Luis Ganem: Meu dia de jurado no AL-BA Voice

Fui convidado para ser jurado em um festival de música. Isso mesmo! A ideia e a ação do evento em si acabaram por me fazer recordar o passado nacional dos grandes festivais, quando tudo que acontecia girava dentro do universo e da efervescência de se fazer algo novo, de se tocar um novo som.

 

Minha lembrança do passado foi em muito motivada pela empolgação dos presentes na plateia do evento, fazendo-me perceber, também, que, dentro da mecânica que temos vivido, e ávidos por novos valores no mercado musical baiano, iniciativas, mesmo isoladas ou mínimas, surtem grande efeito quando feitas com a cultura.

 

Que evento foi esse? Estou falando do AL-BA Voice, o festival interno de música da Assembleia Legislativa da Bahia transmitido pela TV AL-BA (Sistema de televisão em canal digital aberto e fechado da Assembleia Legislativa, que transmite as sessões ordinárias da casa e gera conteudo de programação para todo o Estado), e que fez parte da grade da semana do servidor da referida casa legislativa produzido pela presidência da Assembleia, capitaneada pelo deputado Angelo Coronel, que me convidou a participar de sua primeira edição.

 

Minha primeira impressão: Fantástico! Sempre fico admirado quando a música tem espaço para se manifestar na sua melhor forma e quando se dá voz e vez a musicistas, intérpretes, compositores, sejam amadores ou não, pra mostrar seu talento, seu sonho, em um palco e para uma plateia.

 

Em mais de quatro horas de audição, passeei por uma gama de entusiastas da música (concorrentes) que me deixaram entusiasmados com suas performances. Gostaria de poder citar o nome de todos, mas dos cinco finalistas parabenizo aos demais.

 

Vi a força e a vontade de se doar com Isabella Karoline que, com seus pés descalços e olhos fechados, interpretou de um jeito que me emocionou, passando pelo formato único de Dinha Dórea e Marcelo Costa, ou pelo impressionante violão de Jota Ribeiro e, finalizando, o louvor de Alex dos Santos, tudo foi muito singelo, honesto e simples.

 

Olha, o evento foi tão bacana e a empolgação do público presente me impressionou tanto, que de novo fui olhar os festivais da canção das décadas de 60, 70 e 80 para, mais uma vez, entender o que chama a atenção do nosso povo quando o assunto é música. O que ficou claro assistindo aos vídeos é que o manifesto das pessoas se dá pelo envolvimento delas junto à escolha de seus ídolos, suas músicas. Nada mais justo para um povo que não tem “heróis”, que fazer valer, vez ou outra, sua vontade de escolhê-los e não os ter impostos pela vontade da mídia ou de algum “midas” moderno, que se ache algo mais que apenas um ser humano.

 

Pois essa emoção de torcer, a emoção de escolher seu candidato, independente do que o júri pudesse escolher, foi que fez a diferença no evento. A manifestação popular é algo que, quando feito de forma espontânea, gera uma aura positiva, que mesmo para quem não esteja em sintonia com o momento, acaba contagiado. Vi isso no evento, na manifestação do povo contra uma decisão dos jurados, tal como revivi isso, vendo o vídeo de Gil sendo simultaneamente vaiado e aplaudido, tentando cantar “Domingo no Parque” – uma das minhas dez canções favoritas – no festival da canção de 67 que, por um acaso, completou 50 anos agora em outubro. 

 

Olha, realmente me empolguei, bati palmas, me emocionei, me impressionei e, o mais importante disso tudo, fiz parte de algo criado apenas com o intuito de promover a alegria. Talvez o presidente Angelo Coronel tenha despretensiosamente – ou não – plantado uma semente de algo que pode render grandes surpresas nos próximos anos, quem sabe...

 

E como diz a canção: “O mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo”.  Entendeu? Não? Mas ele sim! (risos!)

 

Fui!