Dra Annete Oliveira, a anfitrić do Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia

 

Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia-Regional Bahia, Dra Annete tem uma história de superação e recomeço. Em 1978 ela se formou em pediatria , mas 21 anos depois, quando já estava estabelecida na profissão, resolveu recomeçar, voltou a estudar e aplicou para outra residência médica, a dermatologia, que era seu grande sonho. Prova de persistência e força de vontade.

 Dra Annete será a anfitriã na próxima semana do Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia que será sediado aqui na Bahia, em Sauípe.

 

Dra Annete, nos conte quais foram os principais desafios na sua carreira? E do que mais se orgulha? 

De um modo geral, o desafio é igual para todos os médicos que é o de se atualizar, eu acho que este é sempre um desafio, pois a medicina muda constantemente. O profissional deve estar aberto a conhecer novos tratamentos, ser honesto o suficiente para saber dizer isto não serve, ter segurança para decidir eu vou fazer ou eu não vou fazer, sempre procurar ajudar o próximo, que é um compromisso do médico, ajudar e aliviar a dor do paciente.

Falando de mim, tenho orgulho da minha força de vontade de fazer dermatologia, resolvi parar de trabalhar para voltar a estudar. Na época já tinha dois empregos como pediatra, só mantive os plantões da noite pois precisava me sustentar e saia do plantão direto para a faculdade. Eu não passeava, eu não atendia o telefone, só para estudar. Já estava consolidada na profissão de pediatria quando resolvi fazer uma prova de residência concorrendo com pessoas bem mais jovens para ser dermatologista.

Eu acho que isso foi um grande desafio, estava com 44 anos quando tomei essa decisão de recomeçar. Foram muitos anos de pediatria de 1978 a 1999, mas me realizei mesmo como dermatologista. 

 

Hoje você é a presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Bahia (SBD-Ba), como foi a trajetória dentro da SBD-Ba ? 

Desde que entrei participei de tudo na SBD, campanha contra o câncer de pele, sempre achei que tenho que retribuir com as campanhas sociais, participei de cursos e congressos, como tesoureira, diretora, e agora pela segunda vez estou como presidente da SBD.

 

Quantos associados a SBD–Ba possui? E o que se propõe a fazer?

Nós aqui na regional Bahia temos 252 associados, sendo que 189 em Salvador. Uma das metas da Associação é tentar valorizar o dermatologista, que atualmente está tendo uma invasão muito grande de outros profissionais na área de dermatologia. Temos que tentar convencer o público que é preciso procurar os médicos que realmente estudaram sobre pele. As pessoas devem procurar na Sociedade se o médico é mesmo especialista, se tem títulos, se está apto a exercer a profissão e o público pode pesquisar isso junto às Sociedades Médicas.

 

Existe então uma aproximação da SBD–Ba com a sociedade? Quais são hoje os principais projetos desenvolvidos? 

Todos os anos, no mês de novembro, realizamos a campanha sobre o câncer de pele, fazemos parcerias com hospitais, examinamos os pessoas e se identificamos alguém com câncer, este paciente recebe acompanhamento. No dia mundial de psoríase, em outubro, fazemos também uma campanha de esclarecimento para informar e educar a população sobre esta doença. Já a campanha sobre hanseníase realizamos sempre no início do ano.

 

Fale um pouco do Congresso Brasileiro de Dermatologia que acontecerá no próximo dia  7 de setembro em Sauípe? Quais as expectativas ?

O congresso tem uma temática ampla, teremos diversas salas, iremos falar sobre temas variados como doenças, estética, das possíveis complicações, teremos trabalhos científicos e faremos, também, premiações dos melhores trabalhos.Teremos palestrantes nacionais e 11 palestrantes convidados internacionais. A expectava é que possamos compartilhar conhecimentos e nossas experiências.

 

Quais são os principais avanços e novidades hoje em dermatologia clínica?

Nos últimos tempos tivemos um avanço grande com novos medicamentos para o tratamento da Psoríase. É um doença que marca e discrimina muito. Mas a verdade é que sempre temos avanços.

Na parte estética quase todos os dias temos novidades como por exemplo novos tipos de lasers, o microagulhamento cada vez mais acessível e que consegue melhorar muito as cicatrizes de acne, já temos preenchimentos diferentes, novos tipos de fios de sustentação, entre outros procedimentos e técnicas.

 

Hoje se fala muito em bem estar, longevidade, rejuvenescimento. Quais são as orientações básicas? 

O melhor tratamento é a prevenção! O sol envelhece muito, além de provocar o surgimento das manchas na pele, ele também acaba com o colágeno da pele. O raio penetra na pele e destrói o colágeno, ele afina a nossa pele que fica com aspecto de envelhecida. A melhor prevenção é usar protetor solar, evitar os horários perigosos do sol, hidratar a pele sempre, se alimentar bem e não perder noite, tudo isso reflete na nossa pele.

 

Em tempo de Dr Google e de muitas selfies, as pessoas estão mais vaidosas e costumam seguir orientações e receitas indicadas na internet. Qual o risco disso?

Se for um procedimento invasivo não se deve fazer sozinho, é preciso procurar um dermatologista. Já no caso de cremes,  normalmente os que podem trazer algum perigo não são aprovados pela Anvisa. É preciso checar antes de comprar se o creme ou o cosmético tem a liberação da Anvisa – que é o órgão do governo que fiscaliza esta questão.

 

Por fim, agradecendo pela entrevista e como médica dermatologista, quais conselhos que poderia dar às mulheres leitoras do Bahia Notícias Mulher?

Falando de pele, meu conselho é se proteja sempre do sol, durma bem, não fume, se alimente de forma saudável, sem excessos e procure um dermatologista para avaliar sua necessidade e indicar, caso necessário, os melhores tratamentos.