Classe política entra no buraco

Já era esperado que o senador Aécio Neves aparecesse em delações premiadas, mas a denúncia chegou antes do tempo e apareceu na mídia, nesta manhã de quinta-feira (2). A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, manteve o sigilo que lhe cabia, reservando-se para não dar conhecimento público às delações efetuadas pelos ex-executivos da Odebrecht que ela homologou. Mas o fato é que, não se sabe como, chegou a público a delação do ex-presidente da construtora, Benedito Jr., ao denunciar a fraude cometida quando da construção da Cidade Administrativa pelo então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que agora está sem saída. Na época, as empreiteiras teriam repassado dinheiro a rodo para o governador. Aécio nega. Ex-candidato a presidente da República em 2014, passa a ficar em dificuldades até para conseguir eleitores e ser candidato em 2018 em seu estado. Uma nova candidatura à presidência da República, nem pensar. Por aí se observa como, aliás, dissera Eike Batista, que não seria o personagem mais indicado para isso, o país está tomando um novo rumo que deverá atingir, em cheio, a classe política. Não deve demorar. As delações que logo chegarão ao conhecimento do país será uma espécie de varredura em regra no segmento político e é bem possível que o STF participe desta varredura, derrubando a proteção que eles têm direito. Enfim, a situação para a classe a cada dia fica pior.