Opinião da Blogueira: "legalizar a prostituição é abrir espaço para a indústria sexual se expandir"

Há tempos que as discussões feministas passaram a se atentar mais à questão da legalização da prostituição. Há algumas correntes que defendem a libertação usando todo aquele argumento liberal de liberdade sexual e poder de escolha. Argumentos que, para mim, parecem vazios e individualistas. Partindo do pressuposto de que a grande parte das mulheres que hoje vivem em situação de prostituição não desejam estar ali e só o fazem por necessidade, o ato sexual é, então, forçado, contra a vontade. Na minha interpretação, um estupro. Há quem interprete de forma diferente.

 

Essa prática existe desde os primórdios e sempre foi algo marginalizado. As mulheres que viviam na prostituição estavam sempre à margem e eram excluídas de todos os espaços, além de serem hostilizadas. Hoje em dia - também com o crescimento da cultura da pornografia, a prostituição é vista por alguns como algo “cool” e libertário. Por isso a sua legalização é muito discutida e bem vista por alguns grupos. Entretanto devemos lembrar de toda a cultura que trata o corpo feminino como objeto e o quanto o tráfico sexual de mulheres ainda é um problema gigantesco.

 

Dados de 2009 do Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime (UNODC) revelou que representam 66% das vítimas são mulheres adultas, 13% são meninas, enquanto 12% são homens e 9%, meninos. Legalizar a prostituição é permitir que nossos corpos sejam (ainda mais) monetizados. Além do fato de que a legalização não torna mais digna a vida dura das mulheres que vivem na prostituição, só abre margem para a indústria sexual explorá-las ainda mais. Entretanto, não é possível uma desmarginalização dessa prática quando, em contrapartida, isso estaria reforçando a exploração sexual e expandindo a indústria do sexo.  

 

Não há, também, como usar o discurso libertário de que a mulher terá os direitos de seu próprio corpo. Se hoje já são coagidas por cafetões, donos de bares e afins, com a legalização da prática isso seria facilmente intensificado e uma indústria que vende o corpo feminino estaria, não surgindo, mas emergindo de forma mais fácil. Defender a regulamentação da prostituição não é automaticamente defender as prostitutas, é abrir espaço para uma indústria que escraviza as mulheres. E o discurso contra a legalização também não quer dizer que estejamos contra essas mulheres. É possível sim defender as prostitutas e ser contra a legalização da prostituição. Não precisamos de mais leis que sirvam para “tampar” os buracos da nossa sociedade e sim de medidas que tirem essas mulheres da rua e leve-as para outros espaços onde possam sobreviver. Afinal, com o estado regulamentando a prostituição não é garantia que essas mulheres não sejam agredidas. A prostituição em si já é uma violência.

 

 

Ashley Hawthorne, 20 anos, baiana, mulher negra e periférica. Feminista, militante do movimento negro e estudante de jornalismo. Aos 12 anos encontrou na blogosfera um espaço para se expressar e hoje em dia vê as mídias digitais como uma possibilidade interessante para o seu futuro. Barbie preta, ama pink, fotografia e twitter.

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