Direitos das mulheres avanšaram em 2017, dizem ativistas

De acordo com os ativistas, 2017 foi um ano marcante para os direitos femininos. Começando pela posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que logo tentou restringir abortos em todo o mundo, 2017 funcionou para lembrar a muitos que os direitos das mulheres ainda têm um longo caminho pela frente. No entanto, com tantas adversidades que ocorreram no ano, um caminho para uma nova era de resistência foi aberto, não somente nos Estados Unidos, como também no mundo todo. "Foi um ano de combate a leis discriminatórias", conta a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlanbo-Ngcuka. 

 

O assédio e o estupro nunca foram tão denunciados. Nos estúdios de Hollywood, o produtor Harvey Weinstein foi acusado de assédio e as mulheres uniram-se para denunciar muitos casos do mesmo tipo (veja aqui) e estão organizando um protesto durante o Globo de Ouro, contra os abusos sexuais e desigualdade de gênero que ocorrem dentro da indústria cinematográfica (veja aqui).

 

Países do Oriente Médio, África e América Latina avançaram rumo ao fim da discriminação de gênero. Na Arábia Saudita as mulheres poderão conduzir veículos a partir do ano que vem (veja aqui). No Líbano, Tunísia e na Jordânia foram revogadas leis que permitiam que estupradoers evitassem punições caso se casassem com as suas vítimas e os ativistas esperam que a medida se espalhe para os outros Estados árabes. 

 

Em Maluaí, Honduras, Trinidad e Tobago, El Salvador e Guatemala, as leis nacionais foram alteradas para proibir a prática do casamento infantil. Na Índia, onde esse tipo de união é proibido, mas comum, parlamentares determinatam que ter relações sexuais com uma esposa entre 15 e 18 anos é punível como estupro.

 

No Chile, o aborto foi legalizado em determinadas circunstâncias, deixando apenas um pequeno grupo de países que ainda proíbe completamente a prática. "Continuamos a ver progresso no avanço dos direitos humanos reprodutivos em uma atmosfera global hostil" conta Lilian Sepulveda, do programa jurídico global Centro para os Direitos Reprodutivos.

 

De acordo com o site Terra, outros líderes de grupos que lutam pelos direitos das mulheres afirmaram que foi a resistência ao sexismo que tornou 2017 notável. "Este ano também foi sobre mudar a narrativa --de uma que culpa, questiona e estigmatiza as vítimas para uma que responsabiliza os agressores", comenta Mlambo-Ngcuka.