Não vamos perder o que já conquistamos...

Vamos amigo, lute
Vamos amigo, lute
Vamos amigo, lute
Vamos amigo, ajude
Senão
A gente acaba perdendo o que já conquistou!


Na manhã do último sábado (3), o combativo reggae de Edson Gomes ecoou pela Av. Siqueira Campos e atravessou o centro da cidade. Era uma multidão cantando e dançando o reggae, intercalado pela canção “Caminhando” de Geraldo Vandré e “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso. Entre uma música e outra, todos gritavam em favor da democracia e contra o golpe mascarado de impeachment. A fila disciplinada dos militantes do MST contrastava com a animada “Alegria, Alegria” dos jovens do Levante e Consulta Popular que soltavam seus gritos e saudações de animação.

A música de Edson Gomes funcionava como uma palavra de ordem: Ninguém quer perder o que já conquistou!

Os trabalhadores do campo organizados no MST, no Sindicato de Trabalhadores Rurais, no Movimento de Defesa de Direitos, no Movimento de Pequenos Agricultores defendiam a continuidade dos programas como o Luz para Todos, Água para Todos, Garantia Safra, Pronaf e outras importantes ações como o Bolsa Família que atende muita gente no meio rural do Brasil. Tinha empregadas domésticas festejando alegremente as conquistas salariais e previdenciárias alcançadas. Os moradores dos bairros populares de Conquista também estavam presentes, organizados pelo Movimento Unificado. Os jovens estudantes defendiam a continuidade do acesso à universidade. Não abrem mão do “Ciência Sem Fronteiras” e do aumento do número de vagas no ensino superior e técnico. Muitas, muitas mulheres bradavam pelos seus direitos, condenando a violência de que são vítimas. O movimento pela igualdade racial tremulava as suas bandeiras. Defendendo o fim do preconceito e do racismo contra o povo negro. O fim  da discriminação religiosa contra os candomblés e terreiros. Cotas para o ensino e o trabalho. O pessoal LGBT exigindo a continuidade das propostas contra a homofobia. Os trabalhadores em geral defendendo a manutenção da política de valorização do salário mínimo e da renda dos assalariados.

Até os  índios  estavam presentes. Os mais legítimos brasileiros, que foram quase exterminados no período colonial, e, mesmo recentemente, defendiam a sua cultura, a sua terra e a sua vida.

Deputados e vereadores do PT expressavam o projeto político democrático e popular que tem mudado o Brasil.

Mas, a alegria e serenidade da manifestação não escondiam a seriedade de seus objetivos. A variedade de desejos, vontades e reivindicações não impedia que todos e todas se irmanassem em uma única determinação: defender a democracia e garantir a continuidade das conquistas políticas e sociais alcançadas no Brasil nos últimos anos.

A grande mídia representadas pela Rede Globo, Veja, Estadão, Folha e outras empresas monopolistas de comunicação, propriedades de meia dúzia de famílias endinheiradas, aliadas aos partidos conservadores e gente que só possui um neurônio tentam criar um clima adverso ao desenvolvimento do país, pregando sub-repticiamente ou abertamente a derrubada da presidenta Dilma que foi eleita democraticamente no ano passado. A solução para a crise internacional do capitalismo que atingiu o Brasil não ocorrerá   por meio de um golpe político antidemocrático. Ao contrário, esse ato insano irá agravá-la. No momento de dificuldades é fundamental o respeito às leis, ao estado de direito e a ordem constitucional. Aventuras golpistas provocam atraso, censura, prisões ilegais, mais corrupção, torturas e mortes.

A manifestação adotou o símbolo da panela cheia. Isso que queremos. Continuar no caminho que retirou o Brasil do Mapa da Fome editado pela FAO. Continuar reduzindo a mortalidade infantil. Prosseguir com as ações que têm reduzido a miséria e elevado milhões de brasileiros para a chamada classe média. Diminuir a enorme desigualdade regional que penaliza o nordeste e o norte do país. A manutenção de programas em favor dos direitos da mulher, da criança e do adolescente, respeito aos idosos, às pessoas que necessitam de cuidados especiais, garantir estudo e emprego aos jovens, desenvolver o país garantindo trabalho para todos, manter a política externa independente que situou o Brasil entre as grandes nações democráticas do mundo. Também não se pode esquecer a continuidade do combate total e intensivo à corrupção pública e privada. Nunca em toda a história brasileira se presenciou tantos grandes empresários, políticos poderosos e altos funcionários instalados na tecnoburocracia do Estado investigados, indiciados e presos pelos organismos policiais e judiciais.

Essa diretriz política está sendo atacada e ameaçada pelos eternos golpistas de sempre. A grande manifestação da manhã de sábado é uma resposta pacífica, democrática e popular. Os problemas existem para serem resolvidos, as tentativas de quebra da democracia e do desrespeito aos resultados eleitorais devem ser combatidas e neutralizadas.

A população de Vitória da Conquista demonstrou que o Brasil não é apenas a Av. Paulista, mas, que, muito além dela, há  o povo de um país que luta para cumprir o seu destino e alcançar uma vida melhor para todos.
 

* Edwaldo Alves Silva é militante e filiado ao Partido dos Trabalhadores em Vitória da Conquista (BA)
 
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