JBS depositou US$ 150 mi em contas de Dilma e Lula no exterior, afirma Joesley

O empresário Joesley Batista, dono da JBS e delator na Operação Lava Jato, afirmou em colaboração premiada que depositou, em contas no exterior, US$ 70 milhões, em benefício do ex-presidente Lula, e US$ 80 milhões para a ex-presidente Dilma Rousseff. De acordo com Batista, o ex-ministro Guido Mantega era quem intermediava os pagamentos. Ele teria assegurado ao empresário que os ex-presidentes sabiam dos depósitos milionários. “Os depósitos foram em duas fases: uma do presidente Lula e outra pra Dilma. Foram US$ 70 milhões no de Lula e US$ 80 milhões lá na Dilma. Eu que controlava as contas. Eu tinha uma e depois abri outra. Foi quando a presidente Dilma ganhou”, explicou na delação a procuradores do Ministério Público Federal (MPF). O procurador Sérgio Fernandes questiona se Dilma e Lula tinham ciência dos pagamentos, e Joesley responde que sim. “O Lula sabe disso? A Dilma sabe disso? Ele [Mantega] disse: ‘Não, sabe sim, eu falo tudo pra eles’. Passavam uns três meses, eu sempre tirava um extrato da conta pra mostrar pro Guido, e ele dizia que ia mostrar pra Lula e pra Dilma. Ele me dizia: ‘Isso aqui é do Lula, isso aqui é da presidente Dilma. Não me aprofundei se seria do Lula, ou do governo do Lula, do governo da Dilma”, relatou. Ainda segundo o empresário, após a eleição de Dilma Rousseff, Mantega pediu que outra conta fosse aberta em favor da petista. O dinheiro era apenas utilizado para investimento nas eleições. “O esquema continuou igual [na passagem do governo Lula para Dilma]. Ele [Guido Mantega] só me pediu pra abrir outra conta. Foi a primeira vez que eu desconfiei que o dinheiro não era dele. Meu trato sempre foi com ele, não era com partidos. Quando terminou o governo Lula, o primeiro negócio que fui fazer com o governo Dilma, quando eu fui depositar o dinheiro, ele falou que precisava abrir outra conta”, contou. Em 2014, de acordo com o delator, Guido usou dinheiro das duas contas, tanto da destinada a Dilma quanto o montante que havia sobrado da conta para Lula. “Em 2014, ele usou das duas contas. Ele foi até acabar o dinheiro. Até 2014, Guido nunca tinha mexido com política, nunca tinha falado comigo em doações. Quando foi em 2014, ali no início da campanha, ali por volta de junho, ele me chama e me diz: “oh, eu precisava que você fizesse essas doações aqui”, afirmou.