‘A Vilã’ traz para o cinema uma história que mescla ação com dramas e reviravoltas

Muito se fala sobre como os quadrinhos influenciam a dinâmica dos filmes de ação nos dias atuais (o que na verdade sempre foi uma via de mão dupla desde o começo dos tempos, mas isso é outra história...). Entretanto, é também nos games e sua gigantesca indústria de criação que existe uma nova fonte de perspectiva que casa muito bem - quando bem construída - com o que é feito para as telonas. E um dos melhores exemplos de um casamento harmonioso entre os dois meios vem de “A Vilã”, filme de Jung Byung-Gil que estreia nos cinemas de todo o Brasil.

 

Tudo bem que não é só isso que destaca esse filme, e seria até desonesto dar os méritos totais apenas para esta influência. Aqui está um produto que bebe muito de grandes filmes do cinema asiático para trazer um roteiro que vai além de um tenso Thriller de assassinato, morte e vingança para ainda conseguir criar uma pequena metáfora sobre a indústria pop e os sacríficos exigidos para se adequar a este mundo. 

 

O filme conta a história da misteriosa Sook-hee (Ok-bin Kim), uma assassina que após uma matança generalizada é presa pela polícia e acaba cooptada por uma agência de assassinos. Grávida, Sook-hee tem sua vida remodelada, desde o seu rosto até sua identidade, e passa a cumprir serviços para manter o contato com seu filho e uma futura independência. Porém, sombras do seu passado são trazidas de volta e uma reviravolta pode levar tudo a um novo caminho de destruição.

 

Para quem já assistiu outros filmes orientais como a trilogia da vingança (Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vingança), existe uma base fundamentada neste estilo de ação, drama e um certo horror focado em reviravoltas surpreendentes. 

 

Entretanto, na comparação, “A Vilã” apresenta uma intensidade um pouco menor e não chega a ser tão surpreendente quanto nos filmes citados. E esse talvez seja o problema que não faz o filme brilhar, já que em certo ponto falta alguma coisa dentro do desenvolvimento da história para realmente criar uma revolução e te fazer questionar tudo aquilo que já foi visto. 

 

Mesmo assim, as grandes sequências visuais tem uma narrativa excelente, sabendo brincar com a nossa perspectiva e se valendo às vezes da falta de compromisso com alguma "realidade" para deixar a película viva em nossa mente. Outro destaque vai também para o conjunto de atores, que fazem atuações sóbrias e conseguem dramatizar a história na medida certa para prender a atenção do telespectador. 

 

Para além dos amantes dos filmes asiáticos, “A Vilã” é um filme que consegue explorar além de seu gênero principal e sabe valorizar o cinema tanto em sua forma quanto na sua intenção de entretenimento.