Osteopatia reduz dores da Fibromialgia

No mês passado, acompanhamos o drama da cantora Lady Gaga que cancelou sua participação no Rock in Rio um dia após anunciar que sofre de Fibromialgia. A Síndrome da Fibromialgia (SFM) é um tipo de reumatismo de forma crônica e complexa. Não existe um exame que detecta essa doença. A síndrome afeta de 6% a 20% dos pacientes de clínicas de reumatologia e representa quase 10% das consultas de dor crônica no Brasil. A SFM atinge de 0,5% a 5% da população geral do país segundo dados do Consenso Brasileiro de fibromialgia, de 2010.
 
De modo geral, o diagnóstico da Fibromialgia é clínico. O profissional de saúde toca alguns pontos do corpo que são dolorosos, e estes são chamados de pontos gatilho, como pode ser visto na figura 1. Para o diagnóstico positivo, o paciente deverá sentir dor em pelo menos nove dos dezoito pontos de dor apontados no corpo.
 
Alguns estudos têm relacionado Fibromialgia à Disautonomia, um desequilíbrio do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), que pode ser causado pelos efeitos do “chicote cervical”, ou seja, um trauma na coluna surgido de um acidente de carro, por exemplo. A sequela principal desse “chicote” é a inversão da curvatura da coluna cervical, o que provoca uma série de disfunções na base do crânio, afetando o bom funcionamento do SNA e levando o paciente a ficar num estado de alerta o tempo todo. Essa condição pode deixar os músculos mais tensionados que o normal provocando dores no corpo.
 
A Disautonomia pode afetar o corpo todo, já que o SNA também está presente no corpo todo. Como essas disfunções afetam os sistemas simpático e parassimpático, elas podem afeitar o funcionamento de alguns dos órgãos corporais. Como exemplo, é comum que junto com o diagnóstico da fibromialgia exista algum mal funcionamento visceral, como ter o intestino preso ou sintomas de gastrite. Além disso é muito comum que os fibromiálgicos sintam muita fadiga e cansaço pelo corpo não tendo ânimo para fazer as atividades do dia, o que também pode estar associado com sintomas de depressão.
 
Outras causas estão associadas segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor: causas genéticas são atribuídas, pois é comum ocorrer em pessoas da mesma família e doenças autoimunes (aquelas em que o corpo ataca o próprio corpo).
 
Com o tratamento Osteopático se busca a correção dessas disfunções através de técnicas manuais suaves para que o próprio corpo passe a voltar a ter uma boa regulação do SNA,
? ?levando a melhora dos sintomas e a melhora da saúde. Quando aliada a uma prática correta de atividade física, uma boa alimentação e métodos de alívio do estresse, o tratamento osteopático é uma maneira de ajudar o corpo a responder mais rápido ao tratamento além de contribuir para uma melhora mais efetiva e duradoura.
 
O tratamento osteopático pode incluir desde manipulações na coluna, nos braços e pernas, diminuição das tensões dos músculos do pescoço, tratamento dos órgãos e do crânio ajudando a regular o sistema nervoso.


FELLIPE AMATUZZI

Fisioterapeuta osteopata, professor e coordenador da Escuela de Osteopatía de Madrid Brasil, em Brasília. Diretor científico da Associação dos Osteopatas do Brasil (AOB), ?d?iplomado em osteopatia pela Scientific European Federation Osteopaths (SEFO), Mestre em Educação Física pela UCB/DF e Doutor (PhD) em Ciências e Tecnologias em Saúde pela Universidade de Brasília.