Dirigente de eSports lamenta preconceito com atletas e projeta crescimento da modalidade

Cada ano, os gráficos e a jogabilidade dos games vão melhorando, assim como as plataformas que rodam esses jogos. E, nesse contexto, essas disputas viraram coisa séria e há profissionais do ramo. Nessa nova realidade, há o recente debate se os eSports (nome dado ao mundo dos games) é, realmente, uma modalidade esportiva. Presidente da Associação Baiana de Futebol Digital e Virtual (Abfdv), Leo Bertora enxerga preconceito com os atletas do esporte e vê uma evolução dessa realidade na Bahia.

Na visão do dirigente baiano, de apenas 22 anos, os amantes desses games, que participam de competições, já podem ser considerados desportistas. “Hoje, acredito, mais do que nunca, que são esportes. Hoje a gente já consegue movimentar em alguns ramos mais dinheiro que esportes menores. Lógico que estamos muito longe do futebol, porque é a maior modalidade. A Copa do Mundo é o maior evento de esportes que a gente tem, junto com a Olimpíada. Mas já conseguimos atrair tanto investimento quanto outros esportes”, afirma, em entrevista ao Bahia Notícias. A informação sobre os valores é verdadeira. O campeão do The International, torneio do game Dota 2, levará uma premiação de 10 milhões de dólares, maior que os prêmios recebidos pelos clubes campeões do Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, por exemplo.

Para o mandatário, estudante do curso de Ciências da Computação, o preconceito com os jogadores dos games vai além do embate acerca de considerar eSports uma modalidade esportiva. “É mais profundo. Ainda há um preconceito com quem joga. Dizem não quer nada com a vida, não trabalha, não quer outras atividades ou é coisa de criança. As pessoas ainda não veem como um negócio. Mas, quem vê como um negócio está saindo na frente”, opina.

 

Competição de Fifa e PES no Gamepólitan | Foto: Divulgação

 

Ainda que haja um investimento milionário a nível internacional, a Bahia engatinha no que se refere à consolidação de uma estrutura para os competidores. No entanto, para Bertora, há um crescimento expressivo. Do início da associação, em 2010, com competições em locadoras, hoje os torneios são realizados em shoppings, lojas de varejo e universidades. Na edição do Gamepólitan, por exemplo, 120 pessoas prestigiaram as competições de Fifa e Pro Evolution Soccer (PES), na Unijorge, em Salvador.

Segundo o dirigente, apesar da pouca estrutura, há um público engajado, o que torna exponencial a consolidação dos eSports no estado. “Começou a ficar grande a brincadeira, não só aqui na Bahia, mas no Brasil todo teve esse surto de eSports”, destaca. “O céu é o limite”, ressalta.

Nesse contexto, surgem alguns núcleos que tentam se especializar no investimento aos jogadores e modalidades. O Bahia, por exemplo, já deu suporte ao atleta Hugo. A NeoBlue E-posts, contudo, surge como a primeira agremiação profissional nesse sentido. Bertora participa nesse projeto como diretor de esportes. “Era um clube de futebol, mas agora está atuando mais fortemente no eSports. Em outubro, vai ser inaugurado num ambiente empresarial uma escola para quem queira aprender a jogar. Ou seja: é o primeiro clube da Bahia, talvez do Norte/Nordeste, que terá uma escola para gamers”, pontua.


Foto: Tiago Dias / Bahia Notícias
 

Para o presidente, o fato de o brasileiro GuiFera ter sido campeão mundial no PES, em junho deste ano, pode favorecer o cenário da modalidade no Brasil. “Acredito que seja uma cascata. Esse ano terá o primeiro Mundial de Clubes, mas já temos o Mundial de Futebol Digital há algum tempo (...) Esse ano tivemos um campeão mundial brasileiro. Isso acaba motivando e desce a cascata. Se temos um campeão mundial brasileiro, dá um pouco de incentivo para outras regiões, mesmo ele sendo paulista. Eu já consigo chegar no shopping e dizer que um menino jogando consegue ganhar 200 mil euros jogando vídeo game (...) A gente consegue descer a cascata e mostrar para o nosso patrocinador que é de verdade”, celebra.

Agora, o intuito é que não só o futebol virtual seja englobado pela associação, mas também outros games, como Counter-Strike e League of Legens, por exemplo. “A associação trabalha com futebol digital, mas a ideia é que possamos trabalhar com federações de diversos jogos, o que não é muito explorado. Hoje, só quem explora o futebol digital somos nós. A ideia é manter isso, pois é nosso carro-chefe, mas a ideia é levar isso para outros jogos”, revela.