, de gente espirituosa”. 

Viva o Povo Brasileiro
“Eu sei que sou um romancista e encaro meus livros como um pai trata os filhos, todos com o mesmo carinho. Não tenho preferências, todos representam fases da minha vida. “Viva o Povo Brasileiro”, eu concordo sem falsa modéstia que é um livro fundador. É um livro fundador de uma tendência que depois, agora mesmo está se consolidando. Você vê livros sobre o descobrimento, sobre nossa origem. É uma corrente que vai perdurar um pouco e depois passará. Agora, o meu livro eu acho que não passará, tanto assim que ele tira reedições constantes, até hoje”.
 
“ Vencevalo” e “Sargento Getúlio” são de uma fase, fins de anos 60 e começo de anos 70, que eu acho que como escritor poderia mudar o mundo, mas há muito me desiludi dessa fantasia, mas se esses livros têm algo em comum é isso. Era uma utopia”. 

Mulher
“Não é por demagogia, por estar dando entrevista, mas sou um sou um homem caseiro. Vejo um certo excesso de exposição da intimidade feminina, você liga a TV e vê aqueles quartos girando, aquelas bundas em close. Mas, eu posso estar ficando velho e também não sou juiz de porra nenhuma. Viva as mulheres”. 

Minorias
“Eu não acho seja ofensa nenhuma fazer piadas com as minorias, a não ser que seja uma piada grosseira. O problema é que as pessoas perderam o senso de limite. Você não pode mais ousar, em uma festa, uma reunião, você não pode mais contar uma piada sobre coisa nenhuma. Nacionalidade nenhuma, cor da pele nenhuma, religião nenhuma, nada, nem contra bicho”.
 
“Está ficando uma coisa grotesca. Várias vezes já me escreveram, me pararam na rua para reclamar. Teve uma mulher que reclamou porque eu disse que as mulheres eram patrimônio do Brasil. Aí eu perguntei, a senhora queria que escrevesse o que? Matrimônio? (Risos) Ora, patrimônio não tem nada a ver com a etimologia. Se fosse assim ninguém escreveria a palavra coitado, que quer dizer fodido. As palavras mudam de significado através do tempo. Patrimônio já não tem mais nada a ver com a coisa que pertence ao pai, ao homem. Hoje quer dizer propriedade, acervo”.
 
“O problema é com todas as minorias. Isso é uma praga. Outro dia eu fui dizer que animal não tem direitos, no sentido de que um cachorro, por exemplo, não pode procurar um advogado e dizer ‘auauauau’, que significa ‘quero contratar o senhor e passar uma procuração’. O direito não é do animal, porque tecnicamente ele não pode ser sujeito de direito, nem ter noção de direito. Os homens podem ter até mesmo a obrigação de proteger o animal, mas só o homem pode procurar o advogado. É uma besteirada, coisa de maluco. É como se eu estivesse pregando a crueldade contra os animais. O mesmo ocorre com a árvore, que não pode procurar a justiça para impedir que a cortem. Tudo bem, faz parte”. 

Novos autores
“Eu não acompanho muito os novos autores, continuo me alimentando dos clássicos. É porque não tenho tempo. As pessoas acham que escritor tem tempo de sobra. Não é assim. Tem a estória do escritor que estava capinando na porta de casa e passou um vizinho e falou: ‘Trabalhando muito?’ Ele respondeu, ‘não, descansando’. Outra vez, estava na rede, olhando para cima, passa o mesmo vizinho e fala: ‘Descansando?”, não, respondeu, ‘estou trabalhando’. Você não pode interromper um romance. Se você viaja e passa quinze dias fora, você perde o tempo do romance. Rubens Fonseca diz que desanda. É isso, desanda.”
 
“Eu tenho uma rotina. Acordo cedo, trabalho de manhã, raramente saio, almoço e vou dormir. No início da noite, cuido do meu expediente que é enorme. Às vezes recebo oitenta e-mails por dia, ou mais. Só lê esses e-mails é uma tarefa e tanto, já tenho até ajuda da editora para isso”.
 
“Eu sou traduzido em 17 países. Recebi prêmios, mas eu esqueço dessas coisas. Não tenho certeza, mas me parece que no exterior sou mais lido na Alemanha”.
 
ILUSTRE FILHO DA ILHA
 
Itaparica, acho que pouca gente sabe, é a maior ilha marítima do Brasil. Delgada de leste a oeste, comprida de norte a sul, esparrama seus quadris preguiçosos pela boca da Baía de Todos os Santos, onde a rainha, Salvador, já foi uma das cidades mais importantes do Novo Mundo e até hoje continua a esperar os navegantes, do alto de seus penhascos escarpados. Plácidas, quase bonachonas, ambas estão acostumadas a acolher visitas e são hospitaleiras. Mas se engana quem pensa que são abertas, porque não são. Festeiras e barulhentas, se entregam com facilidade ao visitante, mas raramente revelam seus mistérios e muito menos contam as infinitas histórias da gente e dos acontecimentos que já testemunharam.
 
O sol amanhece sobre as águas silenciosas da baía e todos os matizes faíscam por cima das ondinas, dos topos das árvores, do casario suspenso entre as névoas do nascer do sol, dos campanários, das velas de um saveirinho aqui e acolá. Os cheiros são uma mistura almiscarada de maresia, peixe fresco, tabuleiros de comida e mingau, café torrado, bosta de vaca, lama do mangue, melaço de cana, aromas de flores. O que se ouve são barulhos enganosamente próximos, trazidos pelos ecos sobre colinas, descampados e coroas, gritos dos pescadores que, depois de passarem a noite nus, trabalhando no meio do mar, agora celebram ter peixe para vender e embicam ruidosamente as canoas para a rampa do Mercado, atitos de bem-te-vis e sanhaços, zumbidos de moscas, a lambida sonolenta das ondas nos costados dos barcos apoitados, o zizio de uma faca sendo amolada na pedra.
(Fragmentos de “Uma senhora de muitos pretendentes”, de João Ubaldo sobre a Ilha de Itaparica, texto especial para os Cadernos de Literatura Brasileira).
 
Nascido em 41 na Ilha de Itaparica, João Ubaldo estudou, em Salvador, no antigo Colégio Central, onde conheceu e tornou-se amigo de Glauber Rocha, em 56. No ano seguinte inicia a carreira de repórter no Jornal da Bahia, mudando-se mais tarde para a Tribuna da Bahia, da qual foi editor chefe.
 
O primeiro trabalho literário publicado é “Lugar e circunstância”, com o qual participou de uma antologia editada pela na Imprensa Oficial da Bahia. Em 61 participa da coletânea de contos “Reunião”, com os textos “Josefina”, “Decalião” e “O campeão”. Dois anos depois escreve o seu primeiro romance, “Setembro não tem sentido”, publicado em 68 pela José Álvaro Editor, graças à interferência de Glauber Rocha e Jorge Amado. Em 71, lança “Sargento Getúlio”; em 74, “Vencecavalo e o outro povo”; em 79, “Vila Real”; em 81, “Política”, escrito em Portugal, e “Livro de Histórias”, uma coletânea de contos.
 
No restante dos anos 80, João Ubaldo publica “Viva o povo brasileiro”, “Vida e paixão de Pandomar, o cruel”, com o qual estreia na literatura infanto-juvenil, e “O sorriso do lagarto”. Nos anos 90 faz a segunda incursão na literatura infanto-juvenil com “A vingança de Charles Tiburone”, “O feitiço da Ilha do Pavão”, publicou “A casa dos Budas ditosos” e reeditou “Livro de Histórias”, incluindo os contos “Patrocinando a arte” e “O estouro da boiada”, com o título de “Já podeis da pátria filhos”. João Ubaldo publicou ainda livros de crônicas, ensaios, teve várias obras transpostas para o cinema e televisão. É lido hoje em boa parte do mundo, sendo traduzido até em hebraico.

Histórico de Conteúdo