Dallagnol critica indulto de Natal de Temer e diz que Luiz Argolo jŠ pode ser solto

O procurador Deltan Dallagnol ironizou o indulto de Natal assinado pelo presidente Michel Temer e publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (22) (veja mais). Por meio de seu perfil no Twitter, o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba criticou a medida e apontou que ela beneficia presos condenados por corrupção, inclusive o ex-deputado federal baiano Luiz Argolo. "Se Marcelo Odebrecht tivesse visto esse indulto de Natal do presidente Temer, não teria feito acordo! Perdão de 4/5 da pena! Continua aberta a temporada da corrupção. Fraudem licitações. Desviem da saúde, educação e segurança!", escreveu Dallagnol. O procurador apontou que Argolo, preso em abril de 2015, já pode deixar a cadeia se receber o benefício do indulto de Natal. Condenado a 12 anos e 8 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, ele já cumpriu mais de um quinto da pena. O texto assinado pelo presidente Michel Temer no ano passado estipulava que o perdão da pena poderia ser concedido para pessoas condenadas a no máximo 12 anos e com um quarto da pena cumprida, desde que não fossem reincidentes. O decreto deste ano não estabelece um período máximo de condenação e reduz para um quinto o tempo de cumprimento da pena para os não reincidentes. O benefício vale para condenados por crimes cometidos sem violência ou grave ameaça. "Pra que acordo de colaboração premiada? O presidente Temer resolve o problema do corrupto. Em 1/5 da pena, está perdoado", reclamou Dallagnol.

Se Marcelo Odebrecht tivesse visto esse indulto de Natal do presidente Temer, não teria feito acordo! Perdão de 4/5 da pena! Continua aberta a temporada da corrupção. Fraudem licitações. Desviem da saúde, educação e segurança! Venham, roubem, levem embora!! Essa é a mensagem.

— Deltan Dallagnol (@deltanmd) 23 de dezembro de 2017

Opa, tem um réu querendo colaborar com a Justiça? Bom, considerando que ele tem um desconto de 80% de pena do indulto e o risco de ser solto e o processo demorar décadas, de o caso prescrever ou ser anulado, será que o réu aceita colaborar se dermos um desconto de 97% da pena?

— Deltan Dallagnol (@deltanmd) 23 de dezembro de 2017