Nelsival Menezes se diz 'cansado do Bahia sofrer' e quer 'prioridade máxima' no futebol

Nelsival de Souza Menezes é um nome que tem história dentro do Esporte Clube Bahia. Entre os anos 70, 80, 90, o profissional passou pelo Tricolor como técnico interino, preparador físico e superintendente das divisões de base. Aos 67 anos de idade, o doutor em Atividade Física e Esportes pela Universidade de León, na Espanha, e oficial da Polícia Militar diz estar cansado de ver o Bahia sofrer e, apesar da família estar contrária, quer presidir o Esquadrão de Aço no próximo triênio pela chapa "Bahia Gigante". A sua principal proposta é o foco e a evolução do futebol com a presença de jogadores do estado. "Se o Bahia tem como missão principal o futebol em campo, temos que focar nisso. Vamos colocar uma equipe com perfil de campeã. Em 88, fomos campeões brasileiros e tínhamos oito atletas baiano em campo. Era o sangue de baiano e esses atletas passaram por minhas mãos. Temos que montar uma equipe campeã, valorizando o sangue baiano", disse, em entrevista ao Bahia Notícias. Visando o crescimento do clube e do número de associados, o candidato afirma que já costura parcerias fora do país, principalmente na Itália. "Precisamos modernizar a estrutura profissional para atender as demandas do futebol. Precisamos internacionalizar o clube na Itália, Argentina, Espanha, Portugal e Alemanha. Precisamos vender uma imagem positiva. Na imagem que está, não vamos encontrar parceiros e credibilidade internacional", indicou. Nelsival também fez comentários sobre a atual direção e revelou as suas intenções com o Fazendão e a Cidade Tricolor. Leia a entrevista completa:


O que levou você a se candidatar à presidência do Bahia?

Há algum tempo que a nossa equipe vem pensando que o Bahia não pode mais ficar na base do "vamos ver se dá certo". Os clubes da Bahia ficam naquela de competindo para não cair de divisão. Para acabar com essa situação, estamos com nesse empreendimento da nossa equipe de trabalho e nosso slogan é o Bahia em primeiro lugar. Não podemos dirigir o Bahia pensando em outra instituição. Temos metas que se coadunam com a meta do Bahia. Não se admite mais um clube sem o sangue de baiano que estamos acostumados a lutar e vencer desde a independência. Não podemos ficar nessa com um clube tão significativo como o Esporte Clube Bahia. Temos que pensar grande e, para isso, temos que pensar em um Bahia gigante.


Você trabalhou no clube em diversas oportunidades. Pode falar um pouco sobre sua história?
A minha passagem no Esporte Clube Bahia foi vitoriosa. Em todas as oportunidades que estive trabalhando saí com vitórias. Tenho doze títulos conquistados, sendo sete nas equipes principais e cinco na base. Além das excursões no Gabão (África), na França. Venho me preparando há algum tempo. A minha equipe de trabalho se considera preparada para colocar o Bahia onde ele merece. 


Como avalia a atual gestão?
Evidente que essa administração, se eu te disser que só tem erros, vou estar mentindo. Vamos aproveitar o que essa gestão fez de bom e vamos corrigir algumas coisas. Não precisamos ficar naquela de contratar à toa. Precisamos acertar o alvo. Não dá mais para fazer experiências. Apesar do presidente ter tido acertos, poderia ter sido melhor. 

 

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

Qual vai ser o carro-chefe de sua gestão, caso eleito?
Pretendemos colocar em curtíssimo prazo o futebol como prioridade máxima. Se o Bahia tem como missão principal o futebol em campo, temos que focar nisso. Vamos colocar uma equipe com perfil de campeã. Em 88, fomos campeões brasileiros e tínhamos oito atletas baianos em campo. Era o sangue de baiano e esses atletas passaram por minhas mãos. Temos que montar uma equipe campeã, valorizando o sangue baiano. Hoje você conta de dedo os baianos no elenco. O treinador também tem que ser campeão e nós candidatos já temos que buscar isso. Nós temos que ter um perfil talhado ao Esporte Clube Bahia.

 

Na sua opinião, o que é possível fazer para elevar o Bahia de patamar dentro do futebol nacional?

Precisamos modernizar a estrutura profissional para atender as demandas do futebol. Precisamos internacionalizar o clube na Itália, Argentina, Espanha, Portugal e Alemanha. Precisamos vencer uma imagem positiva. Na imagem que está, não vamos encontrar parceiros e credibilidade internacional. Assim, não poderemos captar o que precisamos. Então, precisamos fortalecer o futebol do Bahia. Vamos fazer parcerias com universades. Vamos buscar com a FUB, CBDU, atletas que não tiveram oportunidades na divisão de base. São talentos que podemos recrutar com 17, 18 anos.

 

Como vê a questão dos sócios do clube?
Devo lhe dizer que muita gente deixou de pagar. Muita gente deixou de cumprir com as suas obrigações porque não estava tendo retorno. É necessário que o sócio volte a pagar. Muitos familiares meus, de forma equivocada, se aborreceram e deixaram de pagar. Isso não pode acontecer. É bonito você ver a manifestação das torcidas e o sócio precisa voltar. Precisamos criar estímulos. Quando fiz cursos no Rio Grande do Sul, vi como o sócio é bem tratado. Tínhamos a Boca do Rio, onde o torcedor ia para a piscina, bebia cerveja, comia caranguejo. Hoje não temos nada. Para entrar no Fazendão é um processo. Estive lá recentemente e foi uma triagem! Tem que ter uma relação de ex-funcionários e atletas para ser recebido de forma digna. Imagina o sócio?

 

A relação com a Arena Fonte Nova pode melhorar de que forma?

O Bahia pode melhorar e tem que melhorar o contrato com a Arena. Temos que buscar parcerias governamentais, mostrando propostas atraentes. A Arena Fonte Nova não pode tirar do Bahia e nós temos como fazer isso. Não posso te adiantar como, mas temos uma equipe estudando os bancos de dados para melhorar essa situação, até que tenhamos o nosso estádio próprio como o Corinthians, Palmeiras e São Paulo tem.

 

Com a situação dos CT's praticamente definida, qual seria a sua decisão? É possível manter as duas estruturas?

Eu manteria as duas estruturas. Uma seria para a formação de atletas de alto nível, porque aí é o futuro do clube. A outra seria para manter os profissionais em permanente trabalho. É inadmissível que jogadores em sua folga saiam para curtir. Se for para fazer churrasco, que faça dentro do clube. Sair, fugir e curtir não. Isso precisa ser revisto.

 

Que mensagem você deixa ao torcedor e associado?

Sócio e torcedor, vote idealizando no Bahia em primeiro lugar. Vote no candidato que tem propostas que você veja que são boas.Não votem em candidatos que pensem em outras instituições. Essa garotada que está aí não me acompanhou muito, mas perguntem aos seis pais e tios quem foi Nelsival Menezes. Minha mensagem é para que o torcedor vote nas propostas para um Bahiagigante.