Quarta, 15 de Julho de 2015 - 13:30

BN HQ: Homem-Formiga quebra desconfianças e se eleva entre os heróis da Marvel

por Edimario Duplat (edimarioduplat@bahianoticias.com.br)

BN HQ: Homem-Formiga quebra desconfianças e se eleva entre os heróis da Marvel

Após reunir os seus maiores heróis em Vingadores: A Era de Ultron, a Marvel Studios volta a fazer o que sabe melhor: Trazer mais um de seus personagens as telonas e não decepcionar os fãs tanto dos quadrinhos quanto do cinema.

Dessa vez, o diminuto Homem-Formiga é o novo protagonista do momento e demonstra que uma história bem contada pode engrandecer qualquer conceito e promover um super-herói que muitos desconfiavam ser uma boa ideia para os cinemas.

Na trama, conhecemos a história do Doutor Hank Pym (Michael Douglas), um cientista que tem em suas mãos uma das invenções mais revolucionárias dos últimos anos: As partículas Pym.

Com elas, qualquer ser vivo ou inanimado pode ser reduzido a partículas microscópicas, fazendo com que um simples soldado treinado possa se transformar em um verdadeiro espião e consiga roubar qualquer tipo de objeto independente do seu peso ou tamanho.

Entretanto, para defender o segredo dessa fórmula nos tempos atuais, o cientista e sua filha, Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) precisam de um escolhido e tem no ex-presidiário  Scott Lang (Paul Rudd) a pessoa certa para vestir o uniforme do diminuto herói.


Assim como foi característica dos filmes que compuseram a chamada “Fase 2” da Marvel, Homem-Formiga é uma história focada em uma fórmula de sucesso nos produtos da franquia. A humanização do personagem, muitas vezes com boas doses de humor, recheia um produto sem deixar de lado o heroísmo e as boas cenas de ação, levando uma trama empolgante que prende o espectador sem precisar de aparatos “revolucionários” em sua concepção.

Não se pode negar que o filme dirigido por Peyton Reed até demora de engrenar, e esse talvez seja um complicado problema da sua narrativa inicial. Por outro lado, isso acaba por valorizar os atores presentes na história, que aliados a um roteiro simples e sem muitas dificuldades, sabem elevar o valor humano que é necessário para apresentar e conceituar cada um dos envolvidos.

A impressão que se fica é que o filme custa até mesmo a acreditar em seu próprio tema, e demora de admitir que levará a todos para uma nova perspectiva. Entretanto, quando isso acontece realmente, podemos considerar todos os tipos de elogios possíveis para a forma que se constrói toda a interpretação de um mundo diminuto e todas as suas nuances.


Além de serem cenas que se preocupam em romantizar o conto da miniaturização, com todo o tipo de apelos que vão de insetos até viagens insólitas, o filme inteligentemente traz sempre o paralelo entre esses dois mundos distintos, fazendo com que o vislumbre muitas vezes se transforme abruptamente em algo tão absurdo e talvez ínfimo se for visto de outra perspectiva.

Na parte relacionada ao lado super-heróico da história, temos um Homem-Formiga que sabe romantizar os seus poderes e sair da esfera de “que tipo de poder ridículo” para o “eu nunca tinha pensado por esse lado” ou “não sabia que ele também faria isso”. Nesse quesito, vale ressaltar que o conceito de utilizar um vilão com o mesmo ‘dom’, o enlouquecido Jaqueta Amarela (Corey Stoll), glorifica mais ainda o protagonista e dá a ele um patamar que não deixa nada a desejar ao maior grupo de heróis da editora.

Para os fãs das HQs, vale destacar a decisão de utilizar o segundo Homem-Formiga como o personagem principal e deixar que o primeiro funcione como um mentor. A posição de cada um é justificada pela forma de pensar que eles já trazem dos próprios quadrinhos e até a adição da Hope Van Dyne (que era apenas a filha de Pym em um futuro alternativo originalmente) é valorizada pela força e empenho que a tornam um dos pilares para o funcionamento da trama.


Sem deixar de lado o universo a qual foi criado, mas conseguindo se completar na própria história, Homem-Formiga consegue honrar este grande universo cinematográfico e fazer com que os seus próprios criadores se sintam mais à vontade para introduzir mais e mais personagens para a mídia audiovisual.
 

No final das contas, Homem-Formiga consegue figurar como uma boa opção no leque de películas super-heroicas não por alguma revolução estética ou revolução narrativa, mas por ser honesto com a sua inspiração e autêntico como toda boa adaptação pode ser. Além de mostrar, que uma história só precisa ser bem contada para ser uma boa história.


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