Quinta, 07 de Setembro de 2017 - 11:00

Aposta para 2018, Àttøøxxá quer ser o 'pagode do agora'

por Lucas Arraz

Aposta para 2018, Àttøøxxá quer ser o 'pagode do agora'
Foto: Tiago Dias / Bahia Notícias

O Àttøøxxá é um grupo de pagode diferente. Por vezes chamados de “o novo BaianaSystem”, por outras chamados de “pagode do futuro”, o grupo tem um objetivo claro: não quer só tocar nos paredões da Bahia, quer ganhar o mundo. O grupo formado por Raoni Knalha, Osmar Gomes, Wallace Carvalho e Rafa Dias surgiu de uma inquietação criativa. Eles não querem só fazer sucesso, a banda quer ser “mainstream”. As referências são Psirico e o produtor musical norte americano Skrillex. Se são realmente o “pagode do futuro”, como dizem, eles ainda não sabem. O Àttøøxxá quer ser o "pagode do agora". Querem fazer letras que respeitem homens e mulheres, mas façam todo mundo dançar ao som da Bahia. O grupo é uma das apostas para o verão de 2018 com a regravação de “Elas Gostam” com o Psirico e parcerias com nomes como Ed City. 


Com um pouco mais de um ano de projeto, vocês já têm um CD e estão a todo vapor. Como a ideia de criar um grupo de pagode evoluiu para o surgimento da banda tão rápido?
O Àttøøxxá surgiu durante a pausa de outros projetos. O Rafa Dias estava estava em uma fase de inquietação criativa fértil, com a mente pipocando de ideias depois de trampar com A.MA.SSA e o Braunation. A banda é o resultado de encontros e amizades feitas ao longo dos anos, onde cada integrante já participava de algum projeto e acabou se unindo com o propósito de fazer algo diferente e de sucesso no pagode baiano. Foi uma reunião de amigos e experiências, onde cada um adiciona um elemento que constrói o que a banda é hoje. O Oz trouxe suas letras e a última adição do grupo, o Wallace Carvalho, trouxe sua guitarra “monstra” que tem muita influência do pop. De alguma forma, todos estavam inquietos e procurando algo novo para que fosse um sucesso "mainstream".


Ao longo deste ano, sem pedir, vocês foram rotulados como o “pagode do futuro” e o “novo BaianaSystem”. Como vocês recebem essas atribuições do público e da crítica?
Para nós é uma honra sermos chamados de novo BaianaSystem. Onde os caras estão e o que os caras estão fazendo, ainda não sabemos se um dia chegaremos lá. Na nossa cabeça, o nosso trampo é infinitamente diferente do trampo deles, mas, se as pessoas acham que somos o novo Baiana, recebemos esse título com honra. Agora, se somos o “pagode do futuro”, ainda não sabemos. Nossa preocupação é ser o “pagode do agora”. É fazer algo que as pessoas escutem, dancem e seja um sucesso não só na Bahia, mas no mundo. O pagodão daqui infelizmente está muito preso ao nosso estado quando na verdade tem potencial para atravessar o mundo. A gente leva nossa percussão para outros lugares e não tem quem fique parado. Nos apresentamos no Carnaval de Recife no último ano e, para nossa surpresa, os rockeiros da banda O Terno estavam lá, entre o público, consternados de tanto dançar. Nossa música convence, só precisa se atualizar para ganhar o mundo. 


Capa do primeiro CD da banda "Blvckbvng" / Foto: Reprodução


Se o pagode baiano é capaz de fazer todo mundo dançar, porque ele não se expande para outros mercados como o funk carioca, por exemplo?
Diferente do funk carioca, que começou a estudar outras referências além do próprio funk para ganhar o Brasil, os artistas de pagode baiano estudam o próprio pagode, sem propor muitas coisas novas para além do que é feito. Isso faz com o que o ritmo não cresça. Fique preso ao próprio cenário da Bahia. Nossa proposta não é só olhar o que o que o Psirico, Ed City e outras bandas de pagode estão fazendo. A gente traz como referências artistas como o Skrillex, elementos do pop, do eletrônico, do reggae. O pagode está implorando por novos ares. Não à toa que todo dia aparece algum empresário desesperado pedindo para ensinarmos o que estamos fazemos com as nossas músicas. Você visita o estúdio do Psirico e de outras bandas, você vê uma infinidade de equipamentos sonoros que não são utilizados. Nossa ideia é trazer o que ainda não foi utilizado para o pagode, buscando o que está tocando na rádio do Brasil e do mundo. Para nós é um processo natural, mas as pessoas já têm uma ideia tão fixa do que é o pagode baiano que às vezes se espantam com a nossa proposta. Damos entrevistas e nos e perguntam de onde surgiu a ideia de colocar um pouco de Reggae no pagode baiano. Qual a surpresa? O ritmo tem anos de sucesso aqui na Bahia. 

 

O show de vocês consegue ser bastante permeável. Vocês se apresentam com sucesso em casas de show, como também na Estação na Lapa. Já existe planos para levar o Àttøøxxá para o Carnaval 2018?
Estamos abertos ao Carnaval da Bahia, mas ainda aguardamos convites. Até agora temos conversado sobre a possibilidade, mas é da nossa vontade sair no Carnaval 2018. Recentemente regravamos uma nova versão de “Elas Gostam” com o Psirico. O Márcio Vitor nos chamou para fazer uma nova versão da música para o verão. Devemos tocar com ele em algum momento do Carnaval. Além disso estamos conversando com outros artistas sobre colaborações. Recentemente gravamos uma faixa com o Ed City. 

 


O grupo utiliza uma infinidades de caracteres do teclado para dar nome a banda e às músicas. Isso não dificulta as pessoas a acharem vocês nas plataformas de streaming e no Youtube?
Temos consciência que achar a banda é difícil. Quando começamos, a ideia era fazer algo underground. Diferente e difícil de achar. Mas essa ideia ficou no passado. Nos demos conta da força do pagode e que ele pode ser mainstream. Nos próximos álbuns devemos adotar um uso de caracteres mais convencional se a proposta é fazer sucesso no Brasil e no mundo. 


Apesar de pertecerem a um mesmo estilo, vocês são bastante incensados pela crítica, enquanto outras bandas de pagode são criticadas e cerceadas por “leis anti baixaria”. Por que vocês acham que recebem esse tratamento diferente?
Nós temos uma preocupação muito grande com a nossas letras e com a nossa mensagem. O pagode baiano não precisa ser refém de uma sexualização extrema. A música deve falar mais alto que a sensualidade dentro dela. Não precisamos de dançarinos simulando sexo no palco para fazer as pessoas dançarem. Quando compomos uma música, pensamos que ela deve ser para todo mundo. Se nosso objetivo é conquistar o mundo com o pagode baiano, ele não pode ficar preso ao “Novinha”, a letras com baixaria. Gostamos de pensar que nossas famílias e amigos vão se divertir com a nossa letra e essa é a nossa métrica. Ir no show e vendo todo mundo, homens e mulheres, se divertindo de maneira igual. Sem faltar com respeito com ninguém.

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