Cinquentenário do TCA e 1 ano da Concha terão programação para ficar ‘na memória da cidade’

No último sábado, 4 de março, o Teatro Castro Alves completou 50 anos. A data foi marcada por uma grande apresentação, na qual a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) e o Balé do TCA - corpos artísticos da casa - compartilharam o palco com Gilberto Gil, Baby do Brasil, Saulo, Neojiba, Jackson Costa e os Filhos de Gandhy. Mas aquele momento foi apenas o ponto de partida das celebrações pelo aniversário do teatro. Em conversa com o Bahia Notícias, a diretora artística do teatro, Rose Lima, falou sobre os projetos previstos para as comemorações, como o lançamento de um selo de 50 anos do TCA e a criação de uma plataforma digital colaborativa com materiais históricos e relatos do público, que resultará em um livro online. Ela revelou ainda que também não irão “deixar em branco a comemoração de um ano da reinauguração da Concha [Acústica]”. “Eu lhe asseguro que vai ser uma programação bem interessante, que vai envolver várias linguagens. Assegurando que música, teatro, dança, circo estarão contemplados, e que a gente possa, quem sabe, passar um dia inteiro aqui dentro”, garantiu Rose Lima, explicando, no entanto, que o formato do tributo ainda está em fase de estudo. A diretora artística do teatro falou ainda sobre o preço dos ingressos da Concha, após a reabertura, destacando que o espaço está “processo de acomodação de tudo” e que estão previstos eventos realizados sob tutela do Estado, nos quais as entradas têm valores mais acessíveis. 
 

O teatro completou 50 anos no dia 4 e contou com um grande show, com a Osba, Neojiba, Gilberto Gil, Baby do Brasil, Saulo, Jackson Costa e Filhos de Gandhy. A apresentação foi só o início das celebrações pelo aniversário. O que mais está programado?
Na ocasião nós lançamos também um selo de 50 anos do TCA, que vai envolver outras comemorações que virão. A primeira ação já engatilhada é a plataforma digital para construção de um livro online. Então, é um livro onde o teatro terá pesquisadores que vão fazer a coleta das informações destes 50 anos de história, ao mesmo tempo que teremos um jornalista que vai trabalhar junto com o público em geral, que vai mandar também através dessa plataforma informações, fotos, sugestões, convites, banners, enfim, coisas que público também vai poder colaborar para a construção deste livro. Vai ser um livro feito a várias mãos e no final do ano nós teremos um material online que qualquer pessoa vai poder acessar, daqui de Salvador ou de qualquer lugar do mundo. A comemoração é do Complexo Castro Alves, é da Sala Principal, da Concha Acústica e dos vários espaços que compõem o TCA. O foyer vai ter uma exposição, também. O Balé do Teatro Castro Alves vai lançar uma coreografia nova agora em março, do projeto Endogenias. E em abril, que é o mês da dança e o mês de aniversário também do Balé do TCA, eles vão montar uma nova coreografia com um coreano, que é o Jae Duk Kim. Durante todo o ano a gente vai ter uma vasta programação, que está dentro do selo dos 50 anos. Muita coisa pra comemorar, 50 anos não são 50 dias. E realmente o TCA é uma referência para os artistas, para os técnicos, para os diversos públicos que circulam pela casa. Diversos públicos porque você tem público de música clássica, de dança. Dentro da própria música, você tem grupos que frequentam hip hop, vão pra Criolo, Emicida. Outros querem ver Djavan, Caetano Veloso, então a gente vê que a diversidade é grande e você consegue contemplar a diversidade de uma comunidade que também é muito grande.


Aniversário do TCA reuniu Osba, Baby, Gil, Saulo, Neojiba e Filhos de Gandhy na Concha Acústica | Foto: André Carvalho/Ag. Haack / Bahia Notícias


Sobre este livro colaborativo, qual vai ser o canal pelo qual o público vai poder enviar essas informações?
Isso vai ser a partir de maio. A gente está trabalhando já nele, mas assim como parte também da comemoração do primeiro ano da Concha Acústica a gente vai ao mesmo tempo colocar essa plataforma digital para a construção do Livro dos 50 anos online.


Ano passado houve outro marco para o teatro, que foi a reabertura da Concha Acústica, após reformas. A primeira etapa destas obras incluiu o quê, além da própria Concha?
A primeira parte da reforma incluiu a construção de um estacionamento para 320 automóveis mais a reformulação completa dos camarins e camarotes da Concha Acústica, acessos, a criação de uma Esplanada, que é mais uma espaço também, tanto de acesso, quanto para a realização de eventos. E tem a própria Concha. Teve a passarela técnica, que é aquela nova cobertura, onde a gente faz a colocação de toda a parte técnica, parte de iluminação, de equipamentos de som, de LED.


Em seguida iniciaria a segunda etapa destas obras…
A segunda etapa, que o projeto já está concluído (clique aqui e saiba mais), mas está em fase de captação, é a reforma da Sala do Coro.


A crise econômica e política pela qual o país passa afetou de alguma maneira as obras e atividades do teatro?
Olha, a obra da primeira etapa já está concluída, então tem alguns ajustes que estão sendo feitos. Para a segunda etapa, a gente está nessa fase de captação, então como estamos começando essa fase agora, não sei te afirmar. Mas claro que tudo o que o país está vivendo hoje em dia influencia qualquer coisa que se relaciona com a necessidade de verba. Mas a gente está lutando. E em relação aos espetáculos da Concha e da Sala Principal, a gente não consegue sentir assim um abalo grande. Claro que a gente escuta os produtores que tem falado das dificuldades de conseguir apoiadores e patrocinadores, mas a gente está com a pauta bastante grande, bastante diversificada. Já temos vários espetáculos pautados não só para a Sala Principal, como da Concha Acústica.


Sala do Coro está em segunda etapa de obras no Complexo Teatro Castro Alves | Foto: Divulgação


A Concha sempre foi conhecida por ter preços mais acessíveis, mas o público tem reclamado dos valores praticados após a reforma. É difícil manter esse padrão de preços mais baixos? Por que isso acontece? 
O que a gente precisa explicar é o seguinte: o espaço, tanto da Sala Principal, quanto da Concha Acústica, é um teatro público, mas tanto ele abriga projetos próprios, realizados pelo Estado - quando eu digo estado, é Secretaria de Cultura, Fundação Cultural, Teatro Castro Alves -, quanto também nós alugamos a pauta. Se você perceber, pelo histórico, todos os projetos que são próprios do Estado são projetos cujos preços estão numa faixa mais de preços populares. Esse último foi R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); a inauguração foi R$ 60 e R$ 30; quando você vai à Orquestra Sinfônica é R$ 20 e R$ 10; Neojiba é R$ 8 e R$ 4, ou seja, o que é produzido pelo Estado ele tem um valor realmente popular. Agora, as outras produções, cada um tem as suas necessidades, então se você vai trazer um grande ícone, você tem que colocar som, luz, portaria, então tem também aí um gasto operacional que a grande, e por isso mesmo, a depender do custo também do cachê do artista, eles têm que fazer um cálculo onde os valores de ingresso têm um valor um pouco mais alto. Agora, também note que um projeto que foi descontinuado, o “Sua Nota é Um Show”, é muito identificado com a Concha. É um projeto que era realmente com troca de notas fiscais e tal. Mas a gente vai ter alguns projetos que estão retornando, como o “Som na Concha”, que vai trazer agora Zeca Baleiro essa semana, em que os valores de ingresso já são mais módicos. Eu acho que a gente está também num processo de acomodação de tudo. Então, quando você abre um equipamento novo, claro que tudo é brilho, tudo é diferente, mas eu acho que também a coisa vai se acomodando um pouco mais, e vão surgindo outros projetos como o Som na Concha, com um preço mais acessível.


?Falando sobre este espaço, ano passado, na ocasião da reabertura, ocorreu o festival “Eu Sou a Concha” e falou-se em dar continuidade. Realmente isso vai acontecer?
Não vamos deixar em branco a comemoração de um ano da reinauguração da Concha, então estamos pensando ai num festival e vocês verão em breve uma programação. Na verdade tem que ser uma programação que esteja no mesmo top do que foi a reabertura da Concha, que foi um festival muito bonito, com a participação de quase 20 mil pessoas. Foram mais de 300 pessoas, entre artistas e funcionários envolvidos. Foi um evento que chamou a atenção do país todo, mobilizou bastante, não só os artistas, como públicos diversos. Eu lhe asseguro que vai ser uma programação bem interessante, que vai envolver várias linguagens. Assegurando que música, teatro, dança, circo estarão contemplados, e que a gente possa, quem sabe, passar um dia inteiro aqui dentro. Com certeza nós teremos essa comemoração, mas o formato a gente ainda está estudando. Acho que todo mundo vai gostar, porque estamos sempre querendo fazer algo diferente, algo que impacte, algo que fique na memória da cidade, na memória dos baianos e de quem mais vier. A gente viu que várias pessoas tiveram acesso também através da TVE. Se você notar, a gente está tendo uma parceria ainda maior com a TVE, que está reproduzido vários espetáculos. E a TV tem o alcance muito grande e isso é também compartilhar com outras pessoas, que, por exemplo, não poderiam pagar nem R$ 20.

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