Gabi Buarque promete 'deixar acontecer' no Rio Vermelho

Na estrada para a apresentação do CD “Deixo-me Acontecer”, a carioca Gabi Buarque desembarca na Bahia para mostrar aos soteropolitanos o que sabe fazer melhor. Dona de um canto suave e afinado, a cantora tem no samba sua maior fonte de inspiração. Mas vai além. “O CD é bem diversificado por conta dos estilos que ele tem”, disse em entrevista ao Bahia Notícias. Quem for, na próxima terça-feira (4), às 19h, na Casa de Tereza (couvert de R$ 10), no bairro boêmio do Rio Vermelho, vai ouvir canções como as líricas “Prosas em Lá”, “Canto do Breu” e “Sofro Sim”; o coco, “Roda de Coco”, e as temperadas com maracatu “Maranduva” (a única sem a assinatura dela) e “Benção, Nanã”, além de outras inéditas que farão parte do próximo trabalho de Gabi, como a valsa “Lea”, “Rio Grande” (parceria com Iara Ferreira) e “Gafieiríssima” (com Vidal Assis). 
 
Vencedora por dois anos consecutivos (2010 e 2011) do prêmio de melhor intérprete do Festival das Rádios Públicas do Brasil, a carioca de cabelos cacheados recebe o carimbo do selo de qualidade de compositores como Hermínio Bello de Carvalho e Sérgio Natureza. Formada na Escola de Música Villa-Lobos e na Escola Portátil de Música (violão, cavaco e canto) - esta última, um curso voltado para samba e choro - passou a compor com mais intensidade depois da leitura de “Água Viva”, obra-prima da escritora Clarice Lispector. O título do CD vem daí. “Foi um livro que me abriu a cabeça e comecei a escrever muito depois dele”, contou, e acrescenta: “e o deixo-me acontecer é fazer várias músicas sem um compromisso com um estilo musical, é eu gravar as minhas próprias músicas”, completa. Ela também escreve poesias e crônicas e mantém um blog para desaguar a produção das letras. 
 
 
Sem patrocínio ainda, a cantora conta com o apoio de amigos e parceiros para as apresentações, e o show em Salvador repete a mesma produção de outros lugares. “Geralmente nas viagens, vamos eu e uma produtora, e a banda é montada pelo diretor musical do lugar”, conta. Sobre os riscos da empreitada, ela diz que não tem porque se preocupar. Muitas vezes, passa a conhecer os músicos nos poucos ensaios antes dos shows. “É muito válido porque eu mostro a minha música, mas eles [músicos] também colocam a influência deles”, comenta. Para a artista, o formato colabora ainda nas finanças, já que não precisaria arcar com a logística de um descolamento de banda.
 
Lembrando aos desavisados, Gabi não tem parentesco com Chico Buarque, pelo menos nos graus imediatos, mas ela é fã do compositor de A Banda e integra um grupo intitulado “Mulheres de Chico” que se apresenta em espaços cariocas como o Bar do Tom, o Rio Scenarium, o Centro Cultural Sérgio Porto, e já puxou no carnaval do Rio um bloco de 30 mil pessoas na Praia do Leblon. As influências dela vão do compositor baiano Roque Ferreira, mas também bebe na fonte de Joyce, Paulo César Pinheiro, Dorival Caymmi, entre outros nomes da música popular brasileira. 
 
No Rio Vermelho, na próxima terça, acompanham a cantora a equipe baiana formada por Paulo Mutti (direção musical e violão), Ivan Sacerdote (clarinete) Ivan Huol (bateria e percussão) e Silvia Druffrayer (percussão). Com 30 anos, 17 empregados no ofício da música, Gabi diz que continua aprendendo, mas os palcos não lhe assustam mais. “Eu já tenho uma estrada que já não deixa o medo ganhar da vontade”, finalizou.