Sábado, 13 de Janeiro de 2018 - 18:43

Flashes: Aniversariante de fé

por Adriana Barreto

Flashes: Aniversariante de fé
Des. Baltazar Miranda Saraiva | Foto: Arquivo Pessoal

O aniversário do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, hoje (13), foi comemorado na Colina Sagrada, onde participou da tradicional Novena do Senhor do Bonfim. O ilustre e querido desembargador foi homenageado pelos membros da Venerável Irmandade do Bonfim, da qual é um dos mais atuantes Irmãos da Mesa Administrativa.

Terça, 09 de Janeiro de 2018 - 10:00

Rômulo Moreira: Freud e a Guerra

por Rômulo Moreira

Rômulo Moreira: Freud e a Guerra
Foto: Divulgação

No início do século passado, a Europa atravessava um período de intensa turbulência política – muito em razão de acontecimentos já do final do século XIX, já que alguns Estados europeus estavam inconformados com a partilha de territórios asiáticos e africanos para fins de colonização. Enquanto França e Inglaterra puderam explorar as terras estrangeiras – extremamente ricas em matéria-prima, colonizando-as, países como a Alemanha e a Itália haviam sido excluídos do processo “imperialista”, fato que, não isoladamente, pode ser considerado como a gênese do primeiro grande conflito mundial – não apenas, repita-se.


Além de matéria-prima, havia também uma disputa intensa por novos mercados consumidores e, por conseguinte, uma perigosa corrida belicosa, ocasionando uma constante apreensão geopolítica, especialmente entre os países europeus.


Como afirma Bobbio, foi mais precisamente “nos fins do século XIX que se iniciou o estudo sistemático dessa série de fenômenos, isto é, só então surgem as primeiras teorias sobre o Imperialismo, dando origem a uma sequência de análises que nunca deixaram de se desenvolver, em quantidade e qualidade, até hoje. Isto está evidentemente ligado ao fato de que, nas últimas décadas do século XIX (particularmente depois de concluída a unificação italiana e alemã, em 1870), se iniciou uma fase histórica marcada por uma especial intensidade e qualidade dos fenômenos imperialistas. Com efeito, entre 1870 e a deflagração da Primeira Guerra Mundial, deu-se a repartição quase completa da África entre os Estados europeus e a ocupação (em que participou também o Japão e, em medida mais restrita, os Estados Unidos) de vastos territórios da Ásia, ou sua subordinação à influência europeia (China, Pérsia, império otomano .” 


Arendt lembra, de mais a mais, que “somente após a triunfal expansão imperialista das nações ocidentais nos anos 1880 cristalizaram-se em movimentos, seduzindo a imaginação de camadas mais amplas. As nações da Europa central e oriental, que não tinham possessões coloniais e mal podiam almejar a uma presença no ultramar, decidiram então que ´tinham o mesmo direito à expansão que os outros grandes povos e que, se não (lhes) fosse concedida essa possibilidade no além-mar, (seriam) forçadas a fazê-lo na Europa`.”


Tais nações, continua, “tinham de procurar colônias no continente e expandir-se de modo geograficamente contínuo a partir de um determinado centro de poder.” 


Lembre-se que França e Alemanha – duas das nações mais poderosas da Europa - eram rivais históricas, desde que os franceses, no final do século XIX, perdeu para os alemães a região da Alsácia-Lorena – e a queriamna de volta, durante a Guerra Franco Prussiana ou Guerra Franco-Germânica (iniciada em 19 de julho de 1870 e finda no dia 10 de maio de 1871). Nesta guerra, o Reino da Prússia recebeu apoio da Confederação da Alemanha do Norte, da qual fazia parte, e do Grão-Ducado de Baden, do Reino de Württemberg e do Reino da Baviera.  


A vitória germânica escreveu o desfecho da unificação alemã sob o comando da Alemanha, ao tempo em que também marcou a queda de Napoleão III e, consequentemente, da Monarquia francesa e sua substituição pela Terceira República. 


Ademais, os pangermanistas e pan-eslavistas, considerando-se Estados e povos continentais, tinham uma tendência nacionalista e unificadora, o que aumentava a tensão no Velho Mundo.


De toda maneira, como se sabe, o marco histórico considerado como o desencadeador do primeiro grande combate mundial foi, sem dúvidas, a morte, por homicídio, de Francisco Ferdinando, príncipe do Império Austro-Húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). O assassinato foi atribuído a um membro de um grupo sérvio conhecido como “Unificação ou Morte” ou “Mão Negra”, organização nacionalista que recorria ao terrorismo como uma forma de atividade política, e tinha conexões com alguns elementos pan-eslavistas do governo da Sérvia.


O Império Austro-Húngaro, insatisfeito com as providências tomadas pela Justiça da Sérvia em relação ao assassinato, declarou guerra à Sérvia no dia 28 de julho de 1914, iniciando-se a Primeira Guerra Mundial.


Em um dos campos da batalha estavam a Itália, o Império Austro-Húngaro e a Alemanha – formando a Tríplice Aliança. Do outro lado entrincheirava-se a Tríplice Entente, formada pela França, Rússia e Reino Unido. Apenas em 1917 os Estados Unidos juntaram-se aos países da Tríplice Entente, especialmente em razão de interesses comerciais que tinham com a Inglaterra e a França.


Em 11 de novembro de 1918 acabava o conflito mundial, com a assinatura do Tratado de Versalhes (verdadeira gênese da Segunda Guerra Mundial), deixando para trás, aproximadamente 10 milhões de pessoas mortas, o triplo de feridos (entre civis e soldados), a destruição de campos agrícolas e de indústrias, além, por óbvio, de um prejuízo econômico monumental. 


Pois bem.


Um ano após o início da guerra, Freud, então com 58 anos, escreveu um pequeno texto – porém magistral – que intitulou “A desilusão causada pela guerra” , mostrando-se alarmado com o conflito mundial de grandes proporções. Com este mote, o pai da psicanálise – nunca superado -, mergulhou mais uma vez – e com precisão, como quase sempre o fazia – na alma e na natureza humanas.


Diante do início ainda da guerra, Freud já constatava “que jamais um acontecimento destruiu tantos bens preciosos da humanidade, jamais confundiu tantas inteligências das mais lúcidas e degradou tão radicalmente o que era elevado.”


Notava, aparentemente surpreendido, que mesmo os homens das ciências estavam apaixonados pelas respectivas causas. Assim, por exemplo, “o antropólogo tem que declarar o adversário um ser inferior e degenerado, o psiquiatra tem que diagnosticar nele uma perturbação espiritual ou psíquica.”


A guerra, então, “trouxe a... desilusão. Não é apenas mais sangrenta e devastadora do que guerras anteriores, devido ao poderoso aperfeiçoamento das armas de ataque e de defesa, mas pelo menos tão cruel, amargurada e impiedosa quanto qualquer uma que a precedeu.”             


É bem verdade que Freud admitia que sempre haveria guerras “enquanto os povos viverem em condições tão diferentes, enquanto divergirem de tal modo no valor que atribuem à vida individual, e enquanto os ódios que os dividem representarem forças psíquicas tão intensas.” Ele temia, no entanto, que esta guerra, em especial, deixasse “um legado de amargura que por longo tempo tornará impossível o restabelecimento dos mesmos.”


E ele tinha razão. O referido Tratado de Versalhes, que pôs fim oficialmente aos combates, foi a origem – a um só tempo, portanto – da Segunda Guerra Mundial, pois, nos termos em que foi imposto aos derrotados, causou forte impacto e profundo ultraje na população derrotada, o que contribuiu, por exemplo na Alemanha, para a queda da República de Weimar em 1933 e a ascensão do Nazismo. O resultado já sabemos...


A Primeira Grande Guerra mostrava-se impressionantemente diversa de todos os outros conflitos enfrentados pela Humanidade. Ela ultrapassava “todos os limites que nos impusemos em tempos de paz, que havíamos chamado de Direito Internacional, não reconhece as prerrogativas dos feridos e dos médicos, a distinção entre a parte pacífica e a parte lutadora da população, nem os direitos de propriedade.” A guerra a tudo transpunha “em fúria enceguecida, como se depois dela não devesse existir nem futuro nem paz entre os homens.” 


No seu texto, Freud faz uma digressão a respeito do monopólio estatal na “distribuição” da (in) justiça, afirmando que “o Estado proíbe ao indivíduo a prática da injustiça, não porque deseje acabar com ela, mas sim monopolizá-la, como fez com o sal e o tabaco.” Sendo assim, o Estado em guerra permite a ele próprio a prática de “qualquer injustiça, qualquer violência que traria desonra ao indivíduo”, agindo contra o inimigo, “não apenas da astúcia autorizada, mas também da mentira consciente e do engano intencional, e isso numa medida que parece ultrapassar o costumeiro em guerras anteriores.”


Em especial, ao que parece pela leitura do texto, duas coisas provocaram uma grande decepção em Freud. A primeira teria sido “a pouca moralidade mostrada exteriormente por Estados que nas relações internas posam de guardiães das normas éticas.” A segunda, “a brutalidade do comportamento de indivíduos que, como membros da mais elevada cultura humana, não acreditaríamos capazes de atos semelhantes.” 


Este segundo ponto, esta segunda decepcionante constatação do psicanalista, leva-o a perguntar como se dá “o processo mediante o qual um indivíduo alcança um mais elevado estágio de moralidade?” Uma primeira resposta – “ele é bom e nobre desde o início, de nascimento” – não foi levada em consideração pelo escritor. Já a segunda resposta àquela indagação deveria partir do pressuposto “de que se está diante de um processo de desenvolvimento”, consistente “em que as más inclinações do ser humano são nele extirpadas e, sob influência da educação e do ambiente cultural, substituídas por inclinações para o bem.”


Esta segunda resposta também foi refutada por ele, pois, “na realidade não existe nenhuma ´extirpação` do mal” e justamente a investigação psicanalítica mostrara “que a essência do homem consiste em impulsos instituais  de natureza elementar, que são iguais em todos os indivíduos e que objetivam a satisfação de certas necessidades originais.”


Ora, como diz Freud, tais impulsos “não são bons nem maus em si. Nós os classificamos dessa forma, a eles e a suas manifestações, conforme sua relação com as necessidades e exigências da sociedade humana.”


Assim, impulsos tidos como maus pela comunidade – o egoísmo e a crueldade, exemplificava Freud -, estão, na verdade, “entre os primitivos”, percorrendo eles “um longo caminho de desenvolvimento até chegarem a se tornar ativos no adulto.” 


Às vezes, outrossim, determinadas reações “contra certos instintos criam a ilusão de uma mudança em seu conteúdo, como se o egoísmo se tornasse altruísmo e a crueldade, compaixão.”


Aqui, o pai da psicanálise explica o fenômeno que ele denomina de “ambivalência afetiva”, quando “alguns impulsos instintuais aparecem em pares de opostos quase que desde o início.” Assim, por vezes “o amor intenso e o ódio intenso surgem com muita frequência unidos na mesma pessoa”, acontecendo mesmo, e não raramente, de ambos os dois impulsos afetivos “tomarem a mesma pessoa por objeto.”


Superado após esse processo (doloroso, digo eu), com todos os seus percalços, forma-se, então, “o que chamamos de caráter de uma pessoa, e que sabidamente é classificado de ´bom` ou ´mau` de maneira muito precária”, pois, afinal de contas, diz Freud, “um ser humano é raramente bom ou mau por inteiro, em geral é ´bom` nesse aspecto, ´mau` naquele outro, ou ´bom` em determinadas circunstâncias e decididamente ´mau` em outras.”


Ademais, dois fatores atuam para a transformação dos instintos “maus”. O primeiro, de natureza interna, “consiste na influência exercida nos instintos maus – egoístas, digamos – pelo erotismo, pela necessidade humana de amor no sentido mais amplo. Pela intromissão dos componentes eróticos os instintos egoístas são transformados em sociais.”


O segundo fator, este de natureza externa, é justamente “a coação exercida pela educação, que representa as demandas do ambiente civilizado, e que depois prossegue no influxo direto do meio cultural”, de uma tal maneira “que tendências egoístas cada vez mais se convertam em altruístas, sociais, pela adjunção de elementos eróticos.” Essa “coação externa, que a educação e o meio exercem, contribui ainda para mudar a vida instintual da pessoa em direção ao bem, para transformar seu egoísmo em altruísmo.”


Ocorre que a vida na sociedade civilizada obriga os seus integrantes a viverem em constante tensão em relação às exigências de natureza moral, obrigando-os “a um distanciamento ainda maior de sua disposição instintual”, sendo-lhes imposta “uma contínua repressão instintual.” Tais repressões, quando tomadas no âmbito da sexualidade, “em que é mais difícil efetuar essa repressão, ocorrem os fenômenos reativos das afecções neuróticas.” 


Já em outros espaços – que não o da sexualidade – tal coação externa “não traz consequências patológicas, mas se exprime em malformações de caráter e na permanente propensão de os instintos inibidos irromperem em busca de satisfação, quando a oportunidade se apresenta.”


Eis, então, que surge a hipocrisia e o hipócrita, ou seja, aquele “obrigado a reagir continuamente segundo preceitos que não são expressão de seus pendores instintuais.” Ademais, “a nossa atual civilização favorece de maneira extraordinária a produção de tal espécie de hipocrisia.” Aliás, Freud vai ainda mais além para afirmar que esta nossa civilização, na verdade, “está edificada sobre essa hipocrisia, e que teria que admitir profundas mudanças, caso as pessoas se propusessem viver conforme a verdade psicológica. Portanto, existem muito mais hipócritas culturais do que homens realmente civilizados.”


De toda maneira, ele próprio admite que “a manutenção da cultura, ainda que sobre uma base tão duvidosa (a hipocrisia, lembro), oferece a perspectiva de preparar o caminho, em cada nova geração, para uma transformação instintual mais ampla, portadora de uma cultura melhor.” 


Portanto, conclui Freud “que era injustificada a amargura e a dolorosa desilusão pela conduta incivilizada de nossos concidadãos do mundo nesta guerra.” Tratava-se apenas de uma ilusão, pois, “na realidade eles não desceram tão baixo como receávamos, porque não tinham se elevado tanto como acreditávamos.”


Ou seja, na verdade, os homens em guerra, ao deixarem de lado suas limitações de natureza moral, foram instados a se livrar daquela coação externa – sempre duradoura -, permitindo-lhes “temporariamente a satisfação de seus instintos refreados.” Logo, essa transformação instintual “pode ser desfeita – duradoura ou temporariamente – por interferências da vida”, como a guerra, por exemplo, razão pela qual pode-se “esperar que em tempos mais tranquilos se restabeleça o enobrecimento de seus instintos.”


Por fim, um “enigma” não decifrado pelo maior psicanalista da história da humanidade, revelado nas últimas linhas do texto: “Por que os povos-indivíduos de fato se menosprezam, se odeiam, se execram, e isso também em períodos de paz, cada nação fazendo o mesmo?”

 

“Eu não sei o que dizer sobre isso. É como se todas as conquistas morais do indivíduo se apagassem quando se junta um bom número ou mesmo milhões de pessoas, e restassem apenas as atitudes mais primitivas, mais antigas e cruas.”

Quinta, 04 de Janeiro de 2018 - 10:00

Rômulo Moreira: Antígona, uma tragédia...

por Rômulo Moreira

Rômulo Moreira: Antígona, uma tragédia...
Foto: Divulgação

Antígona, como se sabe, é uma tragédia escrita pelo dramaturgo grego Sófocles - um dos mais importantes escritores dessa forma de drama na Antiguidade Clássica - possivelmente no ano 442 a.C. -, sendo uma das três tragédias que compõem o chamado “Ciclo Tebano” ou a “Trilogia Tebana”, ao lado de “Édipo Rei” e de “Édipo em Colono”. 


A protagonista da peça, Antígona, é a filha de Édipo e irmã de Ismênia (a “irmã adorada”), de Polinices e de Etéocles, todos filhos e filhas todas do casamento incestuoso de Édipo com Jocasta – duas mulheres numa só, mãe e esposa (mas essa é uma outra tragédia...). Jocasta havia abandonado a própria vida, “pendurando-se numa corda ignominiosa”, enquanto Édipo, expiando-se também do incesto invito, deu fim à sua visão, furando os seus próprios olhos.


Antígona foi a única filha que não abandonou o seu pai, Édipo – amaldiçoado que fora por Zeus, e cego -, quando foi expulso de Tebas, acompanhando-o em seu exílio até a sua morte, como uma filha apaixonada e devotada. 


A tragédia conta o incondicional, absoluto e mortal amor entre Antígona e o seu irmão Polinices e, sobretudo, o respeito às leis naturais, aos deuses!


Quando Antígona, após a morte de Édipo, voltou a Tebas, seus dois irmãos - Polinices e Etéocles – lutavam entre si pelo trono. Ambos haviam sido amaldiçoados pelo próprio pai, Édipo, a quem o haviam rejeitado. Execrados, foram destinados a se matarem, um ao outro, o que veio a ocorrer na disputa pelo trono. Polinices, lutando para herdar o poder que havia sido do seu pai, avançou contra Tebas, ao lado dos argivos , contrariando o seu tio Creonte e o enfurecendo. Deu-se, então, o embate entre ambos os irmãos, culminando em um fratricídio recíproco. Mataram-se! 


“Trocaram golpes fatais às portas da cidade”, diria depois Ismênia à sua irmã.


“É madrugada do dia em que os irmãos de Antígona, Etéocles e Polinices, morrem lutando às portas de Tebas. Tendo fugido os argivos, atacantes da cidade (de Tebas), Creonte, o rei, é o grande herói do dia.”


“Polinices, quase menino, acreditava em Argos e morreu por ela”, lembra Antígona. Já o outro, Etéocles, “ainda mais jovem, lutou até o fim, defendendo do próprio irmão a última porta de Tebas.”

 

Então, Creonte, tio de Antígona, irmão de Édipo, herda o trono – “como parente mais próximo dos mortos” - e assume o poder. Como vingança, o rei resolve fazer uma sepultura com todas as honras para um dos irmãos de Antígona, Etéocles, deixando a esmo o corpo do seu outro irmão, Polinice – suposto traidor do governo da Polis -, abandonado exatamente no lugar onde havia sido morto, impedindo qualquer um de enterrá-lo sob pena de “morte a pedradas.” Fê-lo para que o cadáver ficasse exposto à putrefação e à dilaceração e fosse “banquete fácil dos cães e dos abutres.”


Disse o rei aos anciãos e conselheiros de Tebas:


“Não se conhece verdadeiramente um homem, sua alma, sentimentos e intenções, senão quando ele administra o poder e executa as leis. Etéocles, que morreu defendendo a cidade, deverá ser sepultado com todas as pompas militares dedicadas ao culto dos heróis. Mas seu irmão, Polinices, amigo do inimigo que nos atacava, esse ficará como os que lutavam a seu lado – cara ao sol, sem sepultura. Ninguém poderá enterrá-lo, velar-lhe o corpo, chorar por ele, prestar-lhe enfim qualquer atenção póstuma. Mesmo depois de mortos, não devemos tratar heróis e infames de maneira idêntica. Nunca, enquanto eu for rei, Tebas dará tratamento igual ao traidor e ao justo.”                 

   
Antígona, revoltada, tenta convencer Creonte, o seu tio e filho de Meneceus, a permitir que o insepulto fosse enterrado com dignidade. Do contrário, estaria o morto condenado a vagar cem anos nas margens do rio Aqueronte que levava ao mundo dos mortos, sem poder ir para o outro lado, como se dava para quem morresse sem as solenidades e as honras fúnebres. O direito a uma sepultura digna era o “pagamento” que se fazia para se chegar até ao reino dos mortos, onde Plutão e a deusa Perséfone imperavam.


“Para Etéocles, que morreu nobremente pela pátria e pelo direito, Creonte ordenou pompas de herói, respeito total e detalhado a todos os ritos e costumes. Mas o corpo do desgraçado Polinices, o traidor, não terá sepultura”, disse Antígona à irmã.


Quando Ismênia pergunta-lhe se teria “a audácia de enfrentar o edital de Creonte e a ira do povo”, responde-lhe Antígona: “Enterro meu irmão, que é também o teu. Farei a minha parte se tu te recusares. Poderão me matar, mas não dizer que eu o traí.”


Ismênia atemoriza-se:


“Temos que lembrar, primeiro, que nascemos mulheres, não podemos competir com os homens; segundo, que somos dominados pelos que detêm a força e temos que obedecer a eles, não apenas nisso, mas em coisas bem mais humilhantes. Peço perdão aos mortos que só a terra oprime: não tenho como resistir aos poderosos. Constrangida a obedecer, obedeço. Demonstrar uma revolta inútil é pura estupidez. Não me sinto com forças para desafiar o Estado. Não tenho tua coragem nem tua indignação e fico aqui tremendo de medo por ti. Embora louca, a tua ação é cheia de ternura.”


Antígona responde com altivez:


“Pois obedece então a teus senhores e glória a ti, irmã. Eu vou enterrar o nosso irmão. E me parece bela a possibilidade de morrer por isso. Devo respeitar mais os mortos do que os vivos, pois é com eles que vou morar mais tempo. Mas tu és livre para ficar com os vivos e desonrar os mortos. Poupa teu medo que a mim me basta o meu. Não é por não ter medo que tomo esta atitude. A minha loucura e a minha imprudência velam a honra de um morto querido. Arriscando-me por ele não corro o risco de uma morte inglória.”


O seu amor fraternal, a sua coragem, o seu destemor e o seu respeito às ordens divinas, levam-na a uma atitude extremada e fatal: remove do local o cadáver dessepulto do seu irmão amado e o enterra “com as próprias unhas.”


"O cadáver, alguém o enterrou rapidamente e desapareceu. Quando vimos, o morto estava coberto de pó e terra seca, e havia em volta outros sinais de que se tinham cumprido os ritos piedosos”, disse um guarda – amedrontado e sem fôlego – ao furioso rei Creonte.


Logo depois, volta o guarda com Antígona, presa. “Confesso tudo. Não nego coisa alguma”, admitiu Antígona, ao ser interrogada por Creonte. Desafiando o rei, disse-lhe:


“A tua lei não é a lei dos deuses; apenas o capricho ocasional de um homem. Não acredito que tua proclamação tenha tal força que possa substituir as leis não escritas dos costumes e os estatutos infalíveis dos deuses. Porque essas não são leis de hoje, nem de ontem, mas de todos os tempos: ninguém sabe quando apareceram. Não, eu não iria arriscar o castigo dos deuses para satisfazer o orgulho de um pobre rei.”


Como se vê logo no início, esta peça, segundo observa Felipe Pimenta, “aborda alguns dos temas que sempre estarão presentes em qualquer sociedade humana, que são: a consciência individual; o poder do Estado; a obrigação ou não de aceitarmos todas as leis; e a própria existência de uma Lei natural que transcende à dos homens.”


A atitude de Antígona, diz o autor, “traz para a tragédia a questão da Lei Natural , que terá tanta importância futura no Cristianismo. A Lei dos Deuses permite que ela desobedeça às ordens de Creonte porque são superiores e estão além de qualquer governo de qualquer época. Historicamente, a Lei Natural foi facilmente colocada de lado por governantes e instituições em várias ocasiões. O eterno conflito entre a consciência de cada um e as leis estabelecidas por Estados e governantes poderosos deu origem a muitas situações dramáticas. Creonte rapidamente condena Antígona à morte. Foi fácil para ele fazer isso.” 


Conforme acentua José Lourenço Torres Neto, Antígona “é o marco do surgimento da ideia generalizada de direitos subjetivos independentes e acima do direito positivo, que por um longo período foi difundida e posteriormente internalizada nas constituições liberais.  Drama porque estas entidades que corporificam duas posições concebidas como legais se embatem dentro da alma humana dos personagens da narrativa e os obrigam a tomar uma posição excludente.”


Para ele, “questões sobre os limites da autoridade do Estado, do direito positivo, sobre as leis do direito natural, as leis não escritas, não são um mero posicionamento sobre o que é certo ou errado, justo ou injusto. Ou seja, perguntar se Polinice deveria lutar pelo trono deixado por seu pai, na sucessão natural, algo seu por direito divino (Thémis) como acreditava, ou Creonte que agora rei, julgasse que devia aplicar suas leis (Diké) a qualquer inimigo de Tebas. No caso, os parâmetros retóricos são distintos e não fazem parte do mesmo silogismo, daí os resultados conflitantes e inconciliáveis. Contudo, aí surgiu claramente a ideia generalizada de direitos subjetivos independentes e acima do direito positivo que perdurou por eras. Aceitando-se esse conceito, de fato, qualquer lado que se escolhesse geraria a exclusão do outro. Daí a importância histórica da superação do binômio universalidade-relatividade tão crucial para entender que, neste dilema, poderia haver alternativas não excludentes, não desenvolvidas aqui.”


Antígona, “destemida, ousada e indomável, atreveu-se a desafiar a tirania de seu tio Creonte e, mesmo ciente da pena de morte que seu ato implicaria, recusou-se em obedecer a leis civis, por achá-las inferiores aos desígnios divinos. Os interesses pessoais e sentimentos egoístas de Creonte que pensaram limitar o que era superior e mais amplo, não a afetaram.  Pelo contrário, a trama demonstraria quão acertada foi a convicção que tomou.”

 

“Os interesses de Creonte mudaram e o custo de sua decisão e decreto agora o atingiram pessoal e subjetivamente.  O destino foi implacável e como característica de uma tragédia de cujo desfecho nenhum bem se pode esperar, pois nela não existem escritas certas por linhas tortas, ´um erro traz sempre um erro. Desafiado o destino, tudo será destino.`” 


Pois bem.


Ismênia, sua irmã, e também sobrinha de Creonte, defende-a e se oferece, arrependida, para morrer também, sem êxito, porém:


“Peço que me deixes repartir contigo a tua culpa. Se te reconciliares comigo talvez nosso irmão morto me perdoe também a hesitação de antes. Sem ti, irmã, que me interessa a vida? A quem mais dedicar o meu amor? Então deixa que eu vá contigo.”


Hémon, primo e noivo de Antígona, filho de Creonte e irmão mais novo de Megareu, tenta salvá-la, enfrentando, ainda que com um temor reverencial, o seu pai:


“Nenhum Estado pertence a um homem só. Defendo apenas a justiça. A morte dela não matará só a ela. Olha bem para o meu rosto: nunca mais teus olhos me verão. Continua, enquanto puderes, teus atos de demência – sempre haverá um lacaio que se fingirá teu amigo e dirá que ninguém tem mais bom senso do que tu. Enquanto fores rei”, disse-lho o filho, em tom profético! 


Aqui, impõe-se a pergunta: “o dever para com nossos pais é superior ao enfrentamento de uma flagrante injustiça? Na psicologia de Jung existe o alerta de que o herói deve sempre superar a barreira familiar de sua cidade ou tribo para poder completar sua missão. O próprio Jesus era tido em pouca consideração por sua família, e se dependesse dela jamais teria sido o que foi. A advertência de Jung, que aplicamos ao caso da peça, é a de que os deveres para com a família sempre terão um limite, sob pena do surgimento de uma psicose ou esquizofrenia. A religião em si cumpre a tarefa de mostrar ao homem que existe algo superior à seu pai e mãe.” 


O rei Creonte, como castigo, determina que Antígona seja “enviada para um lugar deserto, enterrada viva numa gruta de pedra, nas montanhas. Lá não lhe chegará um som de voz humana e poderá conversar com seus mortos queridos. Receberá como alimento apenas a ração de trigo e vinho que os ritos fúnebres mandam dar aos mortos. Isso: para se manter viva terá que se alimentar com a comida dos mortos.” 


No entanto, já no sepulcro, dentro na “câmara nupcial, onde a donzela esperava a morte emparedada viva”, Antígona suicida-se, enforcando-se “num laço feito com o próprio véu.” Antes, vaticinou:


“Se alguém perguntar quem foi Antígona que respondam: foi aquela que morreu pouco antes de Tebas.”


Para François Ost, referido no trabalho de Roberta Drehmer de Miranda, “a consciência é vista pelos olhos de Antígona, a mulher que representa muito mais que um mero ´direito natural`; ela é a assunção da maternidade perdida, corrupta, de uma mãe que “mancha” a história da família e cujo mal é transmitido à sua descendência (à Antígona e seus irmãos). A palavra preferida de Antígona é philia, o amor aos familiares, esse amor cujo destino é honrar a memória dos irmãos e sanar para sempre o pecado original dos pais. Aliado a isto, o sentimento de Antígona em enfrentar Creonte publicamente traz um aspecto ousado de Sófocles: a função cívica da obra no sentido de dar verdadeiro significado ao nomos, expressado como um saber ´nomológico`, que persegue ´como ordenar o mundo e os atos para que as coisas sejam justas`.” 


Hémon, desesperado, vendo a sua amada morta, e diante de seu pai, “cospe-lhe na cara, ao mesmo tempo que num gesto feroz atirava um golpe de espada contra ele. Errando o golpe e vendo Creonte correr, apavorado, jogou todo o peso do seu corpo contra a espada, que o atravessou sinistramente, lado a lado. Moribundo, ainda abraça Antígona com os braços frouxos e nos espasmos da morte lança um jato de sangue na face pálida da morta. Morto abraçado a morto, lá ficaram.” 


Eurídice, a rainha, mulher de Creonte e mãe de Hémon, ao presenciar a morte do filho caçula – Megareu, o primogênito, acabara de ser morto em combate – também morreu “com golpes que desferiu no próprio peito.”


Consumada estava a tragédia. Restava, então, o fim do rei tirano, aliás, já predito pelo profeta Tirésias:


“Se celebram vitórias prematuras, a culpa não é minha. Só se devem usar os louros quando já estão secos. Quando vedes, seu gosto é muito amargo.”


Em desespero, brada Creonte, ante a queda iminente de Tebas:


“Eu já estava morto e outro golpe me mata uma segunda vez. Quantas vezes preciso purgar os erros cometidos? Quantos corpos dos que me cercam serão precisos para saciar a ira divina? O meu não basta? Não sei para onde olhar nem onde buscar apoio. Levem-me daqui. Para onde eu possa morrer exposto ao tempo, a fim de que meu corpo desonrado acalme, enfim, a ira dos deuses e aplaque a fúria do exército inimigo. Para que Tebas não morra comigo.”


Creonte, agora, arrependido, oferece-se ao sacrifício, tardiamente. Tebas cairá com ele.  

                  
Esta peça de Sófocles pode ser lida independentemente do tempo em que se o faça, pois, como disse Sérgio Buarque de Holanda, “ninguém exprimiu com mais intensidade a oposição e mesmo a incompatibilidade fundamental entre os dois princípios (família e Estado) do que Sófocles. Creonte encarna a noção abstrata, impessoal da Cidade em luta contra essa realidade concreta e tangível que é a família. Antígona, sepultando Polinice contra as ordenações do Estado, atrai sobre si a cólera do irmão, que não age em nome de sua vontade pessoal, mas da suposta vontade geral dos cidadãos, da pátria. O conflito entre Antígona e Creonte é de todas as épocas e preserva-se ainda em nossos dias.” 


Como escreveu o mais pessimista dos filósofos, Schopenhauer, “o mundo é o inferno, e os homens dividem-se em almas atormentadas e em diabos atormentadores.” 

Terça, 02 de Janeiro de 2018 - 10:00

Rômulo Moreira: A tristeza do pensamento

por Rômulo Moreira

Rômulo Moreira: A tristeza do pensamento
Foto: Divulgação

O Professor Francis George Steiner, nascido em Paris, no dia 23 de abril de 1929, e ainda vivo, é um filho de pais judeus que haviam emigrado de Viena – uma cidade já antissemita. Aos onze anos foi levado para Nova York, escapando da ocupação alemã, graças ao pressentimento do seu pai. Foi, portanto, um sobrevivente do Holocausto, ao contrário dos seus colegas do Lycée Janson-de-Sailly, quase todos assassinados por Hitler.


Estudou em Chicago e Harvard, depois em Oxford. Trabalhou para o “The Economist”, tendo sido, logo depois, o primeiro bolsista na área de humanidades do Institute of Advanced Study, em Princeton. 

 

Em 1961, com a fundação do Churchill College, mudou-se para Cambridge – onde vive atualmente. Em 1974 foi contratado pela Universidade de Genebra, onde lecionou literatura comparada perante alunos de todo o mundo, passando a viver entre o Reino Unido e a Suíça. Neste período passou a escrever para a “New Yorker” - por mais de trinta anos. 


George Steiner é um fenômeno, nas palavras de Peter Burke, historiador inglês. Fala três idiomas como um nativo - inglês, francês e alemão -, além de ler pelo menos sete idiomas com facilidade. Escreveu sobre filosofia, linguística e história intelectual, sendo também um conhecedor das ciências naturais. É um fascinado por filologia e apaixonado por poesia, música e filosofia. Imodestamente, apresenta-se como o último dos polímatas. Os seus mais diversos trabalhos incluem crítica literária, ficção, traduções e estudos sobre idioma, religião e até mesmo um relatório sobre um torneio de xadrez, "Cavalos de Reykjavík" (1973), quase sempre fazendo alusão às ciências naturais, da astrofísica à etologia. 


O seu livro mais recente, escrito em 2005 e publicado em Portugal em novembro de 2015, pela Editora Relógio D`Água Editores, chama-se “Dez Razões (Possíveis) para a Tristeza do Pensamento”. 


Nesta sua obra, Steiner usa como mote – digamos assim – a afirmação de Schelling - filósofo alemão – contida no “Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana”, de 1809 , de que “o pensamento é rigorosamente inseparável de uma ´melancolia profunda e indestrutível`”, atribuindo à existência humana uma tristeza fundamental, inescapável.”


A partir desta constatação, Steiner indaga-nos se temos nós “o direito de perguntar por que não deverá o pensamento humano ser alegre” e se poderemos “tentar esclarecer algumas razões para tal.”


Para estas perguntas ele aponta, em dez capítulos – não de forma categórica, eu diria –, os dez motivos para a tristeza do pensamento. Daí o título. 


Vejamos, sucintamente, o pensamento de Steiner sobre a tristeza do pensamento.

 

Partindo das premissas (?) de que “o pensamento é ilimitado”, que “podemos pensar sobre tudo e qualquer coisa” e de que “aquilo que fica fora ou para além do pensamento é rigorosamente impensável” – “esta possibilidade situa-se fora da existência humana” -, afirma Steiner que “a infinitude do pensamento é um marcador crucial da eminência humana”, pois “possibilita o domínio do homem sobre a natureza e, dentro de certas limitações, tais como a enfermidade e o sofrimento mental, sobre o seu próprio ser. Ele apoia a liberdade radical do suicídio, de interromper voluntariamente, e no momento escolhido, o pensamento.” Logo, “a infinitude do pensamento é também uma ´infinitude incompleta`.”


Daí uma contradição insuperável:


“Nunca saberemos até onde o pensamento pode ir no que diz respeito à soma da realidade. Não sabemos se aquilo que nos parece sem limite não é, na realidade, absurdamente estreito e irrelevante. Quem nos poderá dizer se a grande parte da nossa racionalidade, análise e percepção organizada não é constituída por ficções pueris?”


Portanto, eis o primeiro motivo para o “pesar”: “Esta contradição interna (aporia), esta inevitável ambiguidade, é inerente em todos os atos do pensamento, em todas as conceptualizações e intuições. Experimentem escutar atentamente a torrente do pensamento e, no seu centro inviolável, irão ouvir dúvida e frustração.”


Já para estabelecer o segundo motivo, o autor começa o capítulo seguinte afirmando que “o pensamento é incontrolável”, pois “mesmo quando estamos a dormir e, presumivelmente, quando estamos inconscientes, a corrente segue o seu curso. Apenas muito raramente estamos nós a controlar.”


Respirar – salvo por períodos curtos - e pensar são “dois processos que os seres humanos não conseguem fazer parar enquanto viverem” e essa “incapacidade de fazer parar o pensamento é um constrangimento aterrorizador. Ele impõe uma servidão de um despotismo e peso singulares. A cada instante das nossas vidas, quer acordados quer dormindo, habitamos o mundo pela via do pensamento.” 


Como percebemos em nosso viver, “a cada instante, atos do pensamento estão sujeitos a intrusões” e um “amontoado ilimitado de elementos externos e internos irão interromper, desviar, alterar, baralhar qualquer desenvolvimento linear do pensamento”, de uma tal maneira que “uma visão ou um som, não importa quão marginais, qualquer experiência tátil, qualquer ponta de cansaço ou aborrecimento, a irrupção do desejo repentino, irão apropriar-se do pensamento.”


Assim, essa “monotonia” do pensamento só seria possível “unicamente por meio de uma concentração treinada e disciplinada e de abstenção de toda a diversão”, tal como ocorre, talvez, com “certos místicos, certos adeptos da meditação, que procuraram atingir o vazio, um estado de consciência inteiramente receptivo porque vazio. Aspiraram a habitar o nada.”


Porém, “tais purezas, tais raios de pensamento inquebrantável”, para Steiner, “são acessíveis apenas a uns poucos, e por norma a sua duração é breve.” Atenta o autor haver “indícios, embora intermitentes, de que os poderes implícitos da meditação extrema podem esgotar-se numa idade bastante precoce.  A matemática pura de primeira ordem e a física teórica são prerrogativa dos jovens”, razão pela qual “prodígios na mnemónica raramente chegam a amadurecer.”


Conclui, então, que com “as explosões de concentração do pensamento dirigido” corre-se “o risco de exaustão ou danos mentais subsequentes.” Por outro lado, “é uma monomania  sem a qual diversos picos de compreensão humana e de conquistas não seriam exequíveis.” Neste ponto, para sustentar a sua segunda tese, ele lembra de Arquimedes - matemático, físico, engenheiro, inventor e astrônomo grego, considerado um dos principais cientistas da Antiguidade Clássica – que “não desistiu da sua análise de secções cónicas, embora esta concentração significasse a morte.”


E assim, chega-se à segunda causa da “melancolia indestrutível”: “O pensamento vulgar é muito mais frequentemente um empreendimento confuso e amadorístico.”


A terceira razão para a “tristeza inseparável” do pensamento reside na constatação inexorável de que “pensar é uma coisa supremamente nossa; encontra-se enraizada na mais profunda privacidade do nosso ser. É também um dos atos mais comuns, mais gastos e repetitivos. Esta contradição não pode ser resolvida.”     


Neste terceiro capítulo, Steiner afirma que “ninguém, nada, pode penetrar comprovadamente nos meus pensamentos. Dizer que outro ser humano ´leu` os nossos pensamentos não é mais do que uma figura de retórica.”


Diz ele que nem mesmo “a tortura pode, sem margem de dúvida, arrancar os meus pensamentos mais íntimos” , pois “os pensamentos são o nosso único bem assegurado”, constituindo-se “a nossa essência, a nossa familiaridade ou alienação do eu.” Eis porque, muitas vezes, somos compelidos a ocultar determinados pensamentos “da nossa consciência, para os silenciar internamente por meios que a psicologia qualifica de amnésia ou regressão.”


Logo, nem razões biológicas , emocionais, sexuais ou ideológicas, nem mesmo “uma vida de coexistência doméstica ou profissional, nos irá permitir decifrar, sem deixar margem para qualquer incerteza, os pensamentos de outra pessoa.” 


Nada obstante, e eis o paradoxo, “este centro inacessível da nossa singularidade, o mais íntimo, privado e impenetrável dos nossos bens é, simultaneamente, uma banalidade sem fim”, já que os nossos pensamentos já “foram pensados, eles estão a ser pensados milhões e milhões de vezes por outros. São infinitamente banais e desgastados. Produtos usados. Mesmo nos atos e momentos mais privados da nossa existência – no sexo, por exemplo – os componentes do pensamento são clichés, repetidos até à exaustão.”


Assim, “pensar um pensamento pela primeira vez (e como o poderíamos saber?) é extraordinariamente raro.” E, lembrando Pope , “é a forma verbal, não o conteúdo, que dá uma impressão de novidade.” 


Também faz referência a Einstein – “com o seu gênio para o temor” – que afirmava não ter tido, durante toda a sua vida, mais do que duas ideias originais – e a Heidegger – cuja máxima era a de que “todos os pensadores maiores têm somente um único pensamento que expõem e reiteram ao longo das suas obras.” Steiner chama tais afirmações, em ambos, de “hipérboles de modéstia.”


O que entendemos por originalidade, para Steiner, na verdade, “é quase sempre uma variante ou inovação na forma, nos modos de execução, nos meios disponíveis (bronze, pintura a óleo, guitarras elétricas)”, nenhuma sendo original “num sentido rigoroso da palavra”, seja na “filosofia, nas artes, na literatura, na teoria política e social.”


Algo como um pensamento absolutamente original, algo sem qualquer precedente “discernível, é a ambição dos escritores, pintores, compositores e pensadores.”


Qualquer pensamento pode já ter sido anteriormente pensado, até por um analfabeto, pelo enfermo, “até mesmo pelos deficientes mentais. Estes pensamentos ficaram perdidos porque até mesmo aquele que os teve não lhes prestou atenção nem lhes deu forma articulada”, pois “cada ser vivo – homem, mulher e criança – é um pensador.”


O quarto motivo para a “melancolia indestrutível” do pensamento consiste em uma “antinomia fundamental entre as aspirações da linguagem em ser autónoma, em se libertar do despotismo da referência e da razão e a busca desinteressada da verdade.” 


Nesta parte do livro o escritor enfrenta a questão da verdade, tema profundamente discutido em todos os tempos do pensamento humano, inclusive no Direito. Para ele, mesmo as verdades “experimentalmente demonstráveis e empiricamente aplicáveis das ciências estão apoiadas em pressuposições teoréticas, filosóficas, em ´paradigmas` flutuantes, sempre suscetíveis de serem revistos ou descartados”, razão pela qual só se pode dizer que se atingiu a verdade tautologicamente, como acontece na matemática ou na lógica simbólica.


Portanto, quando o processo para se atingir a verdade não é tautológico – no sentido utilizado em lógica -, “todas as demais afirmações de verdade, sejam doutrinárias, filosóficas, históricas ou científicas, não estão imunes ao erro, à falsificabilidade, revisão e extinção.” É verdade que alguns filósofos tentaram, mas, pergunta Steiner, “quantos Espinosas, quantos Freges ou Wittgensteins existem, e até que medida estres ascetas da verdade prevaleceram?”


“No crepúsculo, Sócrates cantava”, finaliza ele assim o capítulo.


O quinto inicia com uma afirmação: “Pensar é de tal modo perdulário que chega a ser difícil acreditar.” Pensar cansa. Intuitivamente, “experimentamos alguma coisa análoga à fadiga muscular após períodos prolongados de pensamento sequencial, de reflexão sob pressão.”


Isso, segundo o autor, dá-se, por exemplo, com os matemáticos, os especialistas de lógica formal, os programadores informáticos, os jogadores de xadrez, criptologistas, os tradutores simultâneos e outros que “resolvem problemas nas ciências exatas e aplicadas” - todos “atestam fenómenos de exaustão, de ´colapso`.”


Citando como exemplo Darwin, afirma que “o pensador importante seria aquele que se apercebe e explora uma intuição ou um conceito decisivo, aquele que estabelece uma descoberta ou conexão crucial. É aquele ou aquela que investe, quase de uma forma avara, num ato-pensamento ou numa observação, explorando todo o seu potencial.”


Ocorre que a maioria das pessoas, ainda que tenham pensamentos “de primeira ordem”, “não lhes prestam atenção particular, não os ´agarram`, nem abrem caminho com decisão a fim de os realizar num plano concreto”, perdendo-se “na avalancha indiferente do pensamento negligenciado.”


Indaga, então: por que somos “incapazes de condensar, armazenar ordenadamente – tal como o faz uma bateria elétrica – a voltagem possivelmente frutífera gerada pelos arcos e pelas sinapses insones do nosso ser mental?” Esta vem a ser a quinta razão para esse “fundamento sombrio” do pensamento.


Na sexta parte do livro, Steiner fala da esperança – não somente, por certo. Especialmente sim. Diz ele que “a totalidade das nossas futuridades, das nossas projeções, antecipações e planos – sejam rotineiros ou utópicos – acarreta um potencial de desilusão, de autoilusão profilática. Há na esperança um vírus de frustação”, pois “esperar, aguardar, almejar não deixa de ser um jogo, cuja única certeza é a morte.”


Por outro lado, há “um vazio revelador, uma tristeza da saciedade que se seguem à realização dos nossos desejos. A famosa lassidão do pós-coito, o cigarro tão aguardado a seguir ao orgasmo são precisamente aquelas coisas que servem de medida para o vazio entre antecipação e substância, entre a imagem confabulada e o acontecimento empírico.”


Cita, então, o poeta, crítico e ensaísta inglês, S. T. Coleridge: “Trabalhar sem esperança é como acumular néctar numa peneira, / E a esperança, sem um propósito, rapidamente fenecerá.”


Então, chega-se à sexta fonte de tristitia do pensamento: “Esperar contra toda a esperança.”

 

A sétima razão para aquele “véu de pesar” do pensamento, seria a constatação de que “o pensamento encobre tanto, ou provavelmente mais ainda, do que revela” - por exemplo: “o pensamento mais inspirado é impotente face à morte.” 


E esta opacidade do pensamento, segue o autor já no oitavo capítulo, “impossibilita que conheçamos sem sombra de dúvida aquilo que qualquer outro ser humano está a pensar”, como ele já o notara em capítulo anterior.


Aqui, ele repete que “não podemos ter nenhuma percepção indubitável sobre os pensamentos alheios” e, “mesmo nos momentos e nos atos de extrema intimidade, o amante não consegue abraçar os pensamentos do seu amado.”


Assim, “nenhuma luz final, nenhuma empatia de amor, revela o labirinto da interioridade de outro ser humano. O amor mais intenso, possivelmente mais fraco do que o ódio, é uma negociação, jamais conclusiva, entre solidões.”  Então, temos a oitava razão para a dor do pensamento.


No penúltimo capítulo, atesta-se que “todos nós vivemos as nossas vidas numa maré e num magma incessantes de atos-pensamentos, mas apenas uma parcela muito restrita da espécie dá provas de saber pensar. (...) A capacidade de pensar pensamentos que valem a pena ser pensados, quanto mais serem expressos e preservados, é comparativamente rara. Não são muitos os que entre nós sabem pensar com uma finalidade exigente, quanto mais original.”


Então, chega-se à nona fonte da melancolia do pensamento: “a inaptidão do pensamento grandioso e da criatividade aos ideais de justiça social”, pois “para o génio não há democracia, apenas uma terrível injustiça e um fardo mortal. Existem uns poucos, como Hölderlin  disse, que se veem impelidos a agarrar o relâmpago com as próprias mãos.”    


O último dos motivos da tristeza do pensamento é a constatação final de que o “domínio do pensamento, da inquietante velocidade do pensamento exalta o homem acima de todos os seres vivos. No entanto, ele torna-o um estranho em relação a si mesmo e à enormidade do mundo”, pois “o pensamento humano parece ter horror ao vazio.”


No derradeiro capítulo do seu livro, Steiner faz reflexões sobre Deus, afirmando que o “homo tornou-se sapiens e os processos cerebrais evoluíram quando se colocou a questão de Deus” que parece “ser própria e exclusiva da espécie humana”, já que é “concebível que formas mais elevadas de vida animal contornem a consciência, o mistério das suas próprias mortes.”


Apenas o ser humano é capaz “para afirmar ou negar a existência de Deus”, razão pela qual “a existência e a morte, na medida em que pertencem a Deus, são os objetos perenes do pensamento humano.”


Questões como a existência, a mortalidade e o divino jamais poderão ser subtraídas de “nossa humanidade”, pois, finaliza Steiner, “é a vertigem da interrogação que ativa uma vida examinada.”  

 

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[1] http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-06-10-George-Steiner-O-verdadeiro-crime-e-viver-demasiado-1, acessado em 15 de dezembro de 2017.


[2] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0709200306.htm, acessado em 15 de dezembro de 2017.


[3] Título original: “Dix raisons (possibles) à la tristesse de pensée”.


[4]     Publicada em Portugal na Coleções Edições 70, Editora Almedina, 1993.


[5] Certamente não concordam com Steiner os zen-budistas, visto que o elemento central do zen-budismo (levado à China em 520 d.C. pelo monge indiano Bodhidharma) é a “busca da iluminação espontânea, como resultado do esvaziamento da mente, sem a necessidade de argumentos racionais, textos ou rituais. Em outras palavras, o zen cria as condições ideais para que a confusão mental, que impede a clareza da mente, seja substituída pelo insight direto. (...) Na meditação zen, o que vemos não pode ser descrito”, pois o seu objetivo “é esvaziar o conteúdo da mente, que não faz parte dela.” (O Livro das Religiões, São Paulo: Globo Livros, 1ª. edição, 2014, páginas, 160/163).  


[6] Para a psiquiatria, uma “forma de insanidade mental em que o indivíduo dirige a atenção para um só assunto ou tipo de assunto.”. Por extensão, refere-se a uma “atividade dirigida para uma ideia fixa.” (Aurélio).


[7] Hélio Pellegrino - psicanalista, escritor e poeta brasileiro - afirmou que quando o torturado se cala e não morre, o torturador fica “reduzido a uma sombra achatada, na poeira e na lama. O torturador, se não destrói a sua vítima, está destruído. O silêncio dela o condena à morte. Ao mesmo tempo, não pode eliminá-la fisicamente. A morte corporal do torturado levanta frente ao torturador um infinito muro de silêncio. A não fala do torturador, com sua morte, ganha valor absoluto, e implica a absoluta negação do torturador.” (“O tesouro encontrado”, prólogo do livro “Em busca do tesouro”, de Alex Polari, Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1982, p. 15).


[8] Talvez, segundo o autor, a exceção estaria no caso de gêmeos verdadeiros ou siameses, que poderiam “representar um caso-limite.”                     

 

[9] Alexander Pope (1688-1744), poeta, tradutor e escritor, nascido em Londres no dia 21 de maio de 1688. Faleceu em Twickenham, Inglaterra, no dia 30 de maio de 1744.


[10] Segundo Steiner, possivelmente, “o ódio seja um dos nossos gestos mentais mais vitais e vibrantes de energia. Ele é mais intenso, mais coeso do que o amor (tal como Blake o intuiu). Está muitas vezes mais próximo da verdade do que qualquer outra revelação do ser.”


[11] Johann Christian Friedrich Hölderlinlin, poeta lírico alemão (1770/1843).

Quarta, 27 de Dezembro de 2017 - 15:27

Flashes: 3.5

por Adriana Barreto

Flashes: 3.5
Diego Ribeiro | Foto: Arquivo Pessoal
O advogado Diego Ribeiro elegeu a casa de seus pais, Moema e Paulo César Ribeiro, na Praia do Forte,  para dar início, nessa quarta-feira (27), às comemorações de seu aniversário. Ele completa 35 anos hoje. O agito reúne apenas os amigos mais chegados e a família, mas com toda a animação tradicional dos Freitas Ribeiro. Nas redes sociais, o advogado, clicado ao lado da esposa, Renata, grávida de uma menina, disparou: '3.5. Nada a pedir. Só agradecer.' Flashes deseja o que há de melhor para o aniversariante e vibra com a sua felicidade!

Terça, 26 de Dezembro de 2017 - 11:20

Flashes: Soteropolitano, com amor!

por Adriana Barreto

Flashes: Soteropolitano, com amor!
Foto: Arquivo Pessoal
Em solenidade na Câmara Municipal, o desembargador Augusto de Lima Bispo recebeu, na noite do dia 21, o título de Cidadão de Salvador, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à capital. A concessão da honraria foi proposta pela vereadora Ana Rita Tavares, que conduziu a sessão especial. A presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, compôs a Mesa solene. O título foi entregue ao desembargador por seus familiares: a esposa, Lígia, a filha, Cláudia Regina, o genro, Theodoro Silveira Neto, e a netinha (fofura em grau máximo!), Liz.

'O título que esta Casa teve a generosidade de me oferecer, muito me honra, mas acima de tudo me comove, pela forte simbologia que tem. Com este dia vem um turbilhão de memórias acumuladas, desde aquele outro dia, lá atrás, em 1970, quando o destino decidiu fazer desta Cidade de São Salvador o meu lugar. É com paixão que recebo este Título de Cidadão de Salvador e agora posso falar que sou soteropolitano', declarou o desembargador.

Emoção, gratidão e alegria: essas três palavras descrevem muito bem o clima da solenidade e do discreto cocktail oferecido pelo homenageado. Quem circulou por la? Só gente fina, elegante e sincera! Aos Flashes!



Augusto de Lima Bispo e Ana Rita Tavares

Carlos Henrique Ramos, Carlos Henrique Júnior e Ivone Bessa Ramos

Eduardo Barreto, Andrea Paula Miranda e Antonio Mattos

José Rotondano e Augusto de Lima Bispo

Rosana Fragoso e Maria da Purificação Silva

Juracy Carvalho e Sergio Ferreira

Marcelo e Silvia Zarif

Otto Pipolo e Baltazar Miranda Saraiva

Maria José Salles e Gardênia Duarte

Ana e Lidivaldo Reaiche Britto

Roberto Frank e José Góes da Silva Filho

Aracy Lima Borges e Joselito Miranda

Rosa Maria e Marielza Brandão Franco

Geminiano e Aydil Conceição

Augusto de Lima Bispo e Ivone Bessa Ramos

Sábado, 23 de Dezembro de 2017 - 10:00

Flashes: Homenagem Póstuma

por Adriana Barreto

Flashes: Homenagem Póstuma
Olegário Caldas e Baltazar Miranda | Foto: Arquivo Pessoal
O desembargador José Olegario Caldas representou a familia na homenagem póstuma prestada pela Grande Loja Maçônica do Estado da Bahia ao seu pai e Maçon Silvino de Souza Caldas, no Grau Especial Ordem do Mérito Maçonico 2 de Julho. Foi uma noite festiva e muito elegante que contou com a presença do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, Maçon e Mestre Instalado da GLEB. Merecida homenagem!
Quarta, 20 de Dezembro de 2017 - 14:00

Flashes: Doutorado

por Adriana Barreto

Flashes: Doutorado
Angélica Guimarães | Foto: Arquivo Pessoal
A Saúde na Prestação dos Serviços de Limpeza Urbana e gestão dos resíduos sólidos diante dos elementos de Direito à Cidade: análise na efetividade dos municípios do Salvador, São Paulo e Bogotá, na Colômbia, foi a tese de doutorado desenvolvida e brilhantemente defendida por Angélica Guimarães, procuradora do Município de Salvador, no ultimo dia 15, na PUC-Pontificia Universidade Católica de São Paulo. 
 
Professora universitária, mestre em Direito,  consultora de Municípios e advogada associada da Maurício Vasconcelos Sociedade de Advogados, Angélica Guimarães inquietava-se desde sua atuação quando Procuradora Geral do Município de Salvador, sobre a necessidade urgente de obtenção de soluções em gestão de resíduos sólidos integrada, efetiva e sustentável, para esta cidade. 'É um trabalho que defendo e espero servir de modelo em quaisquer cidades, levando-se em conta suas realidades, pois saúde é preocupante, limpeza urbana é preocupante', defende  Angélica, que tem no seu currículo  o merecido título Maria Quitéria.
Quarta, 20 de Dezembro de 2017 - 09:00

Flashes: Batismo

por Adriana Barreto

Flashes: Batismo
Marina e Rui Barata Filho | Foto: Arquivo Pessoal
Domingo, 10, foi um dia bem emocionante para o advogado Rui Barata Filho. È que Helena, sua filha com Marina Kummer, foi batizada por Padre Luis Simões, na Igreja Nossa Senhora da Vitória. A lindinha, que tem 5 meses, teve como madrinha Renata Barretto de Araújo, uma das melhores amigas do casal. O padrinho foi o irmão de Rui, Arthur Barata Lima. Depois do batizado, todos seguiram para um almoço super especial.
Terça, 19 de Dezembro de 2017 - 13:00

Flashes: Cidadão Matense

por Adriana Barreto

Flashes: Cidadão Matense
Des. José Rotondano | Foto: Nei Pinto
'Credita-me a descer meus olhos com mais afinco para com Mata de São João, que agora me adota como seu filho. É também um reconhecimento do trabalho que venho desenvolvendo frente ao TRE, na consolidação da democracia.' Assim o desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano expressa agradecimento ao ser homenageado pela Câmara Municipal de Mata de São João. O atual presidente do TRE-BA receberá o Título de Cidadão Matense em Sessão Solene que será realizada amanhã (20), às 17h, no Plenário Vereador Ladislau Reis de Souza. Flashes vibra com a homenagem! Parabéns!

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