Juiz acusa autor de ação de dar 'migué' e questiona se deveria julgar em tarde de sol

Inconformado com uma petição que chegou até a sua mesa, um juiz de Florianópolis se perguntou se deveria estar julgando aquele pedido em plena sexta-feira, especificamente às 16 horas, com um “sol forte lá fora”. “Acho que não”, ele mesmo se respondeu. A petição pedia a “rescisão do contrato” de compra e venda dois anos e meio de uso do produto. Segundo o juiz Vilson Fontana, do 2º Juizado Especial Cível de Florianópolis, em Santa Catarina, o autor da ação tentou dar o maior “migué” ao fazer o pedido. "Confesso que fiquei triste com este processo, com o autor, com os advogados, com o Judiciário, com o Sistema e comigo mesmo. Numa sexta-feira à tarde, 16 horas, Janeiro, sol forte lá fora, pergunto se mereço realmente estar 'julgando' este processo. Acho que não”, ponderou. Na sentença, o magistrado pontua que a compra foi realizada em novembro de 2012 e a ação foi ajuizada em agosto de 2015. O juiz afirma que o autor tentou dar o “migué” a ao alegar que tentou por inúmeras vezes resolver o problema."Mas, onde está a prova? Ou onde isso foi alegado na inicial?", questionou o juiz. Além do mais, observou que o direito de reclamação de problemas em produtos vence em 90 dias, a partir da data da compra, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.