Sabendo explorar a fórmula, 'Anabelle 2' é um instigante filme de suspense e terror

Sucesso no mundo todo, a franquia Invocação do Mal segue se tornando uma boa referência para a criação de outras obras que explorem os contos de terror baseados nos casos dos demonologistas Ed e Lorraine Warren. E com base neste mundo de temores e perigos sobrenaturais, a continuação do spin-off Anabelle – intitulado "Anabelle 2: A Criação do Mal" - chega nesta quinta-feira (17)  aos cinemas de todo o Brasil com uma história mais densa que o seu antecessor e claras referências ao universo de ocultismo que se confunde com os casos reais que deram origem a série de filmes.


Na história, que se passa anteriormente a trama da película anterior, somos apresentados a uma família que 20 anos após perderem a sua filha em um trágico acidente, passam a receber um grupo de garotas orfãs para viver em sua casa. Entretanto, dentro deste suposto ambiente acolhedor, um segredo sombrio passa a assolar as crianças e se apresentar como um temor fatal para todos os habitantes.


Feito com uma narrativa lenta em seu príncipio, "Anabelle 2" já demonstra que consegue explorar o suspense para aprofundar um clima aterrorizante em torno de seus personagens e do próprio público que assiste a obra. E isso vai se tornando mais evidente ao longo da trama, que não tem medo de usar clichês para mostrar que não existe problema algum em repetir fórmulas quando se tem um roteiro competente e o bom timming para produzir uma obra de qualidade.


E talvez esse seja o verdadeiro segredo do filme, que não se torna uma "fábrica de sustos" e dá valor a narrativa e sua história principal. O mesmo podemos falar dos easter eggs produzidos durante a película, que não ferem a trama e nem tornam tudo dependentes dessas referências. Entretanto, mesmo usando os clichês com inteligência em muitos momentos, o uso de algumas fórmulas prontas ainda diminui a força desse filme como um todo. Ter personagens com decisões duvidosas em horas de desespero, por exemplo, é um recurso que em muitos casos acaba se tornando mais hilário do que realmente desesperador. Não estraga o filme, mas quebra muitos momentos que poderiam se tornar maiores do que são.


Mesmo abaixo da franquia principal, Anabelle sobrevive como um capítulo interessante do atual momento dos filmes de terror norte-americanos pois entende que além de recursos ou fórmulas, ter um roteiro bem escrito e instigante ainda é o que verdadeiramente importa.